Volatilidade

Índice do Medo: VIX dispara até 33% em dia de sell-off nas bolsas americanas

Preocupações com a variante delta da Covid e queda brusca do petróleo após acordo da Opep+ catalisaram dia de aversão a risco

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Homem segura o rosto com as mãos, cabisbaixo, diante do computador com gráficos de ações
(Victoria Gnatiuk/Getty Images)

SÃO PAULO – O Índice S&P 500 VIX, também conhecido como “Índice do Medo” por medir a volatilidade das 500 ações mais negociadas no mercado financeiro dos Estados Unidos, chegou a disparar até 33% nesta segunda-feira (19), dia de sell-off nas bolsas americanas.

Às 12h11 (horário de Brasília) o VIX subia 29,1% a US$ 23,82.

Segundo Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, o que causa essa disparada no VIX é a preocupação com a variante delta do coronavírus. “O mercado está muito nervoso com crescimento e hoje explodiu. Acho esse temor um pouco exagerado, porque o avanço da vacinação deve reduzir a incidência de casos principalmente entre os mais jovens. Na Holanda, por exemplo, só 6% de quem pega o Covid agora é vacinado com as duas doses”, explica.

Como o VIX mede a volatilidade das ações em tempo real e a expectativa de oscilação implícita nos próximos 30 dias, ele costuma ser visto como um importante indicador do sentimento dos investidores. Quanto mais sobe, mais nervosismo existe nas mesas de negociação.

O nervosismo, também chamado de aversão a risco, costuma levar os investidores a fugirem de ativos mais arriscados, buscando investimentos mais seguros ainda que isso custe uma menor rentabilidade. Os títulos do tesouro dos EUA, vistos como os ativos mais seguros do mundo (devido ao gigantesco Orçamento do governo americano e ao fato do país nunca ter dado calote na sua dívida), apresentam queda nos seus rendimentos, que são inversamente proporcionais ao preço, o que indica maior demanda por eles.

Nesse início de tarde a treasurie com vencimento em 10 anos tinha uma desvalorização de 8,7 pontos-base hoje no seu rendimento, a 1,207% ao ano.

O que causa o sell-off hoje?

Essas pesadas vendas que atingiram os mercados hoje e levam os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq a recuarem entre 1,11% e 2,22% vieram na esteira do acordo atingido no domingo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) de elevar em 400 mil barris por dia a produção da commodity a partir de agosto.

Isso ocorre ao mesmo tempo em que a proliferação da variante delta do coronavírus ameaça a retomada da demanda global. Como consequência, o barril do petróleo tipo Brent – usado como referência pela Petrobras (PETR3; PETR4) cai 5,58% a US$ 69,48 e o barril do tipo WTI tem queda de 6,42% a US$ 67,20.

No dia 8 de julho o VIX já havia subido 13,5% diante das preocupações com a possibilidade da variante delta da Covid-19 desacelerar a tão esperada recuperação econômica pós-pandemia.

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