Bolsa

Ibovespa Futuro cai com investidores monitorando o mau-humor no exterior; dólar sobe e juros caem após Copom

Pré-market mostra perdas depois da forte alta que marcou o pregão da véspera

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em queda nesta quinta-feira (6) pressionado pelo exterior depois da alta de 1,57% registrada pelo índice à vista na véspera. Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez o esperado e cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual para 2,00% ao ano.

No geral, a interpretação foi de que o espaço para um novo afrouxamento parece estar bem pequeno, o que foi destacado até mesmo pelo próprio Copom em seu comunicado. Contudo, o comitê ainda deixou uma nova porta aberta e sinalizou que a taxa pode se manter a níveis bastante baixos por mais tempo – ao contrário do que vem precificando a curva de juros para a partir da virada do ano.

Entre os indicadores, a taxa de desemprego no país subiu para 13,3% no trimestre encerrado em junho em meio à pandemia do novo coronavírus. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Também no radar, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a redução dos impostos sobre a linha branca (geladeiras, fogões) pode ser uma das alternativas para o estímulo à economia.

Às 09h14 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para agosto cai 0,74% a 102.185 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial sobe 1,15% a R$ 5,3535 na compra e a R$ 5,3542 na venda. Já o dólar futuro para setembro tem alta de 1,08% a R$ 5,356.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 tem baixa de 12 pontos-base a 2,65%, o DI para janeiro de 2023 tem desvalorização de sete pontos-base a 3,73% e o DI para janeiro de 2025 sobe quatro pontos-base a 5,39%.

A aversão ao risco é o sentimento dos negócios hoje na Europa, com a expectativa de uma recuperação mais lenta da economia. As taxas de juros na Inglaterra foram mantidas em 0,1% ao ano e também não houve alteração no programa de recompra de títulos, que é de 745 bilhões de libras (equivalente a US$ 981 bilhões).

A autoridade monetária britânica disse ainda que a economia do Reino Unido não deve voltar ao patamar pré-pandemia até o final de 2021 – anteriormente, acreditava que isso fosse acontecer no segundo semestre do ano que vem.

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Nos Estados Unidos, a preocupação é para um acordo entre republicanos e democratas em relação ao novo pacote de estímulo à economia americana. A tensão entre China e Estados Unidos e os dados do mercado de trabalho americano são outras fontes de atenção.

Copom

Para Roberto Secemski, economista do Barclays, o BC deixou uma porta aberta para eventual redução nos juros em setembro e pareceu enfatizar que o motivo para cautela advém de questões prudenciais e de estabilidade financeira e não das projeções de inflação.

Porém, alguns economistas apontam que o ciclo de queda de juros deve ter chegado ao fim. Para Estevão Alexandre, coordenador de curso de pós graduação da Fipecafi, houve um encerramento do ciclo, com a Selic devendo se manter no atual patamar até março ou abril do próximo ano, para posteriormente haver um aumento gradativo até o máximo de 3% ao final de 2021, em meio às preocupações com o reaquecimento da atividade econômica. Veja mais análises clicando aqui e acessando o vídeo abaixo.

Limite de juros

O limite de juros para cartão e cheque especial durante pandemia está na pauta do Senado desta quinta, informa a Agência Senado. Confira o que esperar clicando aqui. 

Ainda no noticiário político, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, em entrevista à Record News na noite de quarta-feira, que o governo vai reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre a linha branca.

Listando as medidas que devem contribuir para o crescimento da atividade ao longo do próximo ano, Guedes citou também o consumo da baixa renda, um maior crescimento da construção civil e investimentos privados em áreas como petróleo e gás natural.

O ministro espera um crescimento da economia entre 3,5% a 4% no ano em 2021, após uma retração de cerca de 4%-4,5% este ano.

Radar corporativo

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O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,31 bilhões no segundo trimestre de 2020, queda de 25,3% na comparação com igual período do ano passado, informou a companhia nesta quinta-feira (6).

Já o lucro líquido contábil totalizou R$ 3,2 bilhões no 2º trimestre, 23,7% menor em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 4,2 bilhões).

A inadimplência (atrasos acima de 90 dias) caiu para 2,84%, ante 2,90% registrados 12 meses antes e 3,17% do trimestre anterior.

Já a petroquímica Braskem registrou prejuízo de R$ 2,5 bilhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 57 milhões em igual período do ano passado. A queda nas receitas devido à crise da Covid-19, despesas ligadas a um dano geológico em Alagoas e pressão financeira devido à alta do dólar estão entre os fatores que justificam a queda.

A AES Tietê registrou lucro líquido de R$ 119 milhões no segundo trimestre de 2020, avanço de 235,7% na comparação com igual período do ano anterior.

O Ebitda ficou em R$ 275,6 milhões, alta de 21,8% no comparativo anual. A receita líquida foi de R$ 475,2 milhões, queda de 2%.

No final de julho, a AES Corp adquiriu uma fatia do BNDESPar na empresa e passou a deter participação de 42,9% na AES Tietê, depois de uma disputa com a Eneva.

A companhia aérea Azul afirmou que espera operar 407 decolagens diárias nos dias de maior demanda em setembro. O número representa cerca de 55% do ritmo das operações domésticas de um ano antes e 45% da capacidade total.

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A companhia vem retomando gradualmente suas operações desde abril, quando as medidas de isolamento social tomadas para tentar conter a pandemia do coronavírus paralisaram quase totalmente as viagens aéreas no país.

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