Governo faz 9 “vítimas” na Bolsa com mudança em desoneração da folha; veja mais

Confira aqui os principais destaques da Bolsa nesta sexta-feira

Paula Barra

Publicidade

SÃO PAULO – As ações das educacionais voltaram a desabar nesta sexta-feira após notícias de restrição do Fies (programa de financiamento estudantil) pelo Ministério da Educação, enquanto “efeito Levy” fez nove vítimas na Bolsa. Já os papéis da Petrobras subiram em meio à alta dos preços do petróleo no mercado internacional. Fora do Ibovespa, chamaram atenção os papéis da Arteris, que desabaram após resultado fraco no quarto trimestre e, posterior, cortes na recomendação, e Magazine Luiza, que caía forte após o governo suspender o programa “Minha Casa Melhor”. Confira abaixo os principais destaques do dia:

As ações que caíram com “efeito Levy”
As medidas anunciadas pelo governo nesta manhã, que trouxeram até um certo otimismo no mercado por conta de um efeito positivo das medidas no cumprimento da meta do superávit fiscal do governo neste ano, tornou-se negativa nesta tarde após as falas de Joaquim Levy, ministro da Fazenda, mostrar que para alcançar isso não vai poupar a lucratividade das empresas, que será reduzida pelo aumento da carga tributária. Mais cedo, o governo anunciou a Medida Provisória 669, que muda a partir de junho o regime de desoneração da folha de pagamentos. 

Na Bolsa, o anúncio provocou um impacto bem negativo nas empresas do setor de tecnologia e construção civil, que passarão a recolher 4,5% sobre o faturamento em substituição à contribuição previdenciária e não mais 2%. Há, 56 segmentos que contam com o benefício da desoneração da folha. As empresas que tinham a alíquota em 1% passarão a pagar 2,5%. 

Continua depois da publicidade

Destaque hoje para queda das ações da Totvs (TOTS3, R$ 34,31, -5,33%) e Linx (LINX3, R$ 44,00, -8,03%), que atuam no segmento de desenvolvimento de software. Segundo a XP Investimentos, a MP pode reduzir em 10% o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dessas empresas. No segmento de tecnologia, foram pressionadas também Positivo (POSI3, R$ 2,15, -6,93%) e Bematech (BEMA3, R$ 10,98, -2,05%). No setor de construção civil, caíram forte hoje as ações da Direcional (DIRR3, R$ 5,61, -8,78%), Gafisa (GFSA3, R$ 2,10, -7,08%) e MRV Engenharia (MRVE3, R$ 6,80, -4,36%). A fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 24,90, -4,60%) também é impactada pela medida, assim como a empresa de autopeças Marcopolo (POMO4, R$ 2,24, -9,68%). As duas empresas tinham alíquota de 1% e passarão a pagar 2,5%. 

Petrobras (PETR3, R$ 9,48, +3,04%; PETR4, R$ 9,57, +3,24%)
As ações da Petrobras fecharam em forte alta em dia de reunião do conselho de administração. A empresa informou que seu conselho de administração aprovou, por
maioria, a eleicao do advogado Luiz Navarro para ocupar o cargo de Conselheiro
em substituicao ao Conselheiro Marcio Zimmermann. Contribuiu para o desempenho dos papéis os preços do petróleo no mercado externo. O Brent, negociado em Londres, subia 3,4%, a US$ 62,09, enquanto o WTI, do Texas, caía 2,35%, a US$ 49,30. 

Bancos
As ações dos bancos perdem força após fala de Joaquim Levy. Mais cedo, a Bolsa ganhou força com dados fiscais do governo. O setor público registrou um superávit primário de R$ 21,1 bilhões em janeiro. Na Bolsa,as ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,50, -1,06%) viraram para queda, enquanto Bradesco (BBDC3, R$ 37,34, +0,08%; BBDC4, R$ 37,60, -1,23%) opera entre perdas e ganhos. O Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,72, +3,09%) minimiza a alta vista mais cedo. 

