Destaques da Bolsa

Itaú cai após balanço e Fibria sobe 7% em 4 dias; Vale e siderúrgicas disparam

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

SÃO PAULO – As ações do Itaú Unibanco caíram após balanço nesta terça-feira (4) e limitaram os ganhos do Ibovespa, apesar da forte alta das ações da Petrobras e Vale. Outros bancos também caíam forte como Bradesco e Banco do Brasil. Vale lembrar que o setor é o que tem maior participação no índice.

Ainda nos destaques, as ações das educacionais seguiram seu mau humor e tiveram fortes perdas hoje, com exceção da Ser Educacional, única que teve alta nesta sessão. No caso das ações da Estácio, essa foi a sexta queda consecutiva, período em que acumula perdas de 25%, indo para o menor patamar desde dezembro de 2012.

Confira abaixo os principais destaques de ações desta sessão:  

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,20, -2,41%)
As ações do Itaú caíram forte após resultado do segundo trimestre. Embora o lucro líquido tenha superado as expectativas dos analistas, a inadimplência teve um repique após 11 trimestres seguidos em queda. O índice de inadimplência, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, foi de 3,3%, subindo contra os 3% do trimestre anterior, mas ainda abaixo dos 3,4% de um ano antes. As ações da Itaúsa (ITSA4, R$ 8,20, -2,73%) também caíram, assim como outros papéis do setor como Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,45, -3,55%) e Bradesco (BBDC3, R$ 27,11, -1,01%; BBDC4, R$ 26,03, -1,45%).

O maior banco privado brasileiro teve lucro líquido de R$ 5,984 bilhões no segundo trimestre, ante R$ 4,899 bilhões um ano antes. A média das projeções de 7 analistas compilados pela Bloomberg apontava para um lucro de R$ 5,763 bilhões. Em bases recorrentes, o lucro foi de R$ 6,134 bilhões.

O Credit Suisse ressaltou que, apesar do lucro ter vindo acima do esperado, a deterioração na qualidade dos ativos compensou. Mesma observação feita pelos analistas da Votorantim Corretora. “A deterioração na qualidade dos ativos do banco é uma preocupação, já que sinaliza uma possibilidade de aumentar ainda mais as despesas com provisões, podendo pressionar o lucro do banco”, comentaram os analistas Flavio Yoshida e George Chen. 

O Itaú, no entanto, manteve suas projeções de desempenho para 2015. No trimestre anterior, o banco já havia revisado suas metas (guidances). A expectativa do Itaú é que sua carteira de crédito total cresça de 3% a 7%. Já as despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, devem ficar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.

Bradesco
Ainda sobre o Bradesco, vale mencionar que o banco teve recomendação cortada hoje para manutenção pelo Santander após aquisição do HSBC Brasil por R$ 17,6 bilhões. Apesar do negócio adicionar valor ao banco por três anos, analistas do banco citaram risco de execução da operação. 

Vale (VALE3, R$ 18,10, +2,90%; VALE5, R$ 14,81, +2,99%)
As ações da mineradora subiram após a queda de ontem, na esteira dos mercados chineses. Hoje, a bolsa de Xangai subiu 3%. Pequim tem adotado uma série de medidas para sustentar os mercados acionários do país após perderem mais de 30 por cento do valor na comparação com um pico atingido em junho. O governo da China anunciou uma nova medida na tentativa de combater a forte onda de volatilidade que tem dominado as bolsas do país nos últimos meses, mirando desta vez as chamadas vendas a descoberto. 

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Além disso, destaque para a Bradespar (BRAP4), holding que detém forte participação na Vale, que subiu 3,43%, a R$ 9,96. A Bradespar aprovou a recompra de até R$ 24,8 milhões ações no prazo de um ano. Enquanto isso, as siderúrgicas ganharam força no fim do pregão e fecharam entre as maiores altas do dia, com destaque para a Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,95, +10,64%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,17, +4,51%).

Fibria e Suzano
As ações da Fibria (FIBR3, R$ 47,13, +3,13%) e Suzano (SUZB5, R$ 17,06, +2,16%) subiram forte hoje em meio à escalada do dólar, dado que suas receitas são atreladas à moeda americana. No caso da Fibria, essa é a quarta alta seguida, período em que acumula alta de 7%. Essa valorização leva a ação hoje ao maior patamar desde junho de 2008.  

Educacionais
Os papéis do setor educacional seguiram em queda forte na Bolsa hoje, com exceção da Ser Educacional (SEER3, R$ 11,03, +4,06%), que subiu forte após derrocada de 27% desde a metade do mês de julho. Na ponta negativa, destaque hoje para as ações da Estácio (ESTC3, R$ 13,00, -1,74%), Kroton (KROT3, R$ 9,05, -1,42%) e Anima (ANIM3, R$ 14,80, -0,74%). Estácio figura no menor patamar desde dezembro 2012, depois de cair por seis pregões seguidos, acumulando no período desvalorização 25%, enquanto Anima renova seu menor patamar de fechamento da história. 

Ontem à noite, a Anima anunciou que vai recorrer à contratação de linhas de créditos, bem como de contratos de swap, para recompor o capital de giro devido ao inadimplemento do Ministério da Educação com os contratos do Fies. O conselho de administração aprovou que a companhia vá em busca de empréstimos de até R$ 350 milhões, ficando outorgado à diretoria poderes para negociar e contratar a melhor taxa disponível no mercado. Segundo a coluna Radar, da Veja, o governo já deixou de repassar às instituições de ensino R$ 7,5 bilhões do Fies.

