Bolsa

Ibovespa acelera perdas e cai abaixo dos 40 mil pontos pela 1ª vez desde 2009

Repique fica para trás seguindo a sequência de quedas que tomou a Bovespa na semana passada em meio à volatilidade do mercado chinês

SÃO PAULO – O Ibovespa acelera perdas nesta segunda-feira (11) pressionado pela virada dos ativos da Petrobras e Vale, que já recuam mais de 2%. O índice tem queda mais acentuada que as bolsas dos Estados Unidos, seguindo a perda de força também verificada no exterior. O índice da bolsa de Xangai caiu mais 5% hoje. No cenário doméstico, o Banco Central reforça o compromisso com a convergência da inflação para a meta em 2016, após o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) terminar 2015 em 10,67% de avanço. 

Às 17h04, o benchmark da bolsa brasileira tinha perdas de 1,64%, a 39.946 pontos. Já o dólar comercial virou para alta de 0,32% a R$ 4,0533, enquanto o dólar futuro para fevereiro tem alta de 0,63% a R$ 4,075. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 7 pontos-base a 15,60%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 vira para alta de 3 pontos-base a 16,36%.

Segundo o estrategista da XP Investimento Celson Plácido, o sentimento de cautela volta a atingir o mercado por conta do cenário chinês. O movimento pela manhã poderia estar relacionado a um repique diante das recentes quedas do índice, mas que foi apagado com a abertura das bolsas nos EUA e por conta da forte derrocada do petróleo, que nesta segunda recua mais de 3% e volta a se aproximar dos US$ 30,00.

Após a inflação estourar, e muito, o teto da meta de 6,5% ao ano, o BC enviou carta ao Ministério da Fazenda dizendo que adotará medidas para convergir o IPCA à meta em 2017. “Não obstante o esforço de política monetária já realizado, vale reiterar que, nas atuais circunstâncias, a política monetária deve manter-se vigilante para conter eventuais”, diz a carta. 

Além disso, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse: “o Banco Central tem a taxa de juros básica da economia e esse é um instrumento que vem se utilizando e se utilizará, quando necessário, para trazer a inflação para a meta de 2017 e para fazê-la passar por debaixo de 6,5% neste ano”.

A presidente Dilma Rousseff está convencida de que não é possível tergiversar no controle de preços, que prejudica principalmente os mais pobres, segundo o Globo, que cita interlocutores da presidente

China
O BC chinês “confundiu” o mercado ao orientar a taxa referencial do yuan muito mais forte. Embora o movimento possa acalmar as preocupações sobre uma desvalorização competitiva, ela só acrescenta confusão ao mercado sobre a intenção de Pequim em relação à sua política cambial.

O movimento foi uma aparente reversão da tendência recente de enfraquecimento da taxa referencial, que incluiu a maior queda de um dia em cinco meses no dia 7 de janeiro.

Hoje, o Banco Central da China determinou a taxa referencial mais alta do yuan pela segunda vez seguida, a 6,5626, contra taxa anterior de 6,5636 por dólar, quando o regulador cambial aliviou temores sobre a depreciação da moeda chinesa. A decisão foi uma aparente reversão da recente tendência de enfraquecimento da taxa referencial, que incluiu a maior queda diária em cinco meses em 7 de janeiro.

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Vai ser difícil crescer 6,5% ao ano entre 2016-2020
China vai encarar grande dificuldade para alcançar crescimento econômico superior a 6,5% no período de 2016 a 2020 devido à desaceleração da demanda global e ao aumento dos custos trabalhistas no país, disse o presidente do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento do Conselho de Estado, Li Wei, segundo um jornal.

Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 oscilou de uma retração de 2,95% para uma de 2,99%, mas foi projetada para 2017 em um crescimento de 0,86%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 6,93% este ano.

