Bolsa

Ibovespa ameniza ganhos com Petrobras, mas registra 3ª alta no ano; DIs longos sobem

Mercado tem alívio, mas fica longe da máxima diante de desempenho fraco da estatal; fala de Tombini afeta mercado de juros futuros, que passa a projetar alta de 0,25 p.p., da Selic

SÃO PAULO – O Ibovespa conseguiu fechar em alta nesta terça-feira (19), mas ficou bem longe da máxima do dia, ficando praticamente estável. Durante a manhã, o índice chegou a disparar 2,4%, em meio a expectativa de estímulos na China após dados fracos da atividade econômica no país. Contudo, o índice acabou amenizando depois do petróleo virar de uma alta expressiva para uma forte queda. As ações da Petrobras caíram, fazendo pressão no benchmark. 

O Ibovespa fechou com leves ganhos de 0,32%, a 38.057 pontos, com um volume financeiro de R$ 4,129 bilhões. Já o dólar comercial encerrou o pregão com alta de 0,51%, cotado a R$ 4,0529 na compra e R$ 4,0549 na venda, enquanto o dólar futuro para fevereiro teve alta de 0,62% a R$ 4,079. Lá fora, as bolsas europeias fecharam todas em forte alta, enquanto os índices norte-americanos viraram para queda perto do fim do pregão, atrapalhando o desempenho da Bolsa por aqui.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caiu 18 pontos-base a 15,42%, com o mercado refletindo a chance de alta de 0,25 p.p. na Selic amanhã. Enquanto isso, o DI para janeiro de 2021 virou para forte alta de 21 pbs a 16,67%. Segundo a Bloomberg, a precificação de alta da Selic caiu de 45,5 pbs para 35,9 pbs, sendo que agora, a curva mostra uma chance maior de 25 pbs de alta. Isso em meio a rumores de que a cúpula do PT promete reagir e fazer duras críticas ao governo, caso os juros subam. As notícias são de que a presidente Dilma Rousseff conversou ontem com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini em uma reunião que não constou da agenda oficial.

Saíram também rumores de que o governo espera que o Banco Central eleve a taxa de juros em 0,25 ponto percentual e não 0,5 como espera a maior parte dos economistas. Vale lembrar que hoje é o primeiro dia da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que vai definir a Selic amanhã. No entanto, segundo o sócio-presidente da Canepa Asset, Alexandre Póvoa, uma elevação de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Copom amanhã teria o mesmo efeito de “enxugar gelo”.

“A decisão mais correta tecnicamente seria subir muito juros, para gerar um choque de expectativas ou não subir nada, mas com um discurso forte. Hoje em dia, subir 0,25 não tem nenhum impacto prático”, afirma, lembrando que a demanda agregada da economia já está muito pressionada e um grande componente da inflação atual é inercial. 

Petróleo
Hoje o dia parecia de recuperação do petróleo, mas o repique acabou ficando para trás com uma forte virada das cotações. Após a commodity voltar a cair ontem diante do levantamento das sanções que caíam sobre o Irã por conta do seu programa nuclear, o petróleo chegou a ter uma sensível valorização, mas, no fim, o barril do WTI (West Texas Intermediate) caiu 3,60% a US$ 28,35, enquanto o barril do Brent se manteve em alta de 0,81% a US$ 28,78.

FMI e Tombini
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, avalia como “significativas as revisões das projeções de crescimento para o Brasil em 2016 e 2017”, feitas hoje pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). “Todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado”, disse o presidente do BC.

A fala de Tombini acabou gerando grande confusão no mercado, com diversos economistas tentando avaliar qual pode ser a decisão do Copom nesta quarta. As declarações do presidente do BC aliadas com o relatório do FMI fizeram com que muitos especialistas mudassem suas expectativas para baixo, com alguns acreditando até na manutenção da Selic.

Veja mais: Comunicado inédito deixa ex-diretores do BC perplexos e indica: alta do juro subiu no telhado

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O FMI prevê contração maior do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2016, de -1,0% para -3,5%. A instituição revisou também projeção PIB 2017 de +2,3% para um cenário estagnação. O cenário apresentado hoje pelo FMI mostrou um pessimismo maior do que a pesquisa Focus divulgada ontem, que trouxe expectativa para o PIB em -2,99% em 2016 e em +1% em 2017.

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Ações em destaque
Os papéis da Vale (VALE3, R$ 9,18, +3,26%; VALE5, R$ 7,04, +1,29%) subiram forte nesta sessão. A presidente Dilma recebeu o presidente da Vale, Murilo Ferreira. Segundo o jornal O Globo, o governo se dispôs a negociar um acordo com a mineradora, que ao lado da BHP é dona da Samarco, para a recuperação do Rio Doce. Conforme ressalta o Valor Econômico, um eventual acordo para a recuperação do rio, onde toda a lama da tragédia de Mariana (MG) foi despejada em novembro, é uma alternativa à ação civil que pede R$ 20 bilhões das mineradoras em razão do acidente. Por decisão liminar da Justiça, a Samarco terá de pagar até o final de janeiro R$ 2 bilhões.

