Resumo do mercado

Ibovespa futuro sobe 1% com aceno para a reforma da Previdência, cessão onerosa e exterior positivo

Os índices futuros nos Estados Unidos apontam para nova abertura em alta diante de uma enxurrada de resultados trimestrais positivos

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SÃO PAULO – Após a disparada de 3,7% do Ibovespa na véspera com os investidores otimistas com o aceno do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) à aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano, a animação continua.

O vento das bolsas internacionais é favorável e o mercado ainda acompanha o desenrolar do requerimento de urgência para o projeto de lei da cessão onerosa, dados de emprego dos EUA e mais resultados trimestrais.

Às 9h11 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro avançava 1,06%, a 88.510 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em novembro tinha alta de 0,03%, cotado a R$ 3,967.

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O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

As bolsas asiáticas encerraram em forte alta em meio ao otimismo dos investidores após as autoridades terem prometido nesta semana apoio para os mercados e a despeito da desaceleração de dados relacionados ao crescimento da economia chinesa, em um movimento de recuperação parcial das perdas ao longo do mês. 

Na Europa, as bolsas operam em forte alta ainda repercutindo o otimismo em Wall Street no pregão anterior e balanços corporativos positivos. Os índices futuros nos Estados Unidos apontam para nova abertura em alta diante de uma enxurrada de resultados trimestrais positivos.

Os preços do petróleo operam em alta pela primeira vez em três dias, mas a tensão comercial entre China e Estados Unidos seguem pesando nas perspectivas de aumento da demanda pela commodity. 

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Papo com Gestor

O programa Papo com Gestor desta semana traz uma entrevista com Pedro Jobim, economista-chefe da Legacy Capital. O profissional é declaradamente pró-Bolsonaro e contará o que ele espera para o Brasil com o novo governo eleito. O programa será transmitido às 11h (de Brasília) na página do InfoMoney no Facebook e no IMTV.

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Agenda econômica e de balanços

No mercado doméstico, o destaque fica para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que deve manter a taxa Selic inalterada em 6,50% pela quinta vez consecutiva, conforme indicam as expectativas do mercado. A decisão será conhecida às 18h (de Brasília).

No exterior, os Estados Unidos divulga, às 9h15, os dados de emprego privado na pesquisa ADP de outubro. A estimativa mediana da Bloomberg é de criação de 187 mil vagas ante 230 mil no mês anterior. O dado deve ser acompanhado com atenção pelo mercado já que antecede o relatório “payroll”, mais completo sobre emprego nos EUA, na sexta-feira (2).

Além dos indicadores, atenção especial para a temporada de resultados corporativos. O destaque fica com B2W, Hering, Engie, IRB, Lojas Americanas e Banco Inter após o fechamento do mercado.

Para conferir a agenda completa de indicadores e resultados, clique aqui.

Noticiário político 

Depois do aceno de Jair Bolsonaro (PSL) de que buscaria a aprovação da reforma da Previdência neste ano, um de seus principais aliados no Congresso, o deputado federal Major Olímpio (PSL-SP) disse que não vê condições de o projeto ser aprovado da forma como se encontra na Câmara até o fim do ano. Eleito senador da República, Major Olímpio afirmou que o assunto ainda não foi discutido entre ele, Bolsonaro e a equipe econômica.

A frente contrária à aprovação tem mais um nome de peso entre os aliados de Bolsonaro. Seu ministro da Casa Civil, o deputado federal reeleito Onyx Lorenzoni (DEM-RS) classificou a reforma do governo Temer de “medíocre e pouco inteligente”. Em discurso no plenário da Câmara em junho de 2017, Lorenzoni afirma que “sempre será contrário” à proposta do atual governo e sugere que o sucessor – no discurso ele já apostava que seria Bolsonaro – implemente a chamada “Previdência fásica”. 

Outra movimentação do governo Bolsonaro que não é consenso é a fusão dos ministérios da Agricultura e Meio Ambiente. Para alguns, essa união vai trazer para a agricultura problemas específicos da área ambiental que não devem ser tratados no setor agrícola. Pautas ambientais de vários setores industriais, como os da química e mineração, vão se somar às próprias da agricultura. Para outros, já que Bolsonaro quer reduzir o número de ministérios, essa fusão de Agricultura e Meio Ambiente pode ser um caminho, apurou a Folha.

