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Ibovespa acelera baixa na reta final e cai 0,7% seguindo EUA em meio às tensões com Irã; dólar vai a R$ 4,05

Mercado termina a sessão com perdas, mas não apaga alta semanal construída no pregão passado

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em baixa nesta sexta-feira (3) em meio às tensões entre EUA e Irã, mas terminou a semana com ganhos de 1,01%, impulsionado principalmente pelo desempenho na sessão de ontem, quando o índice subiu 2,5% diante das boas notícias vindas da China e queda no Risco-Brasil. Já o dólar teve sua maior alta em duas semanas no pregão de hoje e acabou registrando leves ganhos de 0,14% no acumulado dos últimos cinco dias.

No radar desta sexta, a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) chegou a afastar o mercado brasileiro da baixa e o Ibovespa teve leves ganhos no intraday, chegando a bater máxima histórica ao subir 0,14%, para 118.791 pontos. No entanto, o temor dos investidores de ficarem posicionados no fim de semana, quando o conflito EUA-Irã pode ter desdobramentos, fortaleceu a força vendedora no leilão de fechamento, fazendo com que o índice deixasse de operar próximo à estabilidade para fechar em queda.

O Ibovespa teve baixa de 0,73%, a 117.706 pontos com volume financeiro negociado de R$ 28,927 bilhões. O desempenho foi parecido com o dos índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq, dos EUA, que recuaram entre 0,7% e 0,8%.

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Enquanto isso, o dólar comercial teve alta de 0,74% a R$ 4,0548 na compra e a R$ 4,0555 na venda. O dólar futuro com vencimento em fevereiro registra ganhos de 0,87%, a R$ 4,065.

Entre os juros futuros, o DI para janeiro de 2022 ficou estável a 5,25%, o DI para janeiro de 2023 avançou um pontos-base a 5,78% e o DI para janeiro de 2025 registra alta de quatro pontos-base a 6,42%.

A grande notícia do dia foi o ataque americano com drones que matou o general da Guarda Revolucionária Iraniana, Qassem Soleimani, considerado o militar mais importante do Irã. A ação, que ocorreu no Iraque, foi autorizada pelo presidente Donald Trump, e eleva as tensões geopolíticas na já conturbada região do Oriente Médio.

Primeira commodity a sentir qualquer impacto nesse sentido, o petróleo disparou hoje. O barril do Brent – petróleo usado como referência pela Petrobras – subiu 3,5% a US$ 68,60 e o barril do WTI avançou 2,94% a US$ 62,98.

Como esperado, o Irã afirmou que vai retaliar o ataque americano. O líder supremo do regime teocrático, o grão-aiatolá Ali Khamenei, escreveu no Twitter que “uma vingança severa” aguarda os que “sujaram suas mãos com o sangue do general e de outros mártires”.

Philip Smyth, especialista em xiismo iraniano e militarismo em Washington, disse à CNBC News que a ação militar desfechada pelos EUA foi “o maior golpe de decapitação já feito pelos Estados Unidos” na região.

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Federal Reserve

Na agenda econômica, o destaque ficou para a ata do Fomc, em que os membros do Comitê destacaram que a taxa de juros atual é apropriada por algum tempo na falta de mudanças expressivas.

A avaliação dos analistas é de que a mensagem geral do texto foi dovish (avessa a uma alta de juros), com o banco central pouco preocupado com um aumento da inflação por conta do baixo desemprego. Ao contrário, o medo é justamente de que a inflação fique abaixo da meta de 2% ao ano.

Nesta sessão, diversos nomes da autoridade monetária também comentaram sobre o conflito entre EUA e Irã.  A presidente da autoridade monetária do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester, minimizou as preocupações a respeito do impacto econômico das tensões entre os dois países. “Essa é uma das melhores coisas sobre a economia americana: ela é muito resiliente”, afirmou.

O presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, por sua vez, disse que a economia pode continuar a crescer mesmo enquanto a indústria se contrai. “Creio que tenhamos uma economia muito resiliente no momento”, destacou. Ele defendeu que o banco central dos EUA mantenha as taxas de juros baixas por tempo o suficiente para levar a inflação acima da meta.

Indicadores

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) relativo à última semana de dezembro nas sete capitais brasileiras onde pesquisa os preços. O IPC-S geral foi de 0,77% na semana encerrada em 31 de dezembro, 0,09% inferior à semana anterior encerrada em 22 de dezembro.

Os preços cederam em São Paulo (de 1,17% para 0,90%), Brasília (de 1,16% para 0,82%) e Belo Horizonte (de 0,64% para 0,55%). Já em outras quatro capitais os preços aceleraram: Rio de Janeiro (de 0,98% para 0,99%), Salvador (de 0,64% para 0,78%), Recife (de 0,39% para 0,42%) e Porto Alegre (de 0,51% para 0,53%). A próxima divulgação do IPC-S regional será no dia 9 de janeiro, informou o Ibre da FGV.

Noticiário corporativo 

O Carrefour Brasil (CRFB3) comunicou ontem à CVM que sua subsidiária Atacadão, que atua no comércio atacadista, fez um empréstimo de 325 milhões de Euros (R$ 1,46 bilhão) na financeira Carrefour Finance S.A., com sede na Bélgica. Segundo o Carrefour Brasil, o empréstimo ao Atacadão é destinado a “finalidades corporativas gerais”. Já o Banco Pine comunicou aos seus acionistas que o Banco Central aprovou o seu aumento de capital para R$ 1,2 bilhão.

De acordo com a coluna do Broad, do Estadão, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve se desfazer de sua fatia de 10% das ações ordinárias (com direito a voto) na Petrobras (PETR4), por meio de uma oferta subsequente (follow on) no dia 04 de fevereiro.

Conforme o cronograma previsto até aqui, o início do roadshow, como são chamadas as reuniões com os potenciais investidores, está previsto para o dia 22 de janeiro. A fatia de ações ordinárias detidas pelo banco de fomento vale cerca de R$ 24 bilhões. Além das ações ordinárias, o BNDES possui cerca de R$ 30 bilhões em ações preferenciais da petroleira, que serão vendidas em operações em bolsa.

A petroquímica Braskem (BRKM5) comunicou ao mercado nesta sexta-feira que assinou um termo de acordo com a Defensoria Pública do Estado de Alagoas, com o Ministério Público Federal (MPF), com o Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL) e com a Defensoria Pública da União (DPU) para apoio na desocupação e compensação aos moradores das áreas de risco localizadas nos bairros de Mutange, Bom Parto, Pinheiro e Bebedouro, em Maceió.

O acordo ainda será submetido a homologação judicial e a projeção é que envolva cerca de 17 mil pessoas. A Braskem informou que prevê um gasto de R$ 1,7 bilhão no Programa de Compensação Financeira e Realocação, e outros R$ 1 bilhão para o fechamento dos poços de sal da companhia.

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