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Ibovespa sobe 1,6% e zera perdas do mês com sinalização de Maia; DIs desabam

Mercado teve um dia de muito otimismo por conta da proximidade de uma aprovação da reforma da Previdência

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em forte alta nesta terça-feira (28) e zerou as perdas de maio, após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sinalizar que a reforma da Previdência será aprovada ainda no primeiro semestre. Maia disse após reunião dos líderes dos Três Poderes, que pedirá para que o relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), apresente o texto da proposta até o dia 15 de junho.

O principal índice da B3 subiu 1,61% a 96.392 pontos, com um forte volume financeiro de R$ 24,439 bilhões. A alta de hoje foi bem mais expressiva, portanto, que a de ontem, de 1,3%, que teve um volume reduzido de apenas R$ 8 bilhões por conta do feriado que fechou as bolsas dos Estados Unidos e do Reino Unido, deixando o investidor estrangeiro – que movimenta 50% do dinheiro do mercado por aqui – de fora. 

Enquanto isso, o dólar comercial teve queda de 0,27% a R$ 4,0234 na compra e a R$ 4,0242 na venda. O dólar futuro vencimento em junho registra perdas de 0,47% a R$ 4,0265.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 caía 15 pontos-base a 6,60%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 desabava 20 pontos-base a 7,82%. 

O desempenho dos DIs é reflexo das falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que o atual patamar do dólar não pressiona a inflação dada a situação da atividade econômica. 

Pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro recebeu Maia e os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), José Dias Toffoli, e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). 

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que os presidentes do Executivo, Legislativo e Judiciário assinarão um pacto com metas e intenções em resposta às manifestações de apoio a Bolsonaro no domingo (26). Um dos pontos acordados, de acordo com o ministro, é o comprometimento com a aprovação da reforma da Previdência. 

Na Câmara, a Comissão Especial da reforma da Previdência realizará nesta semana suas últimas audiências públicas para debater a matéria, antes de o relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), apresentar o seu parecer. 

Segundo o Valor Econômico, 220 parlamentares estão inclinados à aprovação da reforma da Previdência. Isso equivale a 71% dos 308 votos necessários. Desse grupo, 103 deputados são francamente favoráveis e outros 117 manifestam apoio parcial, segundo dados da consultoria Atlas Político.

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Investidores e economistas agora estimam que a reforma – cuja aprovação é amplamente esperada para o terceiro trimestre do ano — levará a uma economia de cerca de R$ 680 bilhões em 10 anos, segundo mediana de pesquisa feita pela Bloomberg com 47 instituições financeiras. A pesquisa anterior, feita em abril, mostrava uma expectativa de economia de R$ 630 bilhões. A expectativa atual significa 57% da proposta original enviada pelo governo.

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No Senado, existe expectativa de que pelo menos seja iniciada hoje a votação da Medida Provisória 870, que reduziu de 29 para 22 o número dos ministérios. A grande incerteza, nesse caso, é com relação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que na Câmara foi tirado da alçada do Ministério da Justiça de Sérgio Moro. 

O PSL diz que tem 30 dos 41 votos necessários para manter o Coaf na Justiça, mas se fizer essa alteração no texto, a MP volta para a Câmara e corre o risco de caducar, uma vez que sua validade expira no dia 3 de junho. No entanto, segundo a coluna do jornalista Gerson Camarotti, Bolsonaro entregou carta a Alcolumbre pedindo para que a MP seja votada sem alterações, da maneira como saiu da Câmara. 

Lá fora, as bolsas dos EUA sobem, mas os ganhos são reduzidos em meio às tensões comerciais entre o país e a China. Na véspera, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os EUA não estavam preparados para fazer o acordo com os chineses, embora seja provável que isso ocorra no futuro. Trump destacou ainda que as tarifas sobre produtos importados da maior economia da Ásia podem aumentar “substancialmente”. 

Noticiário corporativo

A Polícia Federal deflagrou nesta terça uma nova fase da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que levou à prisão de funcionários do Bradesco (BBDC3; BBDC4), de acordo com informações do G1. Três mandados de prisão são cumpridos por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, um contra um operador e dois contra funcionários do banco. Agentes também realizam buscas em endereços ligados aos investigados.

As ações são um desdobramento da Operação Câmbio, Desligo, que apura operações milionárias de lavagem de dinheiro que teriam movimentado US$ 1,6 bilhão em 52 países, registradas em mais de 3 mil offshores.

O ministro do STF Edson Fachin suspendeu ontem a venda de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) pela Petrobras (PETR3; PETR4). Fachin acolheu os argumentos de sindicatos de que a venda dos ativos precisa passar por licitação. Ele restabeleceu a decisão do Tribunal Federal da 5ª Região, que havia suspendido a venda em 05 de junho de 2018. O plenário do STF deverá julgar na quinta-feira (30) se mantém ou derruba a decisão de Fachin.

