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Ibovespa reduz alta com queda da B3 e desaceleração de blue chips, mas exterior segue forte; dólar zera perdas

Bolsa começa a semana com ganhos diante da melhora significativa do noticiário econômico

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SÃO PAULO – O Ibovespa reduz alta nesta segunda-feira (24) com a queda das ações da B3 (que respondem por 5% da composição da carteira teórica do índice) e desaceleração das altas de outras blue chips.

Lá fora, as bolsas seguem em ganhos expressivos com a retração do coronavírus nos Estados Unidos. Desde o pico de 64 mil novos casos em 26 de julho, a universidade de Johns Hopkins não registrou mais de 49 mil novas infecções nenhuma vez e, no domingo, o país teve menos de 37 mil casos.

Nesse fim de semana, o governo dos EUA autorizou o uso de plasma no tratamento de pacientes com Covid-19 no país. Além disso, a gestão de Donald Trump está considerando acelerar os testes de uma vacina experimental desenvolvida no Reino Unido para ser usada antes das eleições presidenciais, segundo o Financial Times.

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Também traz otimismo hoje as menores tensões entre EUA e China. Segundo a imprensa, a equipe do presidente Donald Trump tem assegurado às empresas locais de que elas ainda podem fazer negócios com o aplicativo de mensagens WeChat na China.

Já no Brasil, todas as atenções estarão voltadas para o anúncio de um megapacote de medidas sociais e econômicas, que deve ser feito amanhã pelo governo federal. O evento está sendo chamado pelo governo de “Big Bang Day”, e tem como objetivo recuperar a economia e abrir caminho para as eleições de 2022.

São esperadas medidas para geração de empregos, novos marcos legais, obras públicas, atração de investimentos privados, privatizações e ações para corte de gastos.

Às 12h36 (horário de Brasília) o Ibovespa tinha alta de 0,45%, aos 101.979 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera praticamente estável, com leve variação negativa de 0,04% a R$ 5,6036 na compra e a R$ 5,6044 na venda. O dólar futuro para setembro tinha queda de 0,55%, a R$ 5,597.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 opera com queda de dois pontos-base a 2,76%, o DI para janeiro de 2023 recua cinco pontos, a 3,90%, o DI para janeiro de 2025 tem variação negativa de quatro pontos-base a 5,72% e o DI para janeiro de 2027 desvaloriza seis pontos-base a 6,73%.

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Entre os indicadores, os economistas do mercado financeiro preveem uma queda menor do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 esta semana, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. A mediana das projeções foi de -5,52% na semana passada para -5,46% agora. Para 2021, foi mantida a previsão de crescimento de 3,50%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a expectativa para 2020 foi elevada de 1,67% para 1,71%. Já para 2021, a projeção continuou em avanço de 3,00%.

Para o dólar, os economistas esperam que o câmbio termine o ano de 2020 em R$ 5,20 e o ano de 2021 em R$ 5,00.

Sobre a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, as projeções para 2020 mantiveram-se em 2,00% ao ano e as expectativas para 2021 subiram de 2,75% para 3,00% ao ano.

De olho no Big Bang

A semana começa com o mercado de olho no megapacote de medidas sociais e econômicas que deve ser lançado amanhã pelo governo federal. O evento de terça-feira está sendo chamado de “Big Bang Day” pelo governo.

Em um só dia, serão lançados o programa chamado Renda Brasil, medidas para geração de empregos, novos marcos legais, obras públicas, atração de investimentos privados, privatizações e ações para corte de gastos.

De acordo com O Estado de S.Paulo, o Pró-Brasil foi amplamente reformulado, e deve focar em marcos regulatórios que já estão no Congresso – gás natural, lei da falência e navegação na costa brasileira – para ampliar a participação da iniciativa privada e liberar R$ 4 bilhões do Orçamento neste ano para obras.

Para assegurar a manutenção do teto de gastos, o pacote vai propor uma série de medidas que podem abrir espaço entre R$ 20 bilhões e R$ 70 bilhões. Será enviada uma lista de programas considerados ineficientes que poderão ser cortados e sugestões para que os congressistas retirem “carimbos” do Orçamento e removam a necessidade atual de conceder reajustes automaticamente.

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O Renda Brasil, que substituirá o Bolsa Família, vai aumentar o número de beneficiários de 14 milhões para mais de 20 milhões, além de elevar o montante pago aos beneficiários. Para o governo conseguir pagar a conta, devem ser extintos outros programas, como o Abono Salarial, o Salário-Família e o Seguro Defeso, de acordo com o jornal O Globo.

Outros destaques esperados são a desoneração da folha de pagamentos, avanços em privatizações e a reformulação do Minha Casa, Minha Vida, chamado de Casa Verde Amarela. Concessões e obras públicas também devem fazer parte do pacote. A redução do IPI sobre eletrodomésticos e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (para R$ 3 mil) também são esperadas.

A equipe econômica também quer lançar um novo imposto, mas este pode não ser incluído no pacote devido a resistências na área política do governo. Este imposto seria nos moldes da antiga CPMF.

Reforma tributária

A estratégia do governo é buscar um acordo para votação da reforma tributária até outubro, buscando uma fusão integral dos tributos de consumo. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o secretário da Receita Federal, José Tostes, disse que uma fusão de todos os impostos – PIS/Cofins (governo federal), ICMS (Estados) e ISS (municípios) – é a melhor solução.

O secretário propõe que a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo previsto na proposta do governo que reúne o PIS e Cofins, entre em vigor antes para a implantação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) amplo. Segundo ele, as etapas da reforma deverão ser decididas nas próximas semanas.

No front político, declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro foram destaque no domingo e repercutem nesta manhã. Após ser questionado sobre depósitos feitos pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente ameaçou de agressão um jornalista do jornal O Globo.

A pergunta feita pelo jornalista (“Presidente @jairbolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?”) passou a ser compartilhada por jornalistas, artistas, políticos e outros usuários do Twitter.

Radar corporativo

Na esfera corporativa, o mercado aguarda os resultados do segundo trimestre da Ser Educacional e da Lojas Marisa. Além disso, será definido nesta segunda-feira o preço por ação da Rumo, que prepara uma oferta primária de ações.

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Também são esperados para esta semana novos lances na disputa pela Linx, enquanto o conselho de administração da Tecnisa deve avaliar a possível combinação entre Gafisa e Tecnisa. No último dia 19, a Tecnisa informou ter recebido, de forma inesperada, uma proposta do Bergamo Fundo para combinação de negócios com a Gafisa (GFSA3).

Ainda no radar corporativo, a Petrobras assinou a venda de 8 campos na Bahia por US$ 94,2 milhões, divulgou teaser para venda de ativos no Espírito Santo, enquanto a Azul teve o rating rebaixado pela agência de classificação de risco Fitch de B- para CCC.

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