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Ibovespa dispara 3,6% depois de corte de ministérios e deixa dados dos EUA para trás

Mercado consolida alta depois de cair pela manhã por preocupações com a economia global e se descola dos índices internacionais

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SÃO PAULO – O Ibovespa consolida uma expressiva alta nesta sexta-feira (2), após o corte de 8 ministérios e de 10% no salário dos ministros. Com isso, o nosso índice sobe bem mais que as bolsas internacionais, que depois de cair com o Relatório de Emprego dos Estados Unidos, passam a se recuperar tentando estender os ganhos recentes com força das ações de biotecnologia depois dos índices Dow Jones e S&P 500 baterem o fundo de 52 semanas. Por aqui, a produção industrial de agosto mostrou um recuo de 9%, ante expectativas de 9,5% de retração na comparação anual. 

Às 16h38 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira sobe 3,62%, a 46.954 pontos. Já o dólar comercial cai 1,46% a R$ 3,9440 na venda, enquanto o dólar futuro para novembro tem leve baixa de 1,69%, a R$ 3,979. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem queda de 24 pontos-base, a 15,52%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 cai 34 pbs a 15,30%. 

Foram divulgados quatro indicadores importantes, que constituem o relatório de emprego dos Estados Unidos. Os nonfarm payrolls (pesquisa realizada em cerca de 375 mil empresas que produz um índice que mostra o número de empregos gerados na economia, excetuando-se agricultura e pecuária) mostraram a criação de 142 mil novas vagas em setembro, ante 201 mil esperadas e 173 mil que foram geradas em agosto. O desemprego se manteve em 5,1%. Por fim, o ganho por horas trabalhadas ficou estável ante projeções de alta de 0,2%. 

Para o analista da consultoria WhatsCall, Flávio Conde, apesar da alta por conta da reforma, as medidas anunciadas são apenas um paliativo. “Dá a impressão de que [a reforma] foi positiva porque seguraria o PMDB e facilitaria a aprovação das medidas do ajuste, mas acho que isso é aparente, porque o PMDB não vai mudar muita coisa e esta questão da economia americana enfraquecida é muito importante também”, explica. 

Segundo ele, estamos dependentes de reformas estruturais mais fortes, principalmente com redução de despesas pelo governo. “Acho que o índice pode devolver [os ganhos] no período da tarde. O governo só fez um rearranjo ministerial e não cortou despesas”, avalia Conde. 

Reforma ministerial
A presidente Dilma Rousseff anunciou a reforma ministerial nesta manhã, com o corte de oito ministérios e a criação da comissão permanente da reforma do Estado. Foi extinguido o Ministério dos Assuntos Estratégicos eforam criados o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e o Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

Ela ainda disse que 30 secretarias serão extintas em vários ministérios e haverá a redução de 20% nos gastos de custeio e a definição de metas de eficiência. Dilma diz que haverá um corte de 10% na remuneração de ministros. Ela anuncia a revisão de contratos de prestação de serviço, buscando tornar o governo mais eficientes.

Dilma começou o seu anúncio afirmando que “todos os países que atingiram o desenvolvimento construíram estados modernos: ágeis, eficientes, baseados no profissionalismo e na meritocracia.” “Nós também temos de ter esse objetivo. O Estado brasileiro deve assumir uma dupla função: parceria com a iniciativa privada; e assegurar os direitos de todos os cidadãos e cidadãs”, destacou. A ação do Estado, afirmou, não pode ser empecilho ao investimento, mas suporte para a atuação do setor privado e também para o cidadão. A  presidente Dilma disse que é absolutamente necessário que o Estado seja democrático, aberto e transparente à sociedade.

Destaques da Bolsa
Entre os destaques do pregão, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,37, +11,95%; PETR4, R$ 7,81, +11,25%) viram para alta, acompanhando as cotações do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) tem alta de 0,83% a US$ 45,12, enquanto o barril do Brent para dezembro registra ganhos de 0,10% a US$ 48,43. Depois de provocar a queda das bolsas internacionais no último pregão, o petróleo sobe hoje em meio a bombardeios russos contra o grupo terrorista Estado Islâmico na Síria, o que eleva a tensão no Oriente Médio. O investidor Jim Rogers, co-fundador do Quantum Fund, disse que o fato de petróleo vir resistindo a cair abaixo de US$ 45, mesmo com notícias econômicas ruins, é sinal de que uma alta dos preços está perto.

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Entre as altas, as educacionais Kroton (KROT3, R$ 8,43, +9,06%) e Estácio (ESTC3, R$ 15,37, +6,29%) sobem. No radar das companhias, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro será trocado por Aloizio Mercadante. 

Já as ações do setor bancário passaram a subir forte após o anúncio da reforma ministerial feito por Dilma Rousseff. Os papéis do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 15,91, +6,71%) foram os que mais subiram depois do anúncio, sendo que em apenas 1h as ações subiram 4%. Os demais bancos grandes sobem forte na Bolsa: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,90, +3,79%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,22, +5,10%BBDC4, R$ 22,49, +3,67%) e Santander (SANB11, R$ 13,47, +4,34%).  

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 PETR3 PETROBRAS ON9,36+11,83
 PETR4 PETROBRAS PN7,80+11,11
 KROT3 KROTON ON8,44+9,19
 GOAU4 GERDAU MET PN3,04+8,19
 ECOR3 ECORODOVIAS ON6,57+7,88

 

 

Quem cai hoje são as exportadoras como Fibria (FIBR3, R$ 54,21, -2,68%) e Suzano (SUZB5, R$ 18,83, -3,73%), que são impactadas pela queda do dólar, já que estas empresas possuem as suas receitas denominadas na moeda norte-americana. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SUZB5SUZANO PAPEL PNA18,84-3,68
 FIBR3FIBRIA ON54,23-2,64
 PCAR4P.ACUCAR-CBD PN50,34-0,65
 EMBR3EMBRAER ON25,25-0,39

 

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Cenário externo
Os mercados dos EUA viraram para alta depois de caírem forte em meio aos dados piores do que o esperado do emprego nos Estados Unidos. No radar, o vice-presidente do Federal Reserve, Stanley Fischer, disse em Boston que uma criação de empregos entre 100 mil e 150 mil está dentro do esperado e os juros devem ser elevados em 2015 mesmo com o dado mais fraco. 

As bolsas europeias também subiram. Entre os dados europeus, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro caiu 0,8% em agosto ante julho, registrando a maior queda mensal desde janeiro, segundo dados publicados hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. No confronto anual, o PPI do bloco recuou 2,6% em agosto. Ambas as quedas foram mais intensas do que o previsto. Analistas consultados pela Dow Jones Newswires estimavam recuo mensal de 0,6% e diminuição anual de 2,4%.

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