Resumo do mercado

Ibovespa cai e dólar avança com cautela pré-Fomc e investidores atentos ao coronavírus

Resultados repercutem no Brasil e no exterior, antes da divulgação da decisão de juros pelo Federal Reserve, às 16h

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(Shutterstock)
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SÃO PAULO -Após chegar a subir 0,59%, retomando os 117 mil pontos ao repercutir positivamente a temporada de balanços no exterior, o Ibovespa passou a registrar um movimento maior de cautela na sessão desta quarta-feira (29). Os investidores esperam pela decisão de política monetária nos Estados Unidos, com a divulgação às 16h do resultado da reunião dos dirigentes do Federal Reserve.

Na safra positiva de balanços em Wall Street, o destaque ficou para a Apple; já no Brasil, a unit do Santander Brasil, que chegou a subir 3% após o resultado, virou para leve queda. A subsidiária brasileira do banco espanhol lucrou R$ 14,18 bilhões em 2019.

Além da cautela com o Fomc, a tensão com o coronavírus segue no radar. Com isso, às 12h34, o Ibovespa registrava perdas de 0,44%, a 115.962 pontos. Já o dólar, que chegou na casa dos R$ 4,18, registra ganhos de 0,27%, a R$ 4,2052 na compra e R$ 4,2059 na venda. O contrato futuro de dólar com vencimento em fevereiro, por sua vez, avança 0,29%, a R$ 4,208.

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No exterior, as bolsas globais e commodities buscam sustentar viés positivo manter a reação de ontem, quando dados econômicos robustos nos EUA ajudaram a desviar parcialmente a tensão com relação ao coronavírus, mas diminuem os ganhos com a cautela sobre o coronavírus também em destaque. Vale destacar ainda que a  American Airlines cancelou alguns voos para China, citando declínio em demanda, o que ajudou a derrubar o ânimo dos mercados.

O governo chinês informou que o número de pessoas infectadas ultrapassou seis mil, das quais 132 morreram. A Bolsa de Hong Kong, que reabriu hoje, caiu menos que o temido diante das ameaças pesadas do vírus, após o BC chinês ontem prometer prover liquidez. Contudo, ainda assim, o Hang Seng teve forte baixa de 2,82%.

No Brasil, o Ministério da Saúde informou no fim da tarde de ontem  que o Brasil tem três casos suspeitos de coronavírus. Além de uma estudante de 22 anos, que está internada em Belo Horizonte, mais duas pessoas têm suspeitas de portar o vírus. Uma delas está em Porto Alegre (RS) e outra em Curitiba (PR).

Enquanto isso, nesta sessão, os números da economia americana não agradaram: as vendas residenciais em curso nos EUA registraram o maior declínio desde 2010.

Os investidores acompanham com atenção o fim do encontro do Federal Open Market Committee (Fomc), que deve manter os juros entre na banda de 1,50% a 1,75%; presidente do Fed, Jerome Powell, fala em coletiva de imprensa às 16h15. A dúvida é se Powell mencionará incerteza com o vírus, que já afeta atividades de empresas como Toyota e Starbucks no mercado chinês.

Já os juros futuros têm uma sessão de leve queda: os vencimentos em janeiro de 2021 têm leve queda de 1 ponto-base, a 4,325% na abertura, enquanto o de vencimento em janeiro de 2023 fica estável a 5,47%.

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Os investidores também repercutem as falas de Gustavo Montezano, presidente do BNDES, que explicou durante a manhã a polêmica auditoria de R$ 48 milhões para abrir a “caixa-preta” do banco em operações com o grupo J&F, sem encontrar nenhuma irregularidade. Montezano, disse que “não há nada mais esclarecer” em relação às operações passadas da instituição de fomento. Segundo ele, as investigações internas do banco não encontraram nenhuma irregularidade nas operações com o grupo J&F ou em quaisquer outras operações. “Não houve nada de ilegal”, apontou.

Agenda econômica e reformas

Já  na agenda econômica, o Banco Central divulgou o movimento de crédito em dezembro e em 2019. A taxa média de juros cobrada no cheque especial caiu em dezembro, depois de ter registrado alta em novembro, de acordo com o Banco Central. A taxa passou de 306,6% ao ano para 302,5%.

O governo federal também apresentou o resultado primário de dezembro e de 2019. As contas do governo apresentaram um déficit primário de R$ 95,065 bilhões em 2019. Foi o sexto ano seguido em que as contas ficaram no vermelho. Segundo a série histórica do Tesouro Nacional, esse também foi o menor rombo fiscal desde 2014, ou seja, em cinco anos. Em 2018, o déficit somou R$ 120 bilhões. Em dezembro, o déficit foi de R$ 14,6 bilhões, ante estimativa (segundo consenso Bloomberg) de resultado negativo de R$ 1,6 bilhão.

Na política, o relator da reforma tributária na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), defendeu nesta terça-feira (28) um esforço conjunto de deputados e senadores para que a proposta seja votada em texto único até junho na Câmara e no Senado. O governador de São Paulo, João Doria, disse ontem em evento no Credit Suisse estar confiante de que reforma tributária do governo federal será aprovada e que será seguida pela reforma administrativa.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)