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Ibovespa fecha em maior queda desde início de março, com cautela global e ameaças fiscais

Índice brasileiro é afetado por mercado externo e por provável novo imposto sobre o setor financeiro e incertezas na Petrobras

Por  Felipe Moreira

A bolsa brasileira fechou em forte queda nesta terça-feira (5), acompanhando os principais índices americanos, que recuaram após a diretora do Federal Reserve, Lael Brainard, acender preocupações sobre um aperto agressivo da política monetária norte-americana ao afirmar esperar aumentos metódicos das taxas de juros e reduções rápidas no balanço do Fed para levar a política monetária dos EUA a uma “posição mais neutra” ainda neste ano.

Segundo Leonardo Santana, especialista em ações da Top Gain, o mercado não viu com bons olhos a fala de Brainard e volta olhar para indicadores de inflação para ter uma orientação sobre taxas de juros.

No cenário doméstico, pesou sobre o índice o desempenho do setor financeiro. Bancos e outras companhias caíram em bloco, sendo as principais quedas por peso, com o aumento da percepção de que o Governo Federal irá impor uma Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para estar instituições como forma de bancar o Refis, que deve perdoar parte de dívidas em impostos de pequenos e microempreendedores.

As ações preferenciais do Itaú (ITUB4) caíram 2,02% e as do Bradesco (BBDC4), 2,79%. As ações preferenciais do Banco do Brasil (BBAS3) e as unitárias do Santander (SANB11) caíram, respectivamente, 2,65$ e 2,27%.

O Ibovespa fechou em queda de 1,97%, a maior queda desde sete de março, indo aos 118.885 pontos, após oscilar entre 118.793 e 121.628 pontos. O volume financeiro foi de R$ 28,2 bilhões.

Para Lucas Xavier, analista técnico da Warren, o recuo do índice na sessão de hoje foi um movimento normal, “um respiro”. O analista lembra que o índice vinha praticamente de 13 altas seguidas, o que deixou o Ibovespa afastado dos parâmetros de médias móveis.

Ainda no cenário interno, além do provável novo imposto, a percepção de ameaça fiscal subiu, por conta das incertezas relativas a Petrobras (PETR3;PETR4) – as ações ON e PN da petroleira caíram, respectivamente, 0,12% e 0,95%.

As ações do Inter (BIDI11) e Qualicorp (QUAL3) foram os destaques negativos da sessão, recuando, respectivamente, 8,89% e 7,34%, seguidas pela Locaweb (LWSA3), que recuaram 6,73%. As ações de tecnologia e varejo recuaram devido à alta de juros.

Os destaques positivos ficaram com as ações da Multiplan ([ativo=MULT3), que subiram 2,10%, seguidas pela 3R Petroleum ([ativo=RRRP3]) e CVC (CVCB3), com ganhos de 1,45% e 1,35%, respectivamente.

Os papéis da Multiplan repercutiram as vendas recordes do trimestre reportadas na prévia operacional do primeiro trimestre de 2021. Já as ações da 3R Petroleum subiram após a empresa receber a certificação de 267 milhões de barris em reservas no Polo Potiguar, o que foi bem recebido por investidores e analistas.

O dólar subiu ante pares e emergentes numa sessão de cautela global com novas sanções à Rússia. O dólar à vista subiu 1,11%, a R$ 4,6591, após oscilar entre R$ 4,584 e R$ 4,672.

De acordo com Xavier, apesar da alta de hoje, a moeda americana continua longe das médias móveis. Sendo assim, não seria surpresa se o dólar continuar subindo até a região dos R$ 4,80 apenas para amenizar as quedas expressivas registradas nos últimos pregões.

No aftermarket, às 17h15, os juros futuros sobem em bloco: O DIF23, +0,71 pp, a 12,63%; DIF25, +2,39 pp, a 11,34%; DIF27, +2,35 pp, a 11,09%; DIF29, +2,19 pp, a 11,20%.

Em Wall Street, as bolsas fecharam em queda alta, com os investidores temendo que os aumentos das taxas do Fed desacelerem a economia americana.

Os temores de uma recessão continuaram a assustar os investidores na sessão de hoje e o Deutsche Bank foi o primeiro grande banco de Wall Street a prever uma recessão da economia americana, citando o Fed ficando mais agressivo para combater a inflação.

O índice Dow Jones caiu 0,80%, aos 34.642 pontos. O S&P 500 recuou 1,25%, aos 4.525 pontos, enquanto o Nasdaq teve queda de 2,26%, aos 14.204 pontos.

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