Venda no Brasil

HSBC confirma que venderá operação no Brasil, diz o porquê e estima economia de US$ 5 bi

Durante a atualização das perspectivas do banco anunciada em evento para investidores na capital britânica, o HSBC reafirmou que pretende vender as operações no Brasil e Turquia; a saída do mercado brasileiro, porém, não será completa

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SÃO PAULO – O banco HSBC confirmou que venderá a filial de varejo no Brasil, mas pretende manter alguma presença no País para atender grandes corporações. Em apresentação aos investidores, a casa explica a saída do mercado brasileiro com a lembrança de que, para ser um dos três maiores, teria de multiplicar o total de ativos por seis no País. O redimensionamento do banco, que também atinge outros mercados e áreas de negócios, permitirá à casa estar “alinhada com as maiores zonas econômicas e de comércio do mundo”.

Durante a atualização das perspectivas do banco anunciada em evento para investidores na capital britânica, o HSBC reafirmou que pretende vender as operações no Brasil e Turquia. A saída do mercado brasileiro, porém, não será completa. “Planejamos manter presença no Brasil para atender grandes clientes corporativos com respeito às necessidades internacionais”, diz o comunicado do banco divulgado em Londres.

No material que será apresentado ainda esta manhã aos investidores, o banco nota que a revisão da presença do banco “atinge mercados com conectividade limitada; com presença, mas desafio para ganhar escala ou que não atendam completamente aos requerimentos de risco e transparência”. O documento não cita qual o problema específico relacionado ao Brasil ou Turquia.

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Na apresentação, porém, é possível observar que um dos argumentos do HSBC é que, para ser o terceiro maior banco no Brasil e Turquia, a instituição teria de multiplicar os ativos em mais de seis vezes. Outro argumento é que as exportações dos dois países (US$ 225 bilhões no Brasil e US$ 169 bilhões na Turquia) são comparativamente menores que em outros mercados em que a casa seguirá com as portas abertas, como México (US$ 398 bilhões), Emirados Árabes Unidos (US$ 373 bilhões) e Índia (US$ 324 bilhões).

Enquanto arruma as malas no Brasil e Turquia, o HSBC anuncia que pretende “reconstruir a lucratividade no México”. Uma das intenções na segunda maior economia latino-americana é aproveitar as oportunidades criadas com o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, o Nafta. 

A principal aposta do HSBC, porém, está na Ásia. “O HSBC planeja desenvolver negócios no delta do Rio das Pérolas, na província de Guangdong (áreas da China) e na região da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático”, diz o comunicado. Entre as áreas que serão mais exploradas na região, estão a gestão de ativos e os seguros. Além disso, o banco quer aproveitar as oportunidades criadas pela internacionalização da moeda chinesa.

A venda das operações do HSBC Brasil e Turquia faz parte de um plano mais amplo da instituição financeira de reduzir o total de ativos. Segundo a estratégia da casa divulgada nesta madrugada, a instituição quer reduzir o total de ativos em cerca de um quarto. Com a adoção do plano, o HSBC pretende economizar até US$ 5 bilhões. A economia  deve ajudar no plano do HSBC, que promete entregar aos acionistas retorno sobre patrimônio maior que 10% em 2017.

De acordo com o comunicado divulgado esta madrugada aos investidores, o plano de redução das atividades passa pela diminuição do total de ativos ponderados do grupo em cerca de 25% e por direcionar esforços na direção de segmentos que ofereçam maior retorno. Uma dessas iniciativas citadas é diminuir a importância do segmento “Global Banking e Mercados” – ramo que atende grandes empresas – para menos de um terço do total de ativos do grupo.

O por que de sair do Brasil
A pequena abertura do Brasil ao comércio internacional e a falta de escala no mercado brasileiro explicam a decisão do HSBC de deixar o Brasil. A explicação foi dada nesta manhã pelo executivo-chefe do grupo financeiro, Stuart Gulliver. No México, ao contrário, o banco continuará de portas abertas. Para explicar a manutenção da outra filial latino-americana, o executivo argumentou que o “quadro é diferente no México, onde a economia é aberta e há 11 reformas em curso”.

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Durante evento para atualização do cenário para os investidores do HSBC, o principal executivo do grupo explicou com naturalidade a decisão de sair do Brasil. “Os negócios têm gerado resultado abaixo do esperado no Brasil, Turquia, México e Estados Unidos. O que vamos fazer é vender o Brasil e a Turquia e mudar no México e EUA”, disse Gulliver, ao ressaltar que a filial brasileira do HSBC vai se restringir a uma pequena operação para atender grandes empresas. “Vamos manter uma modesta presença no Brasil”.

A venda da filial do Brasil acontece diante de dois principais problemas. O primeiro é estrutural e diz respeito à falta de abertura comercial do País. “Brasil e Turquia são economias mais fechadas com pequeno porcentual das exportações sobre o Produto Interno Bruto”, disse. Números apresentados pelo executivo mostram que as exportações brasileiras, por exemplo, respondem por 10% do PIB. O mesmo indicador está em 31% no México, 23% na China e 16% na Índia.

Outro problema é do próprio banco. No Brasil e Turquia, o HSBC sofre com a falta de escala. Para ser o terceiro maior banco dos dois mercados, o executivo explicou que as filiais teriam de multiplicar o total de ativos em mais de seis vezes. Na apresentação na capital britânica, Gulliver mostrou um quadro em que mostra o HSBC Brasil com US$ 63 bilhões de ativos em dezembro de 2014. Em sexto lugar no ranking dos maiores bancos no mercado brasileiro, o HSBC está muito atrás do Santander – o quinto – que somava US$ 225 bilhões.

México
O tom para falar sobre a segunda maior economia da América Latina foi completamente distinto. “O quadro é diferente no México, onde a economia é aberta e há 11 reformas em curso”, disse o executivo que destacou que a participação das exportações no PIB mexicano supera até a da China. “É lógico estarmos no México, uma economia aberta, com reformas e ligada aos EUA”, argumentou.

Gulliver destacou positivamente a execução de reformas estruturais pelo governo de Enrique Peña Nieto, como as mudanças no segmento de telecomunicações e petróleo e gás, o que deve acelerar o crescimento da economia mexicana. “Isso é transformação”, resumiu o executivo, ao lembrar que o México também tem sido destino de volumes crescentes de investimentos com o objetivo de exportar para os EUA como no segmento de automóveis e na indústria aeroespacial.

Corte de empregos
O HSBC informou que pretende cortar entre 22 mil e 25 mil empregos como parte da reestruturação para melhorar a rentabilidade de suas operações globais.

No final de 2014, o banco britânico tinha cerca de 258 mil funcionários em regime de tempo integral. Pelo mundo, o HSBC cortará quase 50 mil postos de trabalho, sendo que metade desses cortes virão das vendas dos negócios no Brasil e na Turquia. A outra metade virá de um corte de cerca de 10% do restante dos seus 233 mil funcionários com a consolidação de operações de tecnologia da informação e departamentos administrativos e o fechamento de agências bancárias.

(Com Agência Estado e Reuters) 

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