Também impactou a mineradora a terceira alta seguida do minério de ferro. Hoje, a commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 0,28% a US$ 42,78 a tonelada.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 OIBR4 OI PN1,50+5,63-23,089,34M
 SMLE3 SMILES ON28,84+4,12-17,1322,54M
 CCRO3 CCR SA ON11,55+4,05-7,9755,57M
 VALE3 VALE ON9,18+3,26-29,55102,97M
 ABEV3 AMBEV S/A ON16,75+3,14-6,16160,65M

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,15, -2,38%; PETR4, R$ 4,66, -2,92%) viraram para queda após tentarem um alívio pela manhã. Os papéis terminaram ontem atingindo a incômoda marca do primeiro fechamento abaixo dos R$ 5,00 desde 2003. No radar, a estatal teria duas propostas para compra de sua operação na Argentina – a Petrobras Energía. Conforme conta a colunista Maria Cristina Frias, da Folha de S. Paulo, a Pampa – maior companhia do setor elétrico argentino – já ofereceu US$ 1,2 bilhões e a estatal YPF, US$ 1,5 bilhões. As expectativas são de que o negócio seja fechado ainda no primeiro trimestre deste ano.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 RUMO3 RUMO LOG ON2,44-18,67-60,9010,94M
 HGTX3 CIA HERING ON12,24-6,35-19,5310,27M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON3,77-5,75-25,939,17M
 CMIG4 CEMIG PN4,29-4,67-28,1533,66M
 GOAU4 GERDAU MET PN1,05-4,55-36,757,87M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN4,66-2,92319,19M312,06M39.351 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN23,40-1,02239,14M364,29M25.517 
 VALE5 VALE PNA7,04+1,30207,44M191,92M27.447 
 BBDC4 BRADESCO PN17,22+0,70163,19M202,70M17.372 
 ABEV3 AMBEV S/A ON16,75+3,14160,65M195,04M22.696 
 RADL3 RAIADROGASIL ON37,66+1,65106,78M72,87M9.295 
 VALE3 VALE ON9,18+3,26102,97M68,57M18.666 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON10,53+1,2595,60M96,86M14.347 
 CTIP3 CETIP ON36,91-2,8793,18M79,14M8.301 
 BRFS3 BRF SA ON47,15+0,9092,65M140,59M6.119 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Também foi destaque de queda a ação da Hering (HGTX3, R$ 12,24, -6,35%). A receita bruta da companhia foi de R$ 607,9 milhões no quarto trimestre, queda anual de 0,7%, informou a varejista nesta segunda-feira, acrescentando que o desempenho foi pressionado pelo canal multimarcas.

Na Hering Store, principal rede de lojas da companhia, as vendas caíram 3,3%. Considerando o critério mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses), as vendas diminuíram 5,1%. A empresa abriu 38 lojas e encerrou 25 unidades em 2015, contabilizando 840 pontos de venda ao final de 2015. Segundo o Santander, a companhia teve vendas fracas no quarto trimestre, embora em linha com estimativas. Os dados confirmam “nossa expectativa de uma temporada de resultados fracos para Hering e destacamos que a ação continua a perder
ímpeto”, destacam os analistas. 

China
O PIB (Produto Interno Bruto) da China mostrou crescimento de 6,8% no 4º trimestre de 2015, revelou o governo do país na madrugada de segunda para terça. O resultado veio levemente abaixo do que esperavam os economistas, cuja média das projeções apontava expansão de 6,9%, segundo pesquisa da Bloomberg. No acumulado em 2015, a segunda maior economia do mundo mostrou expansão de 6,9%, desacelerando em relação ao resultado de 2014 (+7,3%), além de também ter sido seu pior resultado desde 1990, revelam os dados oficiais. O resultado, no entanto, ficou praticamente em linha com os 7% estimados pelo governo chinês.

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Outro indicador aguardado na madrugada desta terça-feira, a produção industrial mostrou alta de 5,9% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2014, abaixo das estimativas dos analistas (+6,0%) e do resultado de novembro (+6,2%). As vendas de varejo também ficaram aquém do esperado: 11,1% na mesma base comparativa, contra estimativa de 11,3%. 

Barbosa diz que governo não precisa socorrer a Petrobras
O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que a política econômica do governo está focada em melhorar a situação fiscal para estimular o crescimento do PIB. Ele disse também que o governo não vê necessidade de socorrer financeiramente a Petrobras este ano. Barbosa chega hoje à Suíça e se reúne com o representante permanente do Brasil junto à OMC (Organização Mundial do Comércio), o embaixador Marcos Bezerra Abbott Galvão.

Governo limita em R$ 135,6 bilhões as despesas até fevereiro
Até 12 de fevereiro, o governo federal poderá gastar R$ 135,6 bilhões. O montante consta de decreto publicado hoje em edição extraordinária do Diário Oficial da União limitando os gastos federais até a definição da programação orçamentária para este ano. De acordo com o Ministério do Planejamento, que publicou nota explicando os cortes orçamentários, o montante equivale a um doze avos do orçamento de cada ministério e órgão do Poder Executivo. O limite valerá tanto para despesas discricionárias (não obrigatórias) quanto para gastos obrigatórios. Em relação aos gastos discricionários, o decreto limita o total a R$ 11,02 bilhões. Desse total, R$ 2,560 bilhões são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 753,6 milhões relativos a emendas parlamentares impositivas e R$ 7,703 bilhões de demais despesas discricionárias.