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Ibovespa fecha em alta, mas sobe menos que pares americanos; dólar cai 0,50%

Ativos de risco brasileiro tem dia de recuperação e contam com ajuda de tom mais dovish de diretor do Federal Reserve

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa fechou em alta de 0,45% nesta sexta-feira (15), aos 96.551 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira, no entanto, acumulou queda na semana, de 3,7%, e também hoje performou pior do que seus pares americanos.

Nos Estados Unidos, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram, respectivamente, 2,15%, 1,92% e 1,79%.

“Hoje, o que verificamos foi uma recuperação dos ativos brasileiros, bem como dos europeus e americanos”, explica Matheus Spiess, analista da Empiricus. “Nem mesmo a notícia de que o o Produto Interno Bruto chinês foi pior do que o esperado conseguiu perturbar a performance, mas, naturalmente, com isso vimos a Vale (VALE3) não ir tão bem”.

Na noite de ontem, foi publicado que a economia chinesa recuou 2,60% no segundo trimestre, ante consenso de queda de 1,50%. No ano, era aguardado um crescimento de 1% e o que se viu foi um de 0,4%. A frustração com o desempenho da segunda maior economia do mundo levou o preço do minério de ferro a recuar 4,24% em Qingdao, a US$ 96,04 a tonelada.

Mesmo com a queda do preço da commodity, no entanto, as ações do setor de siderurgia tiveram um dia de leve recuperação. As ordinárias da Vale (VALE3), por exemplo, subiram 0,62% – apesar de terem caído 9,32% na semana. As preferenciais da Gerdau (GGBR4) foram as principais altas do Ibovespa, subindo 5,94%, apagando as baixas da semana, bem como as da preferenciais do tipo B da Usiminas (USIM5), que avançaram 4,10%.

Além delas, foram destaques também entre as altas do Ibovespa papéis ligados à economia interna. As ações ordinárias da Natura (NTCO3) e da Yduqs (YDUQ3) avançaram, respectivamente, 3,30% e 4,03%.

“Temos uma queda dos yields no exterior, por conta da perspectiva de menor crescimento, que trouxe um reflexo nos ativos de economia doméstica. Varejo, portanto, está com uma reação positiva”, diz Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos. “Além disso, pesou também falas de alguns diretores do Fed, principalmente do James Bullard, que trouxe um tom mais “dovish”, mais leve quanto a sinalização de aperto monetário, dispersando a ideia de alta de 100 pontos-base da fed funds na próxima reunião”, completa.

Em evento organizado pelo Centro Europeu de Economia e Finanças, em Londres, Bullard, do Fed de St. Louis, afirmou que não acredita muito na necessidade de elevar a taxa de juros americana em um ponto percentual.

Os treasuries yields com vencimento em dois anos recuaram 2,1 pontos-base, para 3,124%,  e os para dez anos, 3,6 pontos, para 2,923%. No Brasil, os DIs para 2023 tiveram seus rendimentos caindo quatro pontos, a 13,87%, e os para 2025, cinco pontos, para 13,12%. Os DIs para 2027 e 2029 tiveram, ambos, suas taxas caindo dois pontos, para 12,96% e 13,08%.

Cassiano Konig, sócio da GT Capital Investimentos, por fim, cita que a sexta-feira também contou com a publicação de indicadores mistos – o varejo americano veio com alta de 1%, acima dos 0,8% esperados, mas a produção industrial trouxe uma desaceleração de 0,2%, ante consenso de recuo de 0,1%.

O DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de divisas, recuou 0,48%. O dólar comercial caiu 0,52% frente ao real, a R$ 5,404 na compra e a R$ 5,405 na venda. Na semana, porém, a moeda americana subiu 2,60% frente o real.

Entre as maiores quedas do Ibovespa, ficaram as ações ordinárias da Hapvida (HAPV3), com menos 5,22%, as da CVC (CVCB3), com menos 4,55%, e as da Magazine Luiza (MGLU3), com menos 4,47%.

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