Barbosa aponta para medidas
Em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, o ministro da Fazenda,  Nelson Barbosa, afirmou que anunciará ainda em janeiro medidas como a utilização de bancos públicos e do FGTS em linhas de crédito para construção civil e pequenas e médias empresas. Segundo ele “governo vai usar recursos disponíveis no Banco do Brasil, no BNDES, na Caixa e no FGTS para “expandir crédito em atividades prioritárias, como habitação, saneamento e capital de giro de pequena e média empresa”. Para reativar economia, BNDES, BB e Caixa podem usar quase R$ 50 bilhões de devolução das ‘pedaladas’ fiscais.

Ainda no radar, o governo debate o uso de parte das reservas internacionais, atualmente em US$ 369 bilhões, para abater a dívida bruta do país, o que acreditam que melhoraria a situação fiscal e ajudaria a baixar os juros, sem aumentar a inflação. A ideia agrada o Planalto, e o movimento deveria ocorrer quando a economia der sinais de melhora.

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Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 7,57, -3,69%; PETR4, R$ 6,09, -2,87%) caem pressionadas pelo petróleo, que tem mais um dia de queda. O barril do WTI (West Texas Intermediate) recua 6,48% a US$ 31,02, enquanto o barril do Brent cai 6,78% a US$ 31,62. 

Segundo o Morgan Stanley, uma rápida depreciação da moeda chinesa, o yuan, poderia pressionar os preços do petróleo para a casa dos 20 dólares o barril. A instituição financeira vê a entrada de nova oferta, proveniente do Irã, como algo que deverá manter o mercado com excesso de suprimento ao longo de 2016, sem novidades em relação ao atual cenário. “A sobreoferta levará o petróleo para faixas de preço que deverão desacelerar investimentos, mas isso não muda o nível das cotações”, disseram os analistas do Morgan Stanley, adicionando que fatores não-fundamentais, como o dólar, vão continuar a guiar os preços.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N219,58-5,77
 RUMO3 RUMO LOG ON4,09-4,88
 SMLE3 SMILES ON29,24-4,85
 CIEL3 CIELO ON33,57-4,09
 BRAP4 BRADESPAR PN3,93-3,91

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A Vale (VALE3, R$ 10,15, -3,70%; VALE5, R$ 7,87, -4,02%) também registra perdas, depois dos contratos futuros do minério de ferro negociados na China caírem quase 3% sob pressão de expectativas de novos cortes de produção por parte dos produtores de aço e controles ambientais mais rigorosos.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 QUAL3QUALICORP ON14,02+2,56
 BRKM5BRASKEM PNA27,65+2,14
 ESTC3ESTACIO PART ON12,89+1,90
 SBSP3SABESP ON17,11+1,72
 JBSS3JBS ON11,39+1,70

 

Entre as maiores altas também estava a Sabesp (SBSP3, R$ 17,11, +1,72%) após a empresa assinar protocolo com Guarulhos para equacionar dívidas. Na sexta-feira, a companhia celebrou um protocolo de intenções com o município de Guarulhos para elaborar estudos e avaliações com o objetivo de equacionar dívidas existentes e as relações comerciais entre as duas partes. No início de 2015, advogados da empresa afirmaram que estudavam cobrar na Justiça da cidade uma dívida de aproximadamente R$ 140 milhões. Eles apontavam, na época, que a prefeitura não pagava as mensalidades previstas em contrato desde março de 2014.

Lava Jato
Apesar do período de recesso, a Lava Jato reemerge como centro das atenções com denúncias envolvendo Jaques Wagner e Eduardo Cunha. No fim de semana, o Estado de S. Paulo ainda informou que Marcos Valerio, preso por envolvimento no Mensalão, poderá fazer delação premiada.

EUA
Com aumento dos juros americanos já em curso, Livro Bege do Fed sai na quarta-feira. Dirigentes do BC americano como Lockhart, Lacker e Dudley falam ao longo da semana. Entre indicadores, destaques para vendas no varejo, PPI, produção industrial e sentimento de Michigan. Hoje sai balanço da Alcoa 

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