Goldman Sachs reduz projeções para petróleo no curto prazo, mas segue vendo preços acima de US$ 100 o barril

Analistas do banco revisaram expectativas para o brent de US$ 140 para US$ 110 para o terceiro trimestre e de US$ 130 para US$ 125 para o quarto

Equipe InfoMoney

Instalações de petróleo da Aramco (divulgação)
Instalações de petróleo da Aramco (divulgação)

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Os preços do petróleo brent tiveram queda de 25% desde o início de junho, fechando a última sexta-feira (5) na casa dos US$ 94 o barril, sendo puxados recentemente por uma crescente gama de preocupações: recessão, política de Covid-zero da China e setor imobiliário, liberação de reservas estratégicas dos EUA e produção russa se recuperando bem acima das expectativas.

Contudo, os analistas de commodities do Goldman Sachs avaliam que os argumentos para projetarem preços mais altos de petróleo continuam fortes, mesmo assumindo que todos esses choques negativos se concretizem. O banco revisou as estimativas de curto prazo para o petróleo para baixo, mas seguem projetando alta em relação aos patamares atuais.

“Reiteramos nossa visão altista, no entanto, isso requer abordar a divergência entre os preços do brent, que atingiram a média de US$ 110 o barril entre junho e julho, e o preço global do combustível no varejo equivalente a US$ 160 o barril”, avaliam.

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Os analistas extraem três conclusões dessa desconexão. Até o colapso recente, os preços no varejo – embora não negociáveis ​​- ficaram próximos de suas projeções, apesar de todas as incertezas macroeconômicas atuais. Por outro lado, a desconexão entre os preços financeiros do varejo e do brent foi muito maior do que esperavam, mantendo os futuros do Brent bem abaixo de suas previsão de US$ 130 de junho a julho. “Nossa previsão de preços no varejo, embora alinhada, não resultou em destruição de demanda suficiente para acabar com o déficit”, apontam os analistas

Damien Courvalin, Callum Bruce, Jeffrey Currie e Romain Langlois, analistas que assinam o relatório do Goldman, atualizaram as projeções de oferta e demanda e ainda continuam esperando que o mercado de petróleo permaneça em déficits insustentáveis ​​a preços atuais.

“Equilibrar o mercado de petróleo, portanto, ainda exige a destruição da demanda por petróleo, além da desaceleração econômica em andamento, em que somos mais cautelosos do que consenso. Isso requer uma forte recuperação nos preços dos combustíveis no varejo – a restrição obrigatória para equilibrar o mercado de petróleo – de volta aos preços equivalentes de US$ 150 o barril de brent, equivalentes aos preços de varejo da gasolina e diesel nos EUA atingindo US$ 4,35 e US$ 5,45 o galão, respectivamente, no quarto trimestre de 2022 (4T22)”, apontam os analistas.

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Os analistas do banco, assim, ainda esperam que os preços do brent precisam subir bem acima do preço atual de mercado, mas reduziram as suas projