Mantega presidente da Vale (VALE3)? 5 pontos que mostram como esse evento segue improvável, apesar dos novos rumores

Notícias de uma possível indicação de Mantega como CEO da mineradora voltaram, mas analistas veem eleição improvável

Lara Rizério

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Os rumores não são exatamente novos, mas ganharam força nos últimos dias. A notícia de Marcio Pochmann no comando do IBGE reacendeu os rumores de que a  ala mais à esquerda do PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quer indicar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para ser diretor-presidente da Vale (VALE3), algo que faria os investidores da mineradora torcerem o nariz se concretizado.

Isso por conta da visão de interferência do governo em uma empresa privada, ao mesmo tempo em que a ida de Mantega para a presidência da mineradora poderia fazer com que o governo tentasse fazer políticas de governo usando a empresa diretamente para tanto. Além de tudo isso, pesa contra a falta de experiência do ex-ministro da Fazenda no setor.

Porém, em análise, o Bradesco BBI destacou cinco pontos para mostrar como esse evento seria altamente improvável, conforme destacado a seguir:

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1. O Previ (fundo de pensão estatal do Banco do Brasil e veículo pelo qual o governo poderia exercer pressão direta sobre o conselho da Vale) reduziu a participação acionária e a relevância do conselho nos últimos anos. Ou seja, a influência do governo está bem menor.

2. O Conselho de Administração da Vale, a composição do capital (100% de ações ordinárias, listadas no Novo Mercado) e a estrutura acionária fornecem proteção natural contra ingerência política, especialmente porque tal mudança exigiria maioria de votos, apontam os analistas.

Atualmente, o Conselho de Administração da Vale é composto por 13 membros, sendo 8 independentes e 5 não independentes. Dos 5 membros não independentes, um é indicado pela Mitsui, um pela Bradespar (BRAP4), um pela Previ, um pelos empregados da Vale e um é ex-presidente da Previ.

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3. Os analistas ainda apontam acreditar que o Conselho da Vale não aprovaria a eleição de nenhum candidato a executivo que não tenha experiência extensa e material no setor privado e/ou no setor de mineração.

4. Os analistas também destacam a estrutura acionária atual: Capital Group com cerca de 7% (dados de maio), Previ 8,7%, Mitsui 6,3%, Blackrock 6,1%, Cosan 4,9%, Bradespar 3,7%, ações do Tesouro 4,3% e outros investidores minoritários com cerca de 60%.

5. O contrato de Eduardo Bartolomeo (atual CEO da Vale) expira em maio de 2024 e os analistas acreditam que os acionistas apoiariam uma extensão do contrato, embora ainda seja muito cedo para dizer.

Destacando esses cinco fatores, o BBI também reforçou ter recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para a ação da Vale, vendo a empresa no caminho certo para entregar melhores resultados operacionais nos próximos trimestres, com aumento da produção de minério de ferro e redução de custos.

Outro ponto para ficar de olho é pressão de agentes de mercado e de partidos que formam parte da coalizão contra o nome de Mantega. Cabe ressaltar que, em novembro de 2022, antes de Lula tomar posse, Mantega renunciou a um cargo na equipe do gabinete de transição do governo.

Na época, quando o seu nome foi anunciado, houve repercussão negativa entre integrantes do mercado financeiro e de partidos de centro que apoiaram a candidatura de Lula contra Jair Bolsonaro.

O ex-ministro está inabilitado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a exercer cargo em comissão ou função de confiança na administração pública federal por punição envolvendo pedaladas fiscais.

Em análise no fim de junho,  Mateus Haag, analista da Guide Investimentos, apontou também ver a indicação como improvável e que, apesar disso, a notícia do interesse do governo em influenciar nas decisões da Vale não é bem recebida, sendo mais um fator de ruído para o mercado.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.