Ibovespa fecha em queda de 0,81% com receio por plano para a indústria e descola do exterior

Nova política do governo aumenta temor de mercado com situação fiscal brasileira, puxa juros para cima e derruba ativos de risco

Vitor Azevedo

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O Ibovespa fechou em queda de 0,81% nesta segunda-feira (22), aos 126.586 pontos, descolado do que foi visto no exterior. Em grande parte, a movimentação do benchmark da Bolsa brasileira se deu por conta do anúncio do novo programa industrial do Governo Federal.

“O Ibovespa operou com volume abaixo da média e enfrentou quedas significativas e altas na negociação dos contratos futuros de DI, após falas do [presidente do BNDES] Mercadante em evento e declarações de Lula”, diz Lucas Almeida, especialista em mercado de capitais e sócio da AVG Capital.

“A preocupação fiscal e a política industrial bilionária anunciada são fatores que deixam o mercado inseguro e colaboram para a nossa bolsa caminhar na contramão do exterior. A nova política industrial, com foco em incentivos fiscais para setores específicos, gerou preocupações entre investidores”, completa.

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A preocupação é de que, com o aumento dos gastos públicos, a queda dos juros no Brasil fique limitada.  A nova política industrial do governo terá R$ 300 bilhões para financiamento até 2026

No Brasil, a curva de juros fechou em alta. No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,085%, ante 10,12% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,805%, ante 9,768% do ajuste anterior. Já a taxa para janeiro de 2027 estava em 9,985%, ante 9,901%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,24%, ante 10,155%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,65%, ante 10,57%.

Por conta da alta dos juros, que impacta as estimativas de consumo futuro, as maiores quedas do Ibovespa ficaram para companhias ligadas ao mercado interno ou de crescimento. As ações ordinárias das Lojas Renner (LREN3) perderam 5,44%, as do Assaí (ASAI3), 4,83%, e os da Locaweb (LWSA3), 4,69%.

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Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram, respectivamente, 0,36%, 0,22% e 0,32%. 

Por lá, investidores continuam em uma onda de otimismo causada pelos resultados de ações ligadas à inteligência artificial. 

“É quase como um medo de ficar de fora”, disse Brian Price, chefe de gestão de investimentos da Commonwealth Financial à CNBC. “Tivemos um pouco de volatilidade no início do ano, já que os investidores talvez reequilibrassem carteiras e procurassem realizar alguns lucros. Mas agora, parece que estamos retomando a tendência que estava claramente em vigor no quarto trimestre”.

Por lá, os juros caíram. Os treasuries yields para dez anos perderam 3,7 pontos-base, a 4,107%. O dólar ficou praticamente estável no exterior, com o DXY, que mede a força da divisa americana frente a outras de países desenvolvidos, subindo 0,05%, aos 103,34 pontos. Frente ao real, no entanto, houve uma alta de 1,24%, a R$ 4,987 na compra e a R$ 4,988 na venda.

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