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Ibovespa tem maior queda em um mês e perde os 103 mil pontos com BCE e Bradesco

Mercado se decepcionou com as falas de Mario Draghi, que afirmou não haver consenso em fazer um estímulo monetário na Europa

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (25) pressionado pela decepção dos investidores com o discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que afirmou não haver consenso para um estímulo monetário via corte de juros ou quantitative easing (programa de compra de títulos públicos para injetar dinheiro na economia).

Também prejudicou a Bolsa os dados de encomendas de bens duráveis dos Estados Unidos, que reduziram a probabilidade do Federal Reserve optar por um corte de juros mais agressivo que 0,25 ponto percentual na próxima quarta-feira (31). 

Por aqui, os investidores não viram com bons olhos o resultado do segundo trimestre do Bradesco, de modo que os papéis do banco acabaram tendo a maior queda dentre as 66 ações que compõem o Ibovespa. O Itaú e Banco do Brasil acompanharam e caíram mais de 3%.

O principal índice da B3 caiu 1,41% a 102.654 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 17,43 bilhões. Foi a pior queda do benchmark desde 25 de junho, quando o Ibovespa recuou 1,93%.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,36% a R$ 3,7819 na compra e a R$ 3,7826 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro com vencimento em agosto tem ganhos de 0,49% a R$ 3,7925. Durante o pregão, o câmbio chegou a bater R$ 3,80 pela primeira vez desde a aprovação da reforma da Previdência. 

Segundo o analista da Eleven Financial Research, Carlos Daltozo, Draghi foi hoje mais brando no relaxamento monetário do que o mercado esperava, o que levou a um desmonte de posições no mundo todo.

Uma prova desse movimento é a desvalorização das moedas emergentes contra o dólar e o euro. 

Mais cedo, a decisão do BCE de manter os juros em 0%, somada ao comunicado dovish (mais aberto relaxamento monetário) colocaram os investidores com uma expectativa de redução das taxas. O texto do BCE falava em revisão das opções para uma flexibilização da política de juros. 

Além do BCE, o mercado global também foi impactado pelos dados mais positivos que o esperado de encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos. O indicador subiu 2%, contra 1% esperado pelos economistas.

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Com isso, diminuem as apostas de que o Federal Reserve vá cortar os juros na semana que vem em mais de 0,25 ponto percentual. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 avança quatro pontos-base a 5,46%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem alta de sete pontos-base a 6,35%. 

No Brasil, entre os indicadores, o destaque foi a divulgação dos dados de junho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que revelou a geração de 48.436 empregos em junho. 

Já o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes participaram da primeira reunião do conselho de administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus. Serão deliberados 88 projetos industriais, que somam US$ 626,917 milhões em investimentos em três anos.

Ainda no Brasil, foi oficializada ontem a liberação de saques do FGTS de R$ 500 por conta – medida que beneficiará 96 milhões de trabalhadores, segundo comunicado do Ministério da Economia.

A expectativa da pasta é de que a iniciativa possa trazer um impacto positivo de cerca de 0,35% sobre o Produto Interno Bruto (PIB).

Noticiário Corporativo

A Petrobras (PETR3; PETR4) informou que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) proferiu nova decisão desfavorável em processo administrativo fiscal que trata da cobrança de CIDE-Importação sobre as remessas ao exterior para pagamento de contratos de afretamento, no ano calendário de 2010, no valor aproximado de R$ 2,7 bilhões. A Petrobras aguarda a intimação da decisão e recorrerá à Câmara Superior do CARF.

A Petrobras confirmou ainda que assinou dois contratos para venda de ativos de exploração e produção, em águas rasas nas Bacias de Campos e Santos, no valor total de US$ 1,5 bilhão, equivalentes a cerca de R$ 5,7 bilhões.

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O Bradesco (BBDC3; BBDC4) publicou um lucro líquido de R$ 6,462 bilhões entre abril e junho, cifra 25,2% superior à registrada no mesmo intervalo de 2018 e 3,6% superior à informada no primeiro trimestre deste ano.

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A Ambev (ABEV3) registrou um lucro líquido de R$ 2,615 bilhões no segundo trimestre deste ano, representando uma alta de 8,5% sobre igual período do ano passado. A empresa informou ainda um lucro ajustado de R$ 2,712 bilhões, que resultou numa alta anual de 16,1%.

