Pré-mercado

Ibovespa futuro cai mais de 1% com juros nos EUA e restrições na China; dólar avança além dos R$ 5

Inflação nos Estados Unidos e política de Covid zero na China continuam a pressionar os ativos de risco em todo o mundo

Por  Vitor Azevedo

O Ibovespa futuro opera com queda expressiva no início do pregão desta segunda-feira (13). O contrato com vencimento para junho, às 9h30 (horário de Brasília), recuava 1,70%, aos 103.710 pontos, acompanhando a performance dos principais índices americanos. No mercado de câmbio, o dólar comercial subia 1,01%, a R$ 5,038 na compra e R$ 5,039 na venda, após chegar a superar os R$ 5,06 na sessão.

Nos Estados Unidos, no pré-mercado, os futuros do Dow Jones, do S&P 500 e da Nasdaq recuam, respectivamente, 1,70%, 2,13% e 2,71%. Investidores continuam a se posicionar com cautela, aguardando a decisão do Federal Reserve sobre a taxa de juros no país, marcada para a próxima quarta-feira.

Na última semana, foi divulgado que a inflação dos EUA avançou 1% em maio, acima do consenso, o que vem dando impulso às taxas de juros do país – após o título do tesouro americano com vencimento em dois anos chegar a suas maiores taxas desde 2008 na última sexta, nesta segunda o título com vencimento em dez anos é negociado a 3,28%, patamar não visto desde 2011.

” A inflação ao consumidor nos EUA  de maio elevou a tensão para níveis máximos, com os receios de que o pico da inflação ainda não foi atingido e que o Fed está atrás da curva”, comentam os analistas da XP Investimentos, em seu morning call.

Na Europa, a tendência é a mesma – os principais índices caem, acompanhando o temor de que a instituição monetária americana irá acelerar seu processo de alta de juros. O DAX, da Alemanha, cai 2,03%. O CAC 40, da França, recua 2,08%. O STOXX 600, de todo o continente, tem baixa de 2,03%.

O mercado europeu espera ainda, nesta segunda, o pronunciamento do Luis De Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu, após o posicionamento da instituição ter sido considerado mais contracionista na última semana.

No Reino Unido, além da pressão da alta de juros, investidores repercutem também uma bateria de resultados. O Produto Interno Bruto (PIB) britânico frustrou as expectativas de alta de 0,1% e encolheu 0,3% em abril, na base mensal. O FTSE, principal índice da bolsa de Londres, cai 1,39%.

“O PIB britânico está agora apenas 0,9% acima do nível pré-pandemia. Os dados são os mais recentes a mostrar os efeitos de um aumento acentuado nas contas reguladas de energia doméstica, que reduziu imediatamente o valor que os consumidores tinham disponível para gastar em outros bens e serviços”, explica a XP Investimentos, contextualizando como a alta do petróleo e do gás natural, por conta da guerra da Ucrânia, vem impactando a economia da região.

Na Ásia, a mesma tendência. O Nikkei, do Japão, fechou em queda de 3,01% e o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 3,52%. Na China continental, o índice Shanghai recuou 0,89% e o HSI, de Hong Kong, caiu 3,39%.

As preocupações em torno da situação do Covid na China também pesam sobre o sentimento dos investidores nesta segunda-feira (13). A cidade de Pequim suspendeu eventos esportivos presenciais, atrasou o retorno às escolas e reforçou outros controles, poucos dias depois de afrouxá-los.

O minério de ferro fechou em queda de 1,85% no porto de Dalian, a US$ 134,11. O barril de petróleo Brent cai 1,26%, a US$ 120,46.

Além do Federal Reserve, o Banco Central brasileiro, também na próxima quarta, divulga o que fará com a Selic, taxa básica de juros do país.

Algumas casas acreditam que será a última vez que o BC elevará juros – um cenário que ganhou força depois que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de maior desacelerou em maio. Mas se uma parte dos analistas acredita que a inflação chegou ao pico, outros acham que os preços vão continuar altos e avaliam que há espaço para novos ajustes na Selic.

Análise técnica por Pamela Semezatto, analista de investimentos e especialista em day trader da Clear Corretora

Ibovespa

“Segue com força vendedora e com uma barra muito expressiva no gráfico semanal. Seria interessante um repique desse movimento e ainda espero por teste nos fundos anteriores de 103 mil e 100 mil pontos. Se romper esses pontos de suporte, podemos considerar um pivot de baixa acionado no gráfico semanal.”

Dólar

“Barra com bom deslocamento na compra em região de suporte no gráfico semanal, indica por enquanto lateralização entre: R$ 4,700 e R$ 5,300. Possível fundo duplo formado e a reversão será confirmada caso rompa a resistencia de R$ 5,300.”

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