Em nota, a Petrobras afirmou que ainda não foi intimada da decisão. “A Petrobras avaliará a decisão e irá tomar as medidas cabíveis em prol dos seus interesses e de seus investidores”, afirmou a empresa, reforçando que a importância dos desinvestimentos para a redução do seu nível de endividamento e geração de valor, em linha com seu Plano de Negócios e Gestão 2019-2023 e Plano de Resiliência.

As redes varejistas Magazine Luiza (MGLU3) e Carrefour anunciaram ontem à noite uma parceria com duração de seis meses para que a varejista opere a área de eletrodomésticos, produtos eletrônicos e similares dentro de duas lojas da rede de supermercados.

O projeto piloto começa na segunda quinzena de junho nos hipermercados do Carrefour do bairro do Limão e do Shopping Anália Franco, ambas as lojas na cidade de São Paulo. No Carrefour Limão, a loja terá a bandeira Magazine Luiza e no hipermercado Anália Franco a bandeira será Carrefour.

“A intenção é melhorar a experiência de compras do consumidor”, afirma Stéphane Engelhard, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Carrefour Brasil. Na França, Polônia e na China, o Carrefour já tem parcerias semelhantes com varejistas locais que são especialistas em eletroeletrônicos no modelo loja dentro da loja, “store in store“.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON32,38+6,34-22,94132,43M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON188,53+5,92+4,70281,42M
 AZUL4 AZUL PN N237,95+4,12+5,42153,24M
 LREN3 LOJAS RENNERON43,09+3,63+12,69160,95M
 GOLL4 GOL PN N226,42+3,61+5,26144,84M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 CSNA3 SID NACIONALON17,50-3,85+107,70297,44M
 BRFS3 BRF SA ON30,30-3,81+38,17249,22M
 CIEL3 CIELO ON7,09-2,21-17,90101,06M
 MRFG3 MARFRIG ON6,97-1,55+27,6629,72M
 ESTC3 ESTACIO PARTON28,99-1,23+24,9298,74M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 VALE3 VALE ON50,16-0,061,31B944,82M44.604 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N226,55+1,18885,74M1,15B37.920 
 BBDC4 BRADESCO PN35,44+1,99681,06M503,08M39.489 
 BBAS3 BRASIL ON EJ51,20+1,21624,72M519,91M42.032 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN33,88+2,20561,59M580,46M38.100 
 B3SA3 B3 ON35,70+2,85310,80M261,45M26.455 
 CSNA3 SID NACIONALON17,50-3,85297,44M188,48M31.148 
 ABEV3 AMBEV S/A ON17,23+0,06296,57M399,71M32.989 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON188,53+5,92281,42M209,81M6.964 
 SUZB3 SUZANO S.A. ON34,70+0,84253,03Mn/d26.638 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

Noticiário Político

O Estadão pontua que integrantes do Congresso e do Judiciário avaliam com desconfiança o que o chamam de “movimentos erráticos” de Bolsonaro. Entretanto, muitos veem a necessidade de alinhavar um acordo de cavalheiros para evitar que as crises política e econômica se aprofundem. Para o Painel da Folha, as manifestações pró-governo despertaram nas siglas de centro e centro-direita a certeza de que o presidente age para desmontar o bloco conhecido como Centrão.

Atacado nas mobilizações, Maia foi aconselhado por aliados a dar uma resposta contundente às ofensivas contra o Congresso e o Centrão. Segundo o Valor Econômico, o presidente da Câmara ligou ontem para o ministro Lorenzoni para avisar que não trabalhará para conquistar votos para a MP de combate a fraudes a benefícios previdenciários e que a aprovação dependerá do próprio governo.

O Valor destaca ainda que na Câmara já haveriam 220 parlamentares inclinados à aprovação da reforma da Previdência. Isso equivale a 71% dos 308 votos necessários. Desse grupo, 103 deputados são francamente favoráveis e outros 117 manifestam apoio parcial, segundo dados da consultoria Atlas Político.

O autor do atentado contra o então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, autor confesso, foi considerado pelo juiz da 3ª Vara Federal de Juiz de Fora, Bruno Saviano, como inimputável, ou seja, incapaz, por doença ou desenvolvimento mental incompleto, de entender a ilicitude de um ato. Dessa forma, ficará isento de pena em caso de cometimento de crime, diz o Estadão.

A Comissão Especial da reforma da Previdência realizará nesta semana as últimas audiências públicas para debater a matéria, antes de o relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), apresentar o seu parecer. Dentre os convidados estão secretários do ministério da Economia e especialistas tanto da área acadêmica quanto de organizações relacionadas ao tema.

Hoje, o colegiado debaterá a aposentadoria para mulheres a partir das 14h30. Foram convidadas a professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro Denise Lobato Gentil, a pesquisadora no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Joana Mostafá, a presidente da Superintendência de Seguros Privados, Solange Paiva Vieira, e a professora na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie Zélia Luiza Pierdoná.