O GPA (PCAR4) registrou um lucro líquido dos acionistas controladores no segmento alimentar após o IFRS 16 de R$ 490 milhões no segundo trimestre deste ano, representando uma alta de 217,4% em relação ao desempenho do mesmo período do ano passado.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 BBDC4 BRADESCO PN36,70-5,83+14,851,99B
 BBDC3 BRADESCO ON33,31-4,91+19,02107,43M
 BBAS3 BRASIL ON50,12-4,22+10,47893,06M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN36,20-3,08+7,35792,36M
 USIM5 USIMINAS PNA8,70-3,01-4,04147,12M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 ABEV3 AMBEV S/A ON19,49+8,52+26,721,44B
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN92,71+5,35+15,58479,27M
 AZUL4 AZUL PN N250,89+2,91+41,3694,12M
 QUAL3 QUALICORP ON ED22,35+1,58+73,3936,83M
 HYPE3 HYPERA ON29,55+1,37-0,4043,24M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 BBDC4 BRADESCO PN36,70-5,831,99B501,69M83.686 
 ABEV3 AMBEV S/A ON19,49+8,521,44B313,42M74.543 
 BRDT3 PETROBRAS BRON26,35+0,111,26Bn/d86.525 
 BBAS3 BRASIL ON50,12-4,22893,06M559,20M35.481 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN36,20-3,08792,36M662,80M45.733 
 PETR4 PETROBRAS PN N226,89-1,68722,27M1,00B44.588 
 VALE3 VALE ON50,49-0,32619,56M895,85M31.986 
 CIEL3 CIELO ON7,51-1,44490,66M129,09M74.276 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN92,71+5,35479,27M166,43M25.340 
 IRBR3 IRBBRASIL REON95,500,00309,97M259,78M17.569 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

FGTS

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que o programa ‘Saque Certo’ é focado na população mais pobre do País, durante cerimônia no Palácio do Planalto, quando assinou a Medida Provisória que permite liberação de recursos do FGTS e do PIS/Pasep. A MP tem vigência imediata após a publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias após o recesso parlamentar.

A equipe econômica estima a liberação R$ 42 bilhões em 2019 e 2020. Dos R$ 30 bilhões deste ano, R$ 2 bilhões são provenientes do PIS/Pasep e R$ 28 bilhões das contas ativas e inativas do FGTS. Os saques imediatos de até R$ 500 das contas ativas e inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) terão início em setembro deste ano.

De acordo com o Ministério da Economia, o limite de R$ 500 valerá para cada conta do fundo. Ou seja, os trabalhadores que possuírem mais de uma conta poderão sacar valores maiores que R$ 500. Os trabalhadores que escolherem a migração para o “Saque Aniversário” das contas do FGTS a partir de 2020 terão que esperar pelo menos dois anos para voltar ao modelo atual, se desejarem desfazer a mudança.

Quem optar por sacar anualmente um porcentual do fundo no mês de aniversário não poderá mais retirar os recursos em caso de rescisão do contrato de trabalho. Os interessados em migrar para esta modalidade terão que comunicar a Caixa Econômica Federal, a partir de outubro de 2019. A migração para o novo modelo não é obrigatória e não haverá alteração relacionada à multa de 40% em caso de demissão sem justa causa para quem migrar.

Os limites terão um escalonamento semelhante ao que ocorre no cálculo do Imposto de Renda, com o acréscimo de parcelas sobre os saldos que excederem a faixa de valor anterior. Para saldos de até R$ 500, o saque será de até 50% do valor. Para os saldos entre R$ 500 e R$ 1.000, o saque será de 40% mais uma parcela fixa de R$ 50. Para os saldos entre R$ 1.000 e R$ 5.000, o saque será de 30% mais uma parcela fixa de R$ 150.

Para os saldos entre R$ 5.000 e R$ 10.000, o saque será de 20% mais uma parcela fixa de R$ 650. Para os saldos entre R$ 10.000 e R$ 15.000, o saque será de 15% mais uma parcela fixa de R$ 1.150. Para os saldos entre R$ 15.000 e R$ 20.000, o saque será de 10% mais uma parcela fixa de R$ 1.900. E para os saldos acima de R$ 20.000, o saque será de 5% mais uma parcela fixa de R$ 2.900.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, reforçou que a liberação do saque do FGTS não irá afetar os recursos do fundo destinados para financiamentos do setor de construção civil e de programas como o Minha Casa Minha Vida. Isso porque o dinheiro liberado para os saques tem origem na correção da má alocação dos recursos do fundo.

De acordo com ele, serão liberados R$ 21,2 bilhões para as pessoas que possuem até R$ 1 mil na conta do FGTS, R$ 10,6 bilhões para quem tem até R$ 5 mil, R$ 3,6 bilhões para as contas com até R$ 10 mil, R$ 4 bilhões para quem tem até R$ 50 mil, e R$ 500 milhões para quem tem mais de mais de R$ 50 mil na conta do fundo.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) espera um impacto de R$ 7,4 bilhões com a liberação dos recursos das contas do FGTS e do PIS/Pasep no segundo semestre deste ano, valor abaixo do observado com a liberação das contas inativa do FGTS, em 2017, da ordem de R$ 10,8 bilhões no varejo.

Segundo a CNC, em 2017 o valor total dos saques foi de R$ 44 bilhões e beneficiou 25,9 milhões de pessoas, e este ano a expectativa é de que somem R$ 30 bilhões, com saques de 96 milhões de pessoas e mais R$ 12 bilhões em 2020, também englobando 96 milhões de beneficiados.