Confira o impacto

JBS cai e concorrentes sobem na Bolsa após China habilitar 25 novas plantas de carne

Nenhuma das instalações autorizadas hoje a exportarem para o país era do maior frigorífico brasileiro  

SÃO PAULO – A China habilitou nesta segunda-feira (9) mais 25 abatedouros e embaladores de carne brasileiros, chegando a 89 plantas autorizadas a exportar para o país.

O anúncio, que era bastante antecipado pelo setor de frigoríficos, não agradou a todos os investidores, pois nenhuma das instalações habilitadas é da JBS (JBSS3), maior empresa do Brasil neste segmento com um valor de mercado de R$ 46,6 bilhões. 

Como consequência, os papéis da companhia caem na Bolsa hoje, enquanto os concorrentes do frigorífico da família Batista estão entre as ações que mais sobem na carteira teórica do Ibovespa.

PUBLICIDADE

Às 16h45 (horário de Brasília), as ações da JBS recuavam 4,4% a R$ 28,75, chegando a ter baixa de 6,92% na mínima do dia, enquanto os papéis da Marfrig (MRFG3) subiam 5,25%, os da Minerva (BEEF3) tinham ganhos de 5,6% a R$ 8,31, e os da BRF (BRFS3) avançavam 1,2% a R$ 37,83. Na máxima do pregão, os ativos MRFG3 chegaram a saltar 9,45%, os BEEF3 tiveram ganhos de 6,48%, enquanto BRFS3 subiu até 3,42%. 

Para o analista Antonio Barreto, do Itaú BBA, apesar da frustração, a representatividade da operação brasileira da JBS no Ebitda (lucro antes de juros impostos, depreciações e amortizações, na sigla em inglês) consolidado da companhia deve mitigar os impactos. O Beef Brazil da JBS responde por menos de 10% da geração de caixa do frigorífico. 

Já Minerva ganha muito com o anúncio. A empresa teve duas plantas habilitadas – a de Rolim de Moura (RO) e a de Palmeiras de Goiás (GO) – e a sua capacidade de abate é 35% da capacidade da companhia na divisão brasileira. 

“Essas duas fábricas combinadas representam aproximadamente 13% da capacidade total de abate da empresa, e esperamos um ganho de margem Ebitda [obtida a partir da divisão do Ebitda pela receita líquida de uma companhia] de 0,9% para os números consolidados da Minerva”, destaca o relatório. 

Duas plantas da Marfrig também estiveram entre as habilitadas, somando 20% da capacidade da companhia no Brasil. “Acreditamos que possa haver um ganho de 0,4% na margem Ebitda consolidada depois das notícias de hoje”, aponta a equipe do Itaú. 

As plantas autorizadas da Marfrig são as de Tangará da Serra (MT) e Várzea Grande (MT). 

PUBLICIDADE

Uma planta de frango e uma de porcos da BRF também foram habilitadas, as duas de Lucas do Rio Verde (MT). A de frangos representa 5% da capacidade de abate de aves e a de porcos corresponde a 15%. 

“Nós esperamos uma reação positiva do mercado, já que frangos e porcos possuem prêmios de 30% e 25% respectivamente sobre os preços de exportação praticados em Hong Kong”, explica o research. 

Na avaliação dos analistas Leandro Fontanesi e Tiago Mello, do Bradesco BBI, a aprovação das plantas da BRF deve aumentar a capacidade de exportação de suínos da empresa para a China em 50% e de frangos em 30%.

“Para Marfrig, esperamos que a decisão aumente sua capacidade de exportar bovinos para a China em 100%”, afirma a equipe do Bradesco. 

Os analistas do Bradesco BBI ainda disseram esperar que mais plantas de carne brasileiras sejam aprovadas para exportar para a China, com potencial de 78 habilitações no total de 2019. 

Seja sócio das melhores empresas da Bolsa: abra uma conta na Clear com taxa ZERO para corretagem de ações