Números de fechamento

Ibovespa cai 2,11% e fecha com segunda pior pontuação do ano; mercado descola do exterior com temor sobre inflação e juros mais altos

Enquanto isso, as Bolsas dos Estados Unidos renovaram máxima histórica

Por  Mitchel Diniz

SÃO PAULO – A trégua durou pouco e o Ibovespa devolveu quase todo o ganho acumulado na sessão de segunda-feira (25). Hoje, o principal índice do mercado acionário brasileiro foi pautado por preocupações com o avanço da inflação um provável aumento dos juros a patamares ainda maiores que o esperado. A reunião do Comitê Política Monetária (Copom) começa com apostas diferentes e cada vez mais altas sobre a Selic, enquanto os índices de preços continuam acelerando e surpreendendo.

A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA-15, avançou 1,2% no mês de outubro em relação a setembro, maior variação desde 1995 e acima do que os economistas esperavam. No ano, o IPCA acumula alta de 8,3%; em 12 meses, de 10,34%. Após a divulgação do dado, diversas instituições financeiras revisaram suas  projeções para a inflação neste e no próximo do ano e crescem as apostas de que os juros podem subir 1,5 ponto percentual ou até mais na reunião do colegiado do Banco Central.

“Além de fazer isso para tentar controlar a inflação elevada, o Banco Central precisa remunerar mais em dinheiro brasileiro para lidar com a fuga de capitais do país. Dessa forma, ao aumentar a rentabilidade desse dinheiro que fica no Brasil, se evita fuga ainda maior e um dólar que poderia ultrapassar a casa de R$ 6”, afirma João Beck, economista e sócio da BRA.

A percepção de juros maiores começou a se firmar na semana passado, com a discussão em torno do Teto de Gastos público, que deve sofrer ajustes para acomodar o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. Amanhã, na Câmara dos Deputados, deve começar a votação da PEC dos precatórios, que além propor a limitação do pagamento de dívidas judiciais da União, propõe um ajuste no teto do Orçamento.

O Ibovespa fechou a terça-feira em queda de 2,11% aos 106.419 pontos. A pontuação do fechamento de hoje só não foi pior que a da última sexta-feira. O volume negociado ficou em R$ 27,1 bilhões. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro de 2021 recuava 2,24% aos 107.180 pontos.

“As empresas que têm valor muito grande para capturar na perpetuidade, como as de tecnologia, consumo e de grande crescimento costumam ser mais afetadas. Então esse aumento dos juros impacta especialmente essas empresas”, afirma Alexandre Brito, gestor da Finacap.

No entanto, ele chama atenção para os resultados das companhias no terceiro trimestre, que já começaram a temporada trazendo resultados bons. “É possível que com a divulgação dos resultados, os mercados passem a olhar mais para os fundamentos das empresas”, afirma Brito.

Hoje, porém, nenhuma boa notícia foi capaz de trazer o investidor às compras. Nem mesmo a arrecadação de R$ 149,1 bilhões em setembro, acima do consenso do mercado.

“Olhando para frente, esperamos que a receita continue trazendo notícias positivas. No entanto, contar com a inflação como aliada nunca é uma boa ideia, e as surpresas positivas não devem chegar perto o suficiente para compensar os riscos crescentes do lado dos gastos”, afirma Caio Megale, economista-chefe da XP.

O dólar chegou a tocar o patamar dos R$ 5,60, mas terminou o dia em alta de 0,32% a R$ 5,572 na compra e R$ 5,573 na venda. O dólar futuro para novembro de 2021 é negociado a R$ 5,577, com alta de 0,27% no after market.

Mais uma vez, o mercado de juros futuros precificou os próximos passos que devem ser tomados pelo Copom e os contratos tiveram mais um dia de alta expressiva. O DI para janeiro de 2023 avançou 43 pontos-base, a 11,59%; DI para janeiro de 2025 subiu 25 pontos-base 11,92%; e o DI para janeiro de 2027 teve variação positiva de 13 pontos-base, a 11,96%.

“O cenário pode mudar após a definição de alta da Selic. A curva de juros futuros que está subindo pode começar a cair a partir dessa definição”, afirma Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

Bolsas americanas batem novo recorde

As Bolsas em Nova York bateram mais um recorde de pontuação hoje. Dow Jones e SP&500 renovaram máximas históricas e a expectativa é que os balanços das empresas continuem dando fôlego aos negócios, com resultados melhores do que o esperado. O destaque da semana são as big techs, como Microsoft e Alphabet, dona do Google.

O Dow Jones fechou em leve alta de 0,04%; o S&P avançou 0,18%; e o Nasdaq com variação positiva de 0,06%.

Após o fechamento dos mercados, saíram os resultados trimestrais de algumas Big Techs. A Microsoft reportou lucro líquido de US$ 20,5 bilhões no período, alta de 38%. A Alphabet, dona do Google, teve lucro de US$ 18,94 bilhões enquanto o Twitter teve prejuízo de US$ 537 milhões.

O Stoxx 600, índice que mede o desempenho de companhias europeias em 17 setores, fechou em alta de 0,75%, impulsionado por Wall Street e balanços positivos das empresas da região.

Os preços do petróleo voltaram a ganhar fôlego. O Brent para dezembro de 2021 avançou 0,44% a US$ 86,38 o barril. O WTI, no mesmo vencimento, sobe 1,01% a US$ 84,61 por barril.

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