Governo eleva a 2,5% projeção para a alta do PIB em 2024, e vê inflação maior

De acordo com a secretaria, a nova previsão de crescimento para este ano não considera os impactos da calamidade provocada pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul

Reuters

Supermercado no Rio de Janeiro (REUTERS/Sergio Moraes)

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A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda melhorou de 2,2% para 2,5% sua projeção para o crescimento econômico do Brasil em 2024, ao mesmo tempo em que passou a enxergar uma pressão de preços maior neste ano, mostrou boletim divulgado nesta quinta-feira.

A pasta também informou que sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 está em 2,8%, mesmo patamar estimado em seu boletim macrofiscal anterior, divulgado em março.

De acordo com a secretaria, a nova previsão de crescimento para este ano não considera os impactos da calamidade provocada pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul.

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“A magnitude do impacto depende da ocorrência de novos eventos climáticos, de transbordamentos desses impactos para estados próximos e do efeito de programas de auxílio fiscal e de crédito nas cidades atingidas pelas chuvas”, disse a SPE no documento.

A secretaria avaliou que o PIB do Rio Grande do Sul, com peso aproximado de 6,5% no PIB brasileiro, deverá registrar perdas principalmente no segundo trimestre, parcialmente compensadas ao longo dos trimestres posteriores.

Para a SPE, atividades ligadas à agropecuária e indústria de transformação deverão ser as mais afetadas na medição da atividade a nível nacional, porque são mais representativas no PIB do Rio Grande do Sul que a média do PIB brasileiro.

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As projeções do SPE para o PIB do país seguem mais otimistas que as do mercado, que aposta em uma alta de 2,09% neste ano e 2,00% em 2025, segundo o boletim Focus do Banco Central. Em 2023, o PIB brasileiro cresceu 2,9%, impulsionado por uma safra recorde de grãos e forte resultado das indústrias extrativas, com destaque para petróleo e minério de ferro.

De acordo com a SPE, a melhora na projeção de atividade refletiu “crescimento robusto” das vendas no varejo e dos serviços, aumento na geração de empregos e expansão das concessões de crédito, além de uma maior contribuição do setor externo diante da depreciação cambial.

“Os sinais de recuperação do investimento, baseados na expansão de indicadores de atividade na construção civil e no crescimento das importações de bens de capitais, também auxiliaram nesse sentido”, apontou.

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A pasta revisou para baixo as projeções para 2024 na agropecuária (de -1,3% para -1,4%) e na indústria (de +2,5% para +2,4%), mas os recuos foram mais que compensados por uma reavaliação para cima da estimativa de desempenho para o setor de serviços (de +2,4% para +2,7%).

A atualização oficial dos dados elaborados pela SPE serve como base para que o governo revise a estimativa para a trajetória de suas receitas e despesas e projete se deve cumprir as regras fiscais para o ano, já que o desempenho da economia influencia a arrecadação de impostos. A avaliação é feita a cada dois meses.

O documento com os prognósticos fiscais será apresentado pela equipe econômica na próxima semana. Na divulgação de março, a Fazenda apontou necessidade de bloquear R$ 2,9 bilhões do Orçamento para cumprir o limite de despesas do arcabouço fiscal, apesar de as contas estarem dentro da margem de tolerância da meta fiscal.

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Inflação mais alta

Em relação à inflação, a SPE passou a ver alta de 3,70% do IPCA este ano, acima da previsão de 3,50% do último boletim. Para o ano que vem, a previsão para a alta dos preços foi calculada em 3,20%, ante 3,10% previstos em março.

A meta estipulada pelo governo para a inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Nesse caso, a SPE informou ter incorporado às suas projeções os impactos da catástrofe no Rio Grande do Sul.

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“O aumento nas estimativas para a inflação captura tanto os efeitos da depreciação cambial recente nos preços livres como os impactos das fortes chuvas no Rio Grande do Sul na oferta e nos preços de produtos in natura, arroz, carnes e aves”, disse.

Para a secretaria, os preços desses alimentos devem subir de maneira mais pronunciada nos próximos dois meses, mas parcela relevante desse aumento deve ser devolvida nos meses seguintes, com a normalização da oferta.

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