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Ibovespa fecha na máxima e dólar cai para R$ 4,14 com alívio na cena política

Preocupações com uma volta das políticas econômicas intervencionistas do PT se dissipou com o investidor analisando o cenário mais friamente

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(Shutterstock)
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SÃO PAULO – Os mercados tiveram um dia ameno nesta segunda-feira (11), corrigindo o movimento de forte pessimismo registrado na última sexta, quando foi libertado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em discurso na frente do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP) no sábado, o petista atacou o presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ele deveria “governar para o povo brasileiro e não para milicianos”.

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 0,69%, aos 108.367 pontos — foi a pontuação máxima do dia. O volume financeiro negociado ficou em R$ 15 bilhões — abaixo da média dos últimos pregões, em torno dos R$ 20 bilhões.

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Enquanto isso, o dólar comercial teve baixa de 0,614% a R$ 4,142 na compra e a R$ 4,1428 na venda. O dólar futuro com vencimento em dezembro cedeu 0,25%, a R$ 4,158.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 caiu 0,88 ponto-base a 4,53%. Já o DI para janeiro de 2023 registrou perda de 1,23 ponto-base, a 5,61%. O DI para janeiro de 2025 recuou 0,80 ponto-base, para 6,22%

Segundo Bruno Marques, gestor da XP Investimentos, o movimento da semana passada foi uma realização que não tirou o índice de perto das máximas.

Já Luiz Eduardo Portella, sócio da Novus Capital, avalia que as preocupações em torno de uma volta das políticas econômicas intervencionistas do PT ao governo se dissipa hoje com o investidor analisando o cenário mais friamente.

“A única coisa que poderia reacender esse temor é o julgamento da suspeição do [ministro e ex-juiz] Sérgio Moro, que poderia tornar Lula elegível em 2022”, destaca.

Portella afirma que essa possibilidade está distante por enquanto, uma vez que o objetivo desse pedido era justamente a soltura do ex-presidente. “A principal incerteza é a suspeição do Moro e não tem essa pressa toda para votar porque o Lula já está solto.”

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De qualquer modo, o sócio da Novus acredita que terá pouco impacto a liberdade de Lula no andamento das reformas econômicas.

“As reformas são uma agenda do Congresso e do governo. Pode atrapalhar no curto prazo se o Congresso passar a [Proposta de Emenda à Constituição] PEC que libera a prisão em segunda instância antes das medidas econômicas, mas isso tiraria Lula da próxima disputa presidencial, então o mercado não consideraria algo negativo”, defende.

No noticiário externo, os investidores acompanham o desenrolar das negociações entre EUA e China, após o revés no otimismo por conta da mudança no discurso do presidente americano Donald Trump, que negou a reversão total das tarifas já impostas dentro da guerra comercial.

Essa revisão é um dos desejos de Pequim para fechar a primeira fase do acordo comercial entre as duas maiores economias globais, porém a possibilidade enfrenta oposição interna na Casa Branca e de consultores externos, diz a Reuters.

Nos Estados Unidos, o feriado do Dia dos Veteranos reduziu a liquidez, mas os mercados acionários estão abertos. Por lá, a semana marca o encerramento da safra de resultados corporativos, com destaque para os resultados de Walmart e Cisco.

Até o momento, nesta temporada, das 435 empresas do S&P 500 que divulgaram resultado, 73% delas superaram as estimativas de ganhos e 57% de vendas, de acordo com o The Earnings Scout, cita a CNBC.

Ainda no front externo, o cenário foi contaminado pelo aumento das tensões políticas em Hong Kong. Manifestantes ficaram feridos depois que a polícia local abriu fogo contra um grupo, enquanto no final de semana três parlamentares pró-democracia foram presos.

Entre os indicadores na Ásia, destaque para a inflação ao consumidor da China que decolou em outubro ao nível mais alto em mais de sete anos, aquecida por uma disparada contínua dos preços de carne de porco.

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O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 3,8% em outubro em relação a igual mês do ano passado, comparado com um aumento de 3,0% em setembro.

A principal leitura da inflação ficou mais alta que a mediana das projeções de economistas consultados pelo Wall Street Journal, de aumento de 3,5%.

Na Europa, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido cresceu 0,3% no terceiro trimestre ante o trimestre anterior. Analistas consultados pela FactSet previam alta um pouco maior, de 0,4%.

Com o avanço, porém, a economia britânica evitou cair numa recessão, uma vez que havia encolhido 0,2% no segundo trimestre ante os três meses anteriores. Na comparação anual, o PIB do Reino Unido teve expansão de 1% entre julho e setembro, a mais fraca desde o primeiro trimestre de 2010.

Entre as commodities, o preço do minério de ferro recuava 2,3% nos contratos futuros de Dalian. O petróleo também opera em baixa, em meio aos receios de excesso de oferta.

Noticiário corporativo

O noticiário corporativo traz a recompra de até 4,9 milhões de ações aprovada pelo Conselho da IMC (MEAL3), enquanto a Marisa (AMAR3) contratou bancos para potencial oferta de ações e a BR Properties (BRPR3) define oferta de ações de até R$ 996 milhões.

No radar de recomendações, Unidas (LCAM3) teve a recomendação reduzida para marketperform pelo BB Investimentos.

Já na agenda de balanços, Alpargatas (ALPA4) lucrou R$ 58,5 milhões, a Tecnisa (TCSA3) teve prejuízo de R$ 52,1 milhões.

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A safra de resultados corporativos ingressa em sua última semana com as divulgações hoje dos balanços da Eletrobras (ELET3), BR Distribuidora (BRDT3), Marfrig (MRFG3), Cosan (CSAN3), Yduqs (YDUQ3), Rumo (RAIL3), Sanepar (SAPR11), CPFL (CPFE3), São Martinho (SMTO3), Enauta (ENAT3) e Biotoscana.

A Hapvida (HAPV3) acertou a compra do HCP por R$ 16 milhões e a General Shopping propôs grupamento de 36 ações para 1.

Focus

O Focus manteve a projeção para o PIB de 2019 em 0,92%, enquanto que, depois de sete semanas estacionada em 2,00%, a mediana das projeções do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2020 mostrou alta, para 2,08%.

A mediana das projeções para a inflação oficial em 2019 voltou a subir, de 3,29% para 3,31%. Para 2020, o ponto-médio das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) manteve-se em 3,60%.

Os juros futuros têm uma sessão de movimentos mistos: enquanto o contrato com vencimento em janeiro de 2021 tem leve queda de 1 ponto-base, a 4,56%, os de vencimento em 2023 têm leve alta de 1 ponto-base, a 5,69%.

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