ISA CTEEP (TRPL4): UBS BB rebaixa recomendação para venda por pressões de leilões e da Eletrobras

O preço-alvo também foi cortado, indo de R$ 28 por ação para R$ 23,50

Camille Bocanegra

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A ISA CTEEP (TRPL4) teve sua recomendação rebaixada para venda pelo UBS BB em relatório publicado nesta quarta-feira, 29. A análise considera que há uma confluência de fatores que exercem pressões negativas nas ações da companhia, que tiveram redução do preço-alvo também, de R$ 28 por ação para R$ 23,50.

As ações da companhia subiam discretamente às 14h02 (horário de Brasília), com alta de 0,08%, cotadas a R$ 24,43 nesta quarta.

Entre os pontos que trazem pressões, estão, principalmente, a concorrência em leilões e a movimentação da Eletrobras (ELET3;ELET60 de venda de papéis da companhia.

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“Em primeiro lugar, a maior agressividade observada em leilões recentes, juntamente com a possibilidade de uma revisão negativa da Rede Básica Sistema Existente (RBSE, valor pago às companhias pela Agência Nacional de Energia Elétrica [Aneel]), é uma preocupação significativa. Além disso, os esforços da Eletrobras para vender suas ações na CTEEP podem exercer pressão descendente sobre as ações da CTEEP”, afirma o relatório.

A situação torna-se agravada pela atual posição de negociação da empresa, que a análise considera “pouco atraente”.

A principal questão apresentada é a possibilidade do pagamento abaixo do esperado de RBSE (Rede Básica do Sistema Existente), uma vez que o valor é fundamental para a saúde financeira da companhia. A RBSE refere-se às parcelas de receita associadas às instalações de transmissão componentes da Rede Básica existentes na época da celebração dos primeiros contratos de concessão de serviços público de transmissão.

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“A CTEEP possui uma indenização do RBSE de aproximadamente R$ 2,4 bilhões por ano de 2024 a 2028, e uma decisão negativa da Aneel poderia resultar em um impacto significativo nas finanças da CTEEP. Embora nosso cenário base considere o recebimento total do RBSE, acreditamos que o mercado também está precificando essa recebível”, entende.

Assim, caso a decisão seja positiva, os valores já estariam precificados para os papéis da companhia, enquanto, em caso de posição negativa, há perspectiva de que as ações cairiam. Na consideração do UBS BB, o impacto negativo no patrimônio poderia ser de R$ 792 milhões, na casa de R$ 2 por ação.

Outro ponto considerado na análise é a possibilidade de impacto por conta da inflação, uma vez que a receita da CTEEP é vinculada ao índice IPCA ou IGPM. As receitas são baseadas em concessões, que são reajustadas pelos dados.

“Assumimos um IPCA e IGPM de longo prazo de 3%. Considerando nossas suposições de inflação, nossa Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) do Ebitda de 2024 a 2027 é de aproximadamente 4%. Nossa análise de sensibilidade mostra que, para cada variação de 100 pontos-base na inflação, a CAGR do Ebitda de 2024 a 2027 da empresa mudaria cerca de 700 pontos-base”, traz a análise.

Em relação aos leilões, com o aumento da competição, a empresa estaria apresentando lances considerados “agressivos, abaixo da sua TIR [Taxa Interna de Retorno] de negociação” e a dinâmica teria destruído valor para os acionistas.

Embora considerada como “precificada de forma justa” no início da cobertura, a companhia tornou-se excessivamente cara na análise da UBS BB, com o aumento de 13% nas ações desde então. Um dos principais dados que sustenta a posição da análise é a TIR, que atualmente se apresenta em 6,4%.

Por fim, entre os riscos apontados para o papel, está também o potencial desinvestimento por parte da Eletrobras. A companhia possui 36% da ISA CTEEP e afirmou que pretende realizar o desinvestimentos, embora não no curto prazo.

“Vemos essa incerteza criando uma pressão adicional sobre o preço das ações, provavelmente causando volatilidade, com a Eletrobras potencialmente desinvestindo no futuro a um preço significativamente menor do que o preço das ações vigente”, destaca.