Políticas restritas

Governo chinês se reúne com bancos para acalmar mercado após restrições ao setor de educação

Alguns banqueiros saíram do encontro com mensagem de que políticas do setor educacional eram específicas e que não pretendiam prejudicar outros segmentos

Bandeiras da China ao vento
(Shutterstock)

(Bloomberg) — A agência reguladora de valores mobiliários da China convocou uma reunião virtual com executivos de grandes bancos de investimento na noite de quarta-feira para tentar acalmar o mercado depois do anúncio de medidas restritivas do governo para o setor de educação privada.

A reunião improvisada, que incluiu representantes de vários grandes bancos internacionais, foi liderada por Fang Xinghai, vice-presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC, na sigla em inglês), disseram pessoas a par do assunto, que não quiseram ser identificadas. Alguns banqueiros saíram da reunião com a mensagem de que as políticas do setor educacional eram específicas e que não pretendiam prejudicar empresas de outros segmentos, disseram as pessoas.

A CSRC não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

É mais um sinal de que autoridades chinesas ficaram incomodadas com a onda vendedora que colocou os principais índices acionários do país à beira de um mercado baixista na manhã da quarta-feira. A mídia estatal publicou uma série de artigos sugerindo que o movimento foi exagerado, enquanto alguns analistas especularam que fundos vinculados ao governo começaram a intervir para apoiar o mercado.

O índice CSI 300 da China se recuperou das perdas iniciais na quarta-feira e fechou com ganho de 0,2%. Bancos, vistos como os principais alvos de intervenção devido às pesadas ponderações nos índices de referência, estiveram entre os maiores contribuintes para o avanço.

A recuperação na quarta-feira veio depois de uma queda de três dias que eliminou quase US$ 800 bilhões em valor de mercado e atingiu diversos ativos como o yuan, o índice S&P 500 e títulos do Tesouro dos EUA.

As perdas foram desencadeadas pela surpreendente decisão da China de proibir segmentos do setor de aulas particulares de obter lucro, levantar capital com investidores estrangeiros e realizar ofertas iniciais de ações. Foi a medida mais extrema do governo chinês para controlar empresas que, na visão das autoridades, agravam a desigualdade, aumentam o risco financeiro e desafiam o controle do Partido Comunista em segmentos-chave da economia.

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