Bolsa

Ibovespa sobe seguindo bolsas mundiais com espera por estímulos na China; dólar cai

Bolsa opera em alta depois de cair mais de 4% na semana passada em meio a um cenário político mais tenso; por aqui o governo pretende fazer uma base mínima

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SÃO PAULO – O Ibovespa sobe nesta segunda-feira (10) em meio a expectativas de estímulo na China depois de dados fracos. Das 10h10 (horário de Brasília) às 10h30, no entanto, o índice caiu 0,7%. O movimento coincide com a abertura das bolsas norte-americanas, que têm forte alta em meio a perspectivas de acordo na Grécia e à maior aquisição da história da Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett. A Berkhire comprou a Precision Castparts por US$ 32 bilhões. Ao mesmo tempo, o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, dizia que os EUA tiveram um sucesso substancial em reduzir o desemprego. 

Às 11h09 (horário de Brasília) o benchmark da Bolsa brasileira tem alta de 0,37% a 48.757 pontos. Já o dólar comercial opera em leve baixa de 0,40% a R$ 3,4941 na venda. Enquanto isso, o dólar futuro para setembro cai 0,44% a R$ 3,519. No mercado de juros futuros, os DIs recuam em correção após subirem forte com o cenário político mais tenso na semana passada. O DI para janeiro de 2017 cai 9 pontos-base a 14,25% ao passo que o DI para janeiro de 2021 caía 16 pontos-base a 13,71%. 

Nas notícias do cenário doméstico, o governo tenta uma base mínima de 200 deputados fiéis para frear o ímpeto de da tese de impeachment no Congresso segundo a coluna Painel da Folha de S. Paulo. Também este front, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria defendendo uma ampla reforma ministerial. 

Ainda tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 1,80% para uma de 1,97%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,32% este ano.

Destaques de ações
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,71, +0,94%; PETR4, R$ 9,76, +0,72%) sobem. No noticiário da estatal, destaque para a entrevista de Aldemir Bendine. De acordo com a Rico Corretora, a entrevista foi “pró-mercado”. Além disso, o preço do petróleo está em alta, com ganhos de 1,2%, a US$ 49,81, o que faz as ações subirem, também em um movimento de repique após a forte queda na sexta-feira.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 OIBR4 OI PN3,99+2,31
 BRML3 BR MALLS PAR ON11,44+2,23
 CCRO3 CCR SA ON13,90+1,83
 ECOR3 ECORODOVIAS ON6,47+1,73
 EMBR3 EMBRAER ON24,86+1,47

 

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no domingo, o presidente da Petrobras comentou sobre a política atual de preços da companhia para a gasolina e o diesel. Bendine foi categórico ao afirmar que essa política é da companhia e que não existe interferência do governo e afirmou que a empresa presta esclarecimento sobre os preços dos combustíveis apenas ao conselho de administração.

As ações da Vale (VALE3, R$ 18,70, +1,52%; VALE5, R$ 15,02, +0,74%) também sobem, assim como das siderúrgicas, seguindo o noticiário asiático. Os dados da China mostraram uma desaceleração mais profunda na demanda da maior potência industrial do mundo, o que aumenta a expectativa de mais uma rodada de estímulos do governo.

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Notícias de mais uma queda nas exportações chinesas, a maior em quatro meses, e de um forte recuo nos preços dos produtores mostram como a vacilante demanda industrial chinesa atingiu o comércio global e combaliu os ativos dos mercados emergentes.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 ESTC3ESTACIO PART ON12,29-4,13
 KROT3KROTON ON8,60-2,49
 ENBR3ENERGIAS BR ON12,45-2,20
 SUZB5SUZANO PAPEL PNA17,04-2,13
 GOLL4GOL PN N25,24-2,06


Entre as maiores quedas estavam as ações das companhias educacionais Estácio (ESTC3, R$ 12,29, -4,13%) e Kroton (KROT3, R$ 8,60, -2,49%). A Kroton volta ao menor patamar desde novembro 2013 e a Estácio opera na mínima de 2012. 

China frustra com dados fracos
Os índices asiáticos subiram, mas seguiram próximos da mínima em um ano e meio com dados da China mostrando uma desaceleração mais profunda na demanda da maior potência industrial do mundo. Os mercados acionários chineses contrariaram a maior cautela nos índices asiáticos com a maioria dos índices com alta de 2% a 4% com a expectativa dos investidores de ainda mais uma rodada de estímulos do governo.

Os preços ao produtor na China caíram para uma mínima em seis anos em julho, enquanto a inflação ao consumidor permaneceu subjugada, sinalizando que a economia ainda enfrenta pressão deflacionária e que Pequim tem espaço para revelar mais medidas de suporte à economia. O índice de produtos ao produtor caiu 5,4% em relação a um ano antes, disse o Escritório Nacional de Estatísticas neste domingo, resultado pior que as expectativas de um recuo de 5,0%.

Já o CPI avançou 1,6% em julho, na comparação com igual mês do ano passado, em linha com a previsão dos analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires. Em junho, o CPI havia subido 1,4%, portanto acelerou no mês mais recente, informou o Escritório Nacional de Estatísticas do país neste domingo.

Europa sobe com Grécia
A Grécia e seus credores internacionais buscavam dar os toques finais a um acordo de bilhões de euros nesta segunda-feira para evitar a falência e cumprir um importante pagamento da dívida ao Banco Central Europeu (BCE) em dias. Ministros gregos e representantes de instituições europeias e do Fundo Monetário Internacional (FMI) retomaram as negociações na manhã desta segunda-feira, após uma sessão que terminou na madrugada.

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Segundo relatório da equipe de análise da XP Investimentos, todas as partes estão sob pressão para assegurar um acordo antes da data limite, pois um calote complicaria severamente as chances de a Grécia não afundar, dado que levaria o BCE a retirar o extenso apoio que vem dando aos bancos gregos.