Fechamento

Ibovespa fecha em alta de 2,2%, encosta nos 99 mil pontos e atinge seu maior patamar desde 5 de março; dólar sobe a R$ 5,35

Mercado termina a sessão com forte valorização das ações em meio às expectativas de retomada na China

gráfico de ações e índices em cuva de alta
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em forte alta nesta segunda-feira (6) e encostou nos 99 mil pontos, voltando a patamares do início de março, antes do grande crash do coronavírus.

A valorização hoje seguiu as bolsas internacionais, especialmente as asiáticas, diante do desempenho muito forte do índice de Xangai, que teve ganhos de 5,7%. No radar, as notícias são de controle da segunda onda na China e projeções de que a recuperação econômica da segunda maior economia do mundo será melhor que a esperada.

O jornal estatal Securities Times, da China, disse que promover um mercado em alta “saudável” após a pandemia é agora mais importante para a economia do que nunca.

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“A China está saindo rapidamente da epidemia da Covid-19. Todos os dados desde meados de fevereiro apontam para uma recuperação em forma de V”, disse, à CNBC, Michael Spencer, economista-chefe e de pesquisa para a Ásia do Deutsche Bank.

Com isso, o Ibovespa teve alta de 2,24% a 98.937 pontos com volume financeiro negociado de R$ 26,698 bilhões. Foi o maior nível de fechamento da Bolsa desde 5 de março, quando o índice terminou cotado em 102.233 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,59% a R$ 5,3507 na compra e a R$ 5,3521 na venda. Já o dólar futuro para agosto tem valorização de 0,7% a R$ 5,358 no after-market.

A depreciação do real veio na esteira por maior busca por proteção dos investidores diante da aproximação do principal índice da B3 aos 100 mil pontos.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 registrou ganhos de quatro pontos-base a 2,91%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de dois pontos-base a 3,99% e o DI para janeiro de 2025 recuou três pontos-base a 5,53%.

Já no Brasil, destaque para a entrevista do ministro da Economia, Paulo Guedes, à CNN Brasil. Ele afirmou que uma reforma tributária deve ser aprovada ainda em 2020 e que em até três meses devem ser realizadas quatro grandes privatizações, embora não tenha informado quais estatais serão vendidas.

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Entre os indicadores, o Relatório Focus do Banco Central mostrou que os economistas do mercado financeiro aumentaram levemente a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de retração de 6,54% na semana passada para uma menor, de 6,50% esta semana. Para 2021 a expectativa foi mantida em 3,50%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – medidor oficial de inflação – as estimativas dos economistas se mantiveram em 1,63% para 2020 e em 3,00% para 2021.

Para a taxa de câmbio também não houve alteração nas expectativas para 2020, que ficaram em R$ 5,20. Para 2021 a projeção foi elevada de R$ 5,00 para R$ 5,05.

Por fim, as expectativas para a taxa básica de juros Selic não foram alteradas nem para 2020 nem para 2021, mantendo-se em 2,00% e 3,00% respectivamente.

Reforma tributária

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em entrevista à CNN Brasil que a reforma tributária deve ser aprovada ainda em 2020.

A eventual proposta deve buscar, segundo ele, uma “substituição tributária”. Um dos exemplos é a tributação sobre dividendos, atualmente isentos. Segundo o ministro, hoje o assalariado paga um Imposto de Renda (IR) elevado e o “milionário ou bilionário não paga nada sobre os dividendos”.

Guedes reforçou ainda que o objetivo da proposta de reforma tributária não é aumentar impostos, mas ampliar a base de incidência. Isso permitiria a desoneração da folha de pagamento e de setores como comércio e serviços.

O ministro afirmou ainda que o governo pretende fazer até quatro “grandes privatizações” em até três meses, mas não revelou quais estatais seriam vendidas.

Política

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O governo Jair Bolsonaro tenta melhorar sua imagem no país e no exterior e, para isso, tenta garantir um maior volume de verbas para a áreas de publicidade. Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo“, a Secretaria de Comunicação (Secom) do Palácio do Planalto pediu a liberação ainda neste ano de R$ 325 milhões para gastar em publicidade e em relações públicas. O atual orçamento prevê R$ 138,1 milhões em gastos com ações da área.

A tentativa de recuperar a imagem do governo, abalada por uma sucessão de crises provocadas por decisões de Bolsonaro e sua equipe, ocorre no momento em que a oposição classifica como “rachadinha” a movimentação de pessoal no gabinete de Bolsonaro no período em que ele foi deputado federal.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que vai acionar o Ministério Público Federal para investigar essa movimentação, que seria indício de um esquema de “rachadinha”.

De acordo com reportagem da Folha, documentos relativos aos 28 anos em que Jair Bolsonaro foi deputado federal mostram uma rotatividade salarial incomum de seus assessores.

Panorama corporativo

Ainda não está clara qual será a solução para a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, mas as empresas seguem animadas em acessar o mercado de ações para levantar recursos para os seus negócios.

Nesta manhã, a Lojas Americanas comunicou que o Conselho de Administração aprovou uma oferta primária. Os recursos são utilizados para investimentos na Ame Digital, na expansão das áreas de tecnolgoia e lógisticas; capitalização da B2W; e na melhora da estrutura de capital.

Ainda sobre o setor varejista, a Lojas Marisa afirmou que as lojas de rua estão com um desempenho cerca de 10% superior ao das lojas de shoppings, segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”.

A rede conta com 354 lojas, sendo metade em shoppings. Desse total, 240 estão em funcionamento. Marcelo Pimentel, presidente da varejista, informou que o tempo de permanência dos clientes na lojas está menor, mas com tíquete médio maior.

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Já as medidas para contenção de novos casos da Covid-19 podem estar por trás da suspensão temporária das importações, pela China, de carne suína de uma unidade da BRF em Lajeado (RS) e uma outra da JBS em Três Passos (RS). A suspensão foi comunicada pela autoridade aduaneira chinesa, segundo a agência Reuters.

E na noite de sexta-feira a Cosan, Cosan Logística e Cosan Limited anunciaram que seus conselhos de administração aprovaram o início do estudo de uma proposta de reorganização societária que será submetida à aprovação dos acionistas.

Se aprovada, a Cosan será consolidada em uma única holding. A empresa continuará a ser controlada pela Aguassanta, veículo de investimento da família de Rubens Ometto Silveira Mello.

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