Petrobras (PETR3, R$ 11,11, +1,18%; PETR4, R$ 10,18, +1,60%)
O dia é de alta para as ações da Petrobras seguindo os ganhos do preço do petróleo, com o Brent subindo 1,05%, a US$ 50,06 o barril. Ontem, os preços do petróleo caíram 5% em meio ao anúncio do Irã de que deve elevar a produção, o que puxou os papéis da petrolífera para baixo.

Além disso, fontes disseram à Bloomberg que a estatal pretende vender em torno de 25% da BR Distribuidora, que teria sido avaliada entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões. 

Vale mencionar ainda que o Senado adiou a instalação da comissão especial para analisar Projeto de Lei que revoga a participação compulsória da Petrobras no modelo de partilha de produção de petróleo no pré-sal.

Celesc (CLSC4, R$ 13,69, -0,29%) e Equatorial (EQTL3, R$ 35,04, -0,17%)
Em reunião realizada hoje, a Aneel aprovou o reajuste tarifário para a Celesc, de 3,61%, da Escelsa (da EDP), de 2,04% e da Celpa (da Equatorial), de 7,47%. Este último acabou ficando abaixo da proposta inicial da agência reguladora, que previa 7,53% de ajuste. Os reajustes passam a valer em 7 de agosto.

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Marcopolo (POMO4, R$ 2,25, -1,75%)
A Marcopolo anunciou lucro líquido de R$ 37,106 milhões no segundo trimestre, 26,1% menor que os R$ 50,242 milhões do igual período do ano passado. No semestre foram R$ 71,2 milhões, com queda de 31% em relação aos primeiros seis meses de 2014.

Para o BTG Pactual, o resultado veio abaixo do esperado, com o operacional bem fraco, com as vendas domésticas caindo 53%. Os analistas destacaram ainda que as vendas internacionais até subiram 16% na comparação anual, mas longe de ser o suficiente para compensar a fraqueza em todos os segmentos domésticos. 

Valid (VLID3, R$ 50,21, +1,64%)
A Valid registrou um lucro líquido ajustado de R$ 30,4 milhões no segundo trimestre, contra R$ 24,5 milhões em igual período do ano passado. Nos seis primeiros meses, o lucro líquido ficou em R$ 66 milhões, crescimento de 35% se comparado a 2014. Segundo o BTG Pactual, o resultado foi forte, ligeiramente acima do esperado, com a receita subindo 28,5% na comparação anual. O destaque, segundo analistas, ficou com a operação de meios de pagamentos nos Estados Unidos, que seguiu crescendo em ritmo bastante forte. 

O banco aproveitou o balanço para reforçar sua visão bullish (otimista) para a ação, com a companhia conseguindo explorar novas fontes de crescimento. O preço-alvo foi elevado para R$ 56,00 por ação, com recomendação de compra. 

Multiplus (MPLU3, R$ 41,56, +0,73%)
A Multiplus, empresa de programa de fidelidade controlada pela TAM, registrou no segundo trimestre lucro líquido de R$ 109,3 milhões, 36,5% acima do apresentado em igual período do ano passado. Segundo o BTG Pactual, o resultado foi forte, com Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) mostrando alta de 36% na comparação com o ano anterior e lucro recorde de novo. Os analistas aproveitaram o resultado para atualizar suas projeções, o que resultou em uma revisão para cima no preço-alvo da ação, que passou de R$ 37,00 para R$ 44,00 por papel. 

Braskem (BRKM5, R$ 11,95, +3,37%)
A companhia realiza assembleia geral extraordinária (AGE) hoje para deliberar sobre a substituição de conselheiros e nomeação do presidente do conselho de administração da companhia no lugar de Marcelo Odebrecht, preso pela Operação Lava Jato. Foi indicado para a vaga Newton de Souza, presidente interino da Odebrecht. 

Porto Seguro (PSSA3, R$ 38,65, -1,55%)
A Porto Seguro informou lucrou líquido de R$ 273,2 milhões no segundo trimestre, 25,8% a mais sobre o mesmo período do ano passado, pelo critério que consolida os números de suas diversas marcas. Segundo o BTG Pactual, os números vieram fortes, mas em linha com o consenso do mercado. Eles comentaram, no entanto, que, com base nos números da Susep de junho, houve a impressão de que o lucro pudesse ter vindo ainda mais forte. 

Renova (RNEW11, R$ 32,32, +0,69%)
Em relatório hoje, o Santander comentou que vê como bem-sucedida a oferta pública da TerraForm Global, como um fato positivo para a Renova, pois ela completa mais uma etapa em direção ao acordo de parceria com a SunEdison.

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Ontem, a TerraForm Global deu início às negociações de suas ações ordinárias na Nasdaq por meio de uma oferta pública inicial de 45 milhões de ações ao valor de US$ 15 cada. Com isso, a captação da empresa é de cerca de US$ 675 milhões.  A operação do IPO (Initial Public Offering) está prevista para ser encerrada em 5 de agosto e é uma das condições precedentes para a operação de troca de ações com a Renova que possui duas fases.