Setor elétrico

Itaú BBA eleva recomendação para Eneva e a vê como “melhor nome para enfrentar crise hídrica”: quais outras ações impactadas?

Equipe de gestão de alta qualidade, excelente histórico de alocação de capital e grande potencial de crescimento estão entre justificativas

SÃO PAULO – Com o agravamento da crise hídrica, o mercado financeiro já começa a traçar possíveis cenários no caso de um racionamento de energia. E nele, algumas empresas podem, inclusive, se beneficiar. É o caso da Eneva (ENEV3), que teve sua recomendação elevada para outperform (performance acima da média do mercado) pelo Itaú BBA.

Segundo o banco, a empresa é o melhor nome para investir neste contexto, devido à sua “equipe de gestão de alta qualidade, excelente histórico de alocação de capital e grande potencial de crescimento”. O Itaú BBA elevou o preço-alvo para as ações da companhia de R$ 15 para R$ 18,60 – o que implica potencial de alta de 13,6% ante o fechamento do último pregão.

“Acreditamos que a Eneva é o melhor veículo para enfrentar a desafiadora crise hídrica devido ao seu impacto zero no GSF (medida do risco hidrológico), ao fato de que seus volumes não contratados se beneficiarão dos preços extremamente altos da energia em 2021 e 2022, e das enormes oportunidades de crescimento que vemos para a empresa, com concorrência relativamente baixa”, escrevem os analistas.

Segundo os analistas, a aquisição pela Eneva do complexo da Petrobras (PETR3; PETR4) em Urucu, que contém 34 bilhões de metros cúbicos de gás, pode ser uma “virada de jogo”, dadas as enormes reservas de gás natural.

Além disso, um potencial de alta adicional para os papéis da companhia pode vir, segundo o Itaú BBA, do desenvolvimento de novas usinas térmicas, com a participação da Eneva nos leilões de setembro e, principalmente, no de dezembro deste ano.

“Esperamos que o governo federal contrate um número significativo de usinas térmicas para reforçar a segurança do sistema e reduzir sua dependência da geração hidrelétrica”, justificam os analistas.

Apesar do grande potencial de crescimento para a companhia, os analistas avaliam que a empresa não deve exigir um aumento de capital. Isso porque esperam que a Eneva consiga se desalavancar rapidamente devido ao crescimento do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) – que deve ser impulsionado pelo início dos projetos em construção e pelo aumento das vendas no mercado à vista.

O banco também vê espaço no balanço da empresa para o leilão de dezembro de 2021 para desenvolver um projeto de 600 MW, uma vez que o projeto será implantado em um período de cinco anos.

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Com relação às ações da companhia negociadas na Bolsa, o Itaú BBA destaca que a Eneva tem apresentado uma das melhores performances no setor de utilities no ano, com ganhos de 5,41% até segunda (13), superando o desempenho do Ibovespa, que tem queda de 2,2%.

Segundo o time de análise, há espaço para ganhos adicionais devido à crise hídrica e ao enorme potencial de crescimento da empresa.

Impactos da crise no setor elétrico

Na avaliação da XP Investimentos, embora o cenário de racionamento de energia possa impactar amplamente a economia brasileira, as empresas do setor elétrico não devem ser tão impactadas ou até mesmo serem beneficiadas.

Os analistas fizeram uma análise sobre qual seria o impacto de um racionamento de energia no último trimestre de 2021, assumindo um corte obrigatório de 20% nos contratos das geradoras, tanto no mercado livre quanto no mercado regulado.

Em relatório, os analistas Victor Burke e Maíra Maldonado escrevem que as transmissoras de energia não serão afetadas, as distribuidoras poderão ser ligeiramente afetadas e as geradoras poderão até ser beneficiadas.

Isso porque, enquanto as transmissoras têm contratos de receita fixa, com base na disponibilidade da linha e receita corrigida pela inflação, isto é, independente do consumo ou geração, as geradoras podem se beneficiar, por exemplo, de preços de energia mais elevados no curto prazo.

Já as companhias de distribuição de energia, podem ter um impacto negativo de curto prazo, mas nenhum impacto sobre o valor das empresas, segundo a XP.

“No caso de um corte obrigatório, embora estimemos que as empresas teriam um impacto negativo no resultado de curto prazo em torno de 18%, elas podem solicitar à Aneel o reequilíbrio econômico-financeiro da concessão. Desta forma, como vimos em 2020 com a Conta-Covid, as distribuidoras estariam protegidas”, escrevem os analistas.

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Empresas de geração podem ser beneficiadas dependendo das condições de mercado, mas os analistas lembram que isso não é trivial. “Para as geradoras, um racionamento de energia pode ser benéfico para os resultados dependendo de quatro fatores: (i) nível de risco hidrológico (GSF); (ii) preços de energia de curto-prazo (PLD); (iii) configuração da matriz de geração da companhia; e (iv) nível de contratação do portifólio da companhia. Essas variáveis podem resultar em um impacto positivo ou negativo”, avaliam.

Dentro do universo de cobertura da XP, as empresas mais expostas ao segmento de geração de energia são: Cesp (CESP6, AES Brasil (AESB3, Omega (OMGE3), Engie Brasil (EGIE3, Copel (CPLE6) e Energias do Brasil (ENBR3. Em relação à distribuição de energia os nomes mais expostos são: Equatorial (EQTL3) e Cemig (CMIG4). Para o segmento de transmissão, as empresas totalmente dedicadas são Transmissão Paulista (TRPL4) e Taesa (TAEE11).

Para a XP, as ações preferidas do setor são Omega Geração e Cesp.

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