No caso da incorporação do Ministério da Indústria (Mdic) ao da Fazenda, Paulo Guedes, que deverá ficar à frente do “superministério” disse que ela será usada para desmontar o sistema de lobby e protecionismo que atrapalha o desenvolvimento da indústria nacional. “Vamos salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros”, afirmou o economista, após reunião da cúpula do futuro governo Bolsonaro, no Rio.

Entre as estratégias para alavancar investimentos em infraestrutura, Bolsonaro estuda com medidas como privatização gradual das Companhias Docas, troca do critério de menor tarifa de pedágio por maior valor de outorga nos leilões de rodovias federais, novas ferrovias pelo regime de autorização, universalização dos serviços de banda larga em um prazo de quatro anos e isenção de impostos para a compra de debêntures de infraestrutura também por pessoas jurídicas.

O presidente eleito pretende elevar os investimentos em infraestrutura para R$ 180 bilhões em 2019 e chegar à marca de R$ 250 bilhões em 2022, quando termina o mandato presidencial, conforme informações do jornal Valor Econômico. 

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), disse que vai colocar em votação o requerimento de urgência para o projeto de lei da cessão onerosa. O requerimento é de autoria do líder do governo na Casa, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que já obteve o número de assinaturas necessárias para colocar o pedido em votação. “Eu me comprometi a colocar o requerimento em votação. Se o requerimento for aprovado, vou colocar a matéria em pauta para votação de hoje para amanhã”, disse Eunício.

Noticiário corporativo

O economista Roberto Castello Branco, ex-diretor de relações com o mercado da Vale, é o mais cotado para assumir a presidência da Petrobras no governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), segundo a Folha de S. Paulo. Ele é o preferido de Paulo Guedes, já indicado por Bolsonaro como o futuro “superministro” da Fazenda, já que a pasta vai passar e englobar também Planejamento, Indústria e Comércio Exterior.

Segundo apurou a reportagem, o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, também quer influenciar na escolha. Mourão prefere que a estatal seja entregue a um nome da área militar porque considera a Petrobras estratégica.

Além disso, segundo a Reuters, a Petrobras poderá obter mais US$ 20 bilhões até o próximo ano caso sejam realizadas as vendas de todos os projetos já anunciados para desinvestimentos.

Dentre os acordos que podem ser concluídos neste ano está a venda da refinaria Pasadena, no Texas, para a Chevron, embora o negócio não deva recuperar o enorme investimento feito pela empresa no ativo. Além disso, a venda de gasodutos no Nordeste também seria importante para atingir o montante projetado para ser realizado até 2019.

A Cielo divulgou lucro líquido de R$ 812,8 milhões no período – queda de significativos 20,4% com relação ao mesmo período de 2017. Em linha com a expectativa do mercado, a receita líquida operacional chegou a R$ 2,96 bilhões – analistas consultados pela Bloomberg estimavam R$ 2,97 bilhões. A variação foi de apenas 1,1% com relação ao terceiro trimestre de 2017.

O governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ao Valor que deve manter a Sabesp sob comando do Estado, mas ampliar, no limite máximo, sua capitalização internacional. Os recursos obtidos serão destinados à ampliação dos programas de saneamento e também para coleta e processamento de lixo. Doria já decidiu trocar a presidente da empresa

O Santander Brasil obteve lucro líquido gerencial de R$ 3,108 bilhões no terceiro trimestre deste ano, o que representa alta de 20,2% em relação ao período de julho a setembro do ano passado. O lucro societário cresceu 69,3%, para R$ 3,039 bilhões.

A rede de farmácias RD (ex-Raia-Drogasil) apresentou um lucro líquido de R$ 128,8 milhões no terceiro trimestre deste ano, resultado 5,6% inferior ao apresentado no mesmo período do ano anterior, mas 3,5% acima da estimativa do mercado. No período, a companhia registrou uma desaceleração do crescimento de vendas nas mesmas lojas e aumento de despesas.

A Eletropaulo registrou um lucro líquido de R$ 2,791 milhões no terceiro trimestre deste ano, uma queda de 95,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado reflete, entre outros motivos, o resultado financeiro negativo em R$ 217,4 milhões.