Bolsa

Ibovespa desaba 5% com coronavírus e dólar chega a R$ 4,66 apesar de swaps

Mercado registra fortes perdas diante dos renovados temores acerca da disseminação do vírus

B3 (Shutterstock)
(Shutterstock)
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em forte queda nesta quinta-feira (5) com o noticiário sobre o coronavírus voltando a pesar a despeito dos estímulos promovidos pelos bancos centrais das maiores economias do mundo. O Ministério da Saúde confirmou que já são 8 casos da doença no Brasil, contra três ontem. Nos Estados Unidos, a Califórnia declarou estado de emergência após a primeira morte pelo vírus ser reportada.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o número de pessoas contaminadas pelo coronavírus ultrapassou 93 mil. Além do medo do corona, a Associação Internacional dos Transportes Aéreos (IATA) advertiu na manhã de hoje que as empresas aéreas terão perdas estimadas entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões, reportou a CNBC News.

De acordo com Júlio Erse, gestor da Constância Asset, o mercado está muito sensível às notícias a respeito do coronavírus porque os investidores não têm muitas ferramentas para precificar o alastramento da doença. “É difícil prever os impactos, os desdobramentos e a taxa com que vai se disseminar o vírus”, afirma.

Aprenda a investir na bolsa

O índice VIX, calculado pela Chicago Board Options Exchange (CBOE), conhecido como índice do medo por medir a expectativa do mercado sobre a volatilidade em 30 dias, chegou a 30%, o que implica uma oscilação de 2% ao dia nos principais índices acionários globais. “Hoje o VIX já voltou aos 40%”, aponta Erse.

Para o gestor, deve haver nervosismo sempre que saírem informações de empresas que estão sendo evacuadas ou dando férias coletivas para seus funcionários. “São medidas de alto impacto na economia. Não tem precedente e nem elemento predictório para isso, então o nervosismo é exacerbado.”

Às 17h14 (horário de Brasília) o Ibovespa caía 5,18% a 101.666 pontos. O dólar futuro para abril, por sua vez, subia 1,51% a R$ 4,661. Já o dólar comercial avança 1,5%, a R$ 4,6487 na compra e R$ 4,6495 na venda.

O real continuou sua trajetória de desvalorização apesar do leilão de 20 mil contratos de swap promovido pelo Banco Central às 9h30 da manhã. O BC ainda anunciou mais um leilão de 20 mil contratos no começo desta tarde. Também sem sucesso em conter o ímpeto comprador no dólar.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subia 22 pontos-base a 4,44% e o DI para janeiro de 2023 avança 28 pontos-base a 5,10%. O DI mais longo, para janeiro de 2025, opera com alta de 22 pontos a 6,02%.

Entre as commodities, o petróleo zerou perdas depois de fontes afirmarem à Reuters que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concordará em uma redução em 1,5 milhão de barris na produção diária caso a Rússia esteja de acordo. O barril do Brent tem leves perdas de 0,1% a US$ 51,08, enquanto o barril do WTI tem baixa de 0,17% a US$ 46,70.

Política 

PUBLICIDADE

O Congresso Nacional manteve o veto presidencial sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A manutenção do veto veio após acordo entre Congresso e Palácio do Planalto, o que explicou a votação maciça favorável ao veto. O acordo envolveu o envio, pelo governo, de Projetos de Lei (PL) que tratam da distribuição das verbas de emendas e do relator-geral do Orçamento.

Com a manutenção dos vetos, o relator-geral do orçamento não poderá indicar prioridades na execução de obras realizadas com orçamento público. O governo não terá mais o prazo limite de três meses para repassar a verba do Orçamento. Na prática, o orçamento destinado a emendas de comissão e do relator não são mais impositivas. Além disso, não haverá penalização ao governo caso ele não faça o pagamento dessa verba.

Independentemente do acordo, partidos de vários matizes ideológicos, como Rede, Novo, PSL e MDB, mostraram-se favoráveis aos vetos. Para eles, se o veto fosse derrubado, a governabilidade e o poder de gestão do presidente da República sobre a verba pública ficariam prejudicado. Partidos de oposição se colocaram a favor do veto, considerando que a medida prejudicaria não só o atual presidente, mas todos os que se seguirem.

A votação ocorreu após dias de negociações e acordos entre governo e Congresso, encabeçados, principalmente, pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o ministro da Secretaria-Geral de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Dólar em alta

O BC retoma intervenções no câmbio após a moeda americana disparar 1,6% na quarta-feira, a R$ 4,5792, com nova máxima intradiária acima de R$ 4,58. A autoridade monetária anunciou leilão de até US$ 1 bilhão em swaps para esta quinta-feira, depois de já ter vendido US$ 4,5 bilhões em 5 leilões entre os dias 13 e 28 de fevereiro. Mais tarde, foi anunciado um novo leilão de 20 mil contratos.

Os analistas discutem se BC foi tímido no anúncio ou se não há muito a fazer no cenário atual. “Não há muito o que BC possa fazer neste momento, seria ir contra o movimento natural do mercado”, disse Jayro Rezende, chefe de tesouraria do Banco da China no Brasil, para a Bloomberg.

Já José Faria Júnior, sócio-diretor da Wagner Investimentos, aponta: “Será importante vermos recuperação das commodities para o real ter melhores condições de se valorizar”.

Noticiário corporativo 

Em destaque, após a queda de mais de 30% das ações, o IRB anunciou que Werner Suffert é o novo vice-presidente Executivo, Financeiro e de Relações com Investidores da companhia. O executivo, que ocupou o posto de CFO e diretor de Relações com Investidores da BB Seguridade (BBSE3) pelos últimos seis anos, também assume a posição de CEO interinamente, até a nomeação de um profissional para a função.

PUBLICIDADE

No radar de balanços, a CSN teve lucro líquido de R$ 1,13 bilhão no quarto trimestre de 2019, em queda de 36% ante o lucro de R$ 1,77 bilhão registrado no mesmo trimestre de 2018. A Arezzo (ARZZ3), rede varejista de moeda feminina, publicou balanço na noite de ontem e informou um lucro líquido de R$ 59,4 milhões no quarto trimestre de 2019.

Houve uma expansão de 50,6% sobre igual período do ano anterior. No fechamento de 2019, o lucro líquido avançou menos, 16,9% sobre 2018, para R$ 162,1 milhões. A empresa intensificou sua abertura de franquias, chegando a 737 pontos de venda no Brasil e no exterior.

Já a CTEEP – Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL4) comunicou ontem que obteve um lucro líquido de R$ 1,77 bilhão em 2019. Já a Direcional aprovou a abertura de capital da Riva no Novo Mercado.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos