Ibovespa fecha em queda de 0,6% com dúvidas sobre vacina para Covid; dólar sobe a R$ 5,76

Infectologistas questionaram o quão relevantes foram os resultados da vacina testada pela biofarmacêutica Moderna Inc. — e o mercado não gostou

Ricardo Bomfim

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (19), pressionado pela piora nos índices das Bolsas americanas no fim da sessão.

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Os investidores nos EUA deixaram para trás a euforia da véspera após infectologistas ouvidos pela Stat News questionarem o quão relevantes foram os resultados da vacina contra o coronavírus testada em uma primeira fase recentemente pela biofarmacêutica Moderna Inc.

Com isso, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram entre 0,5% e 1,6%. O pessimismo acabou contaminando o mercado brasileiro, que mais cedo chegou a subir quase 1% com as notícias de que apesar do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, ter assinado decreto que antecipa os feriados de Corpus Christi e da Consciência Negra para quarta-feira (20) e quinta-feira (21), a B3 vai continuar em operação.

As notícias se somavam à reabertura de diversas economias para produzir um ambiente favorável ao maior apetite por risco. Hoje, o índice Zew de Sentimento Econômico da Alemanha disparou 22,8 pontos, para 51 pontos em meio à retomada das aulas, reabertura de bares e restaurantes e retomada do campeonato alemão de futebol.

O Ibovespa teve queda de 0,56%, a 80.742 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 24,562 bilhões. Vale lembrar que a baixa se dá após a forte alta de 4,7% registrada pelo principal índice da B3 na véspera.

Já o dólar futuro para junho registrava ganhos de 0,6%, a R$ 5,76. O dólar comercial, por sua vez, subiu 0,67%, a R$ 5,7596 na compra e R$ 5,7609 na venda.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu dois pontos-base, a 3,40%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de seis pontos-base, a 4,54%, e o DI para janeiro de 2025 recuou também seis pontos-base, a 6,54%.

Ainda no noticiário internacional, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que o banco central dos EUA está pronto para usar “todas as armas disponíveis no seu arsenal” para ajudar a economia americana a superar a pandemia, mas ressalvou reconhecer que essas medidas são “apenas parte de uma política pública mais ampla”.

Temperatura política

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Melllo já tem em mãos o vídeo da reunião ministerial em que o presidente Jair Bolsonaro teria ameaçado de demissão o então ministro Sergio Moro caso ele não alterasse a direção da Polícia Federal. A decisão sobre divulgar parcialmente ou na íntegra o conteúdo dessa reunião deverá ser tomada pelo decano até sexta-feira, mas a expectativa é que ocorra antes.

A divulgação desse conteúdo deve aumentar a temperatura política em Brasília, no momento em que o presidente lida com a busca por um ministro da Saúde e com a pandemia do coronavírus.

Além disso, as denúncias feitas pelo ex-aliado Paulo Marinho também servem para aumentar a tensão. Ele revelou um suposto vazamento de informações de uma operação da Polícia Federal às vésperas do segundo turno das eleições de 2018, fato que deverá ser investigado e pode atingir o senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente.

Noticiário corporativo

A divulgação de resultados corporativos deve movimentar o pregão desta terça-feira. A Marfrig registrou prejuízo líquido de R$ 136,9 milhões no primeiro trimestre de 2020, revertendo um lucro líquido de R$ 4,3 milhões registrado um ano antes. O resultado foi impacto pela variação cambial, de R$ 632 milhões, e a baixa contábil de R$ 169 milhões dos custos de amortização dos títulos de dívida no exterior que foram recomprados no período.

Assim, o lucro líquido torna-se positivo em R$ 32 milhões após ajustado pela despesa não recorrente de R$ 169 milhões, qual seja, a baixa contábil dos custos amortizados acumulados da emissão das notas sênior com vencimento em 2023, as quais foram recompradas em janeiro. Os analistas destacaram a melhora do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, que ficou em R$ 1,223 bilhão, alta de 109% na comparação anual. A margem Ebitda chegou a 9,1% entre janeiro a março – era de 5,5% no primeiro trimestre de 2019.

Já a Hermes Pardini registrou um lucro líquido de R$ 15,8 milhões no primeiro trimestre de 2020, queda de 48% na base de comparação anual. A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 308,3 milhões, queda de 8,1% na base de comparação anual.

A Alliar e o Banco Inter divulgam seus resultados na noite de hoje.

Fora da temporada de balanços, a B3 informou na noite de segunda-feira que 6ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal negou seu pedido de anular a multa aplicada pela Receita Federal, no valor de R$ 1,3 bilhão, referente a um contencioso tributário da incorporação da Bovespa pela BM&F. A Bolsa brasileira vai recorrer.

Já as Lojas Renner anunciou que venceu uma ação referenete à exclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) da base de cálculo do PIS/Cofins. Com isso, a varejista de moda pode reaver, mediante compensação R$ 1,357 bilhão apurados entre novembro de 2001 e fevereiro de 2017 (valor já corrigido).

A Eletronorte, uma das empresas da Eletrobras, concluiu captação de R$ 1 bilhão junto ao Bradesco BBI pelo prazo de 12 meses e custo de CDI mais 2,62% ao ano. Os recursos serão utilziados para a quitação de dívidas de custo mais elevado.

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Ricardo Bomfim

Repórter do InfoMoney, faz a cobertura do mercado de ações nacional e internacional, economia e investimentos.