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Ibovespa em stand by: entenda por que a Bolsa só anda de lado desde sexta

Série de questões do mundo macro indefinidas fazem com que a cautela dê o tom do mercado brasileiro nestes dias

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SÃO PAULO – Desde o começo desta semana o Ibovespa tem feito um movimento característico de “indefinição”, trocando diversas vezes de sinal durante o pregão sem entrar em uma tendência clara de alta ou de baixa até os minutos finais do pregão. Este “marasmo” da Bolsa que só anda de lado é característico de um “stand by” do mercado, ou seja, os investidores estão esperando algo antes de se posicionarem fortemente seja na compra ou na venda. 

Mas o que o mercado está esperando? Na opinião de Angelo Larozi, analista da Walpires Corretora, a Bolsa está em “compasso de espera”, porque há diversos drivers tanto internacionais como domésticos que estão sem uma definição clara.

É o exemplo da tão esperada primeira elevação dos juros nos Estados Unidos desde 2006. O Federal Reserve já indicou diversas vezes que quer realizar o “soft landing” da economia norte-americana assim que o país volte a caminhar com as próprias pernas sem a dependência das taxas de juros próximas de zero ou de outros estímulos monetários. No último relatório de emprego nós vimos o país criar 280 mil vagas em maio ante previsões de 225 mil novos postos no mês. Parece um sinal claro, mas dirigentes do Fed já mostraram preocupação com o quanto se sustenta esta alta depois do fraco desempenho da economia dos EUA no primeiro trimestre. Ou seja, até agora muita gente continua discutindo se o aumento virá em setembro, novembro ou até em 2016. 

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Outro caso de indefinição é a Grécia, que não honrou a sua dívida na semana passada e o mercado se pergunta se ela vai entrar em um acordo com os seus credores e pagar o que deve ao FMI (Fundo Monetário Internacional), ao BCE (Banco Central Europeu) e à Comissão Europeia. Cada notícia sobre a questão grega traz uma direção diferente, então o mercado fica sem saber se precifica uma saída do país da zona do euro ou se espera por um pagamento da dívida.

Por fim ainda há o ajuste fiscal brasileiro, que enfrenta oposição no Congresso e ainda não pudemos ver com certeza a sua efetividade nas contas públicas. A capacidade do Brasil de entregar um superávit primário próximo à meta de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) é vista por muitos como uma condição essencial para que o País mantenha o grau de investimento. “Muita gente vê que o governo deveria agir com mais veemência no ajuste e cortar ministério. Então essa questão mantém os investidores amedrontados”, explica o analista.

Por tudo isso, Larozi vê a Bolsa brasileira “travada”. Ontem, o Ibovespa até ameaçou um movimento mais claro para alta por conta do anúncio do plano de concessões para a infraestrutura, mas as preocupações com o sentimento de “déja vu” de 2012, quando um plano parecido foi divulgado deixou o mercado com um pé atrás. Para o economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, ainda vamos precisar saber os detalhes do programa do governo para saber se ele virá em condições de trazer lucros para as concessionárias ou se será uma repetição do que tem sido feito em termos de infraestrutura até agora. 

Enquanto nada disso fica mais garantido, a cautela dá o tom na Bolsa. O importante é estar preparado para quando algum desses temas se resolver, porque será aí que o mercado brasileiro tomará uma posição, seja para o bem ou para o mal.