Continua depois da publicidade

Educacionais
Segundo reportagem do Valor, o governo está limitando o volume de novos contratos do Fies (programa de financiamento estudantil). Cada instituição está conseguindo inscrever o equivalente a um terço do total de alunos que conseguiram no financiamento do ano passado. A medida pressiona as ações do setor, que já desabaram cerca de 10% na véspera: Ser Educacional (SEER3, R$ 10,80, -20,00%), Kroton (KROT3, R$ 10,39, -9,73%) Estácio (ESTC3, R$ 19,30, -3,69%) e Anima (ANIM3, R$ 16,02, -28,00%).

No caso da Anima, suas ações desabam mesmo após o resultado do quarto trimestre, divulgado ontem à noite, que teve boa leitura pelos analistas. A XP Investimentos destacou que a companhia manteve bom crescimento nos últimos trimestres, principalmente na base de alunos e receita, apesar de uma desaceleração no ganho de margem. 

Arteris (ARTR3, R$ 8,45, -28,09%)
As ações da Arteris desabam após balanço do quarto trimestre, que fez dois grandes bancos cortarem a recomendação de seus papéis. O Itaú BBA revisou a classificação da companhia para market perform (desempenho em linha com a média), enquanto o Santander passou para manutenção.  

Continua depois da publicidade

Além do resultado fraco, na visão do Brasil Plural, a companhia anunciou um incremento de capex (investimentos de bens de capital) na ordem de R$ 1,06 bilhão (26% do valor de mercado da companhia), que causou um corte de 19% no preço-alvo que o banco tinha para as ações da empresa. O target passou de R$ 13,50 para R$ 10,90. Segundo eles, a empresa tem acelerado seus investimentos, o que tem provocado um aumento da sua alavancagem, e que deve ser mais pressionada ainda por essa elevação do capex. No quarto trimestre, o índice dívida líquida/Ebitda (geração de caixa) da empresa bateu em 3,1 vezes, contra 2,3 vezes.  (Para conferir mais sobre o balanço da empresa, clique aqui). 

BRF (BRFS3, R$ 64,43, -3,84%)
A companhia de alimentos BRF viu seu lucro subir 335% no quarto trimestre de 2014 em relação ao mesmo período do ano anterior, saltando de R$ 228 milhões para R$ 991 milhões. No anualizado, o lucro da empresa mais que dobrou, passando de R$ 1,02 bilhão em 2013 para R$ 2,14 bilhões no ano passado (uma alta de 110%). 

Bloqueio das estradas é um “momento triste” para o País, diz Abilio Diniz (veja o que foi dito durante a teleconferência dos resultados)

Continua depois da publicidade

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 6,08, -7,60%)
As ações da Magazine Luiza caem hoje após resultado e anúncio de que o governo suspendeu o programa “Minha Casa Melhor”. No ano passado, foram desembolsados mais de R$ 3 bilhões no programa, mas a medida vem agora na tentativa do governo de conter os gastos. Na esteira, aparecem as ações da ViaVarejo (VVAR11, R$ 16,86, -5,81%), formada pela união de Ponto Frio e Casas Bahia. A companhia também participava do programa “Minha Casa Melhor”. 

Em relação ao balanço, a Magazine Luiza reportou um lucro líquido de R$ 39,3 milhões no quarto trimestre, resultado 19,2% maior em relação a igual período de 2013. A receita líquida aumentou 12% no trimestre, para R$ 2,77 bilhões. Já o Ebitda ficaram 33% maior entre outubro e dezembro do ano passado, somando R$ 175,4 milhões.

Cia Hering (HGTX3, R$ 17,81, +1,31%)
A Hering registrou lucro de R$ 109,2 milhões no quarto trimestre de 2014, valor 7,4% maior que o apurado no mesmo período de 2013. Essa melhora ocorre mesmo com queda de 0,5% na receita, que recuou para R$ 500,5 milhões. A companhia disse em relatório que o melhor desempenho ocorre devido ao maior volume de receita financeira proveniente de aplicações, resultado de maior caixa médio ao longo do ano e do aumento da taxa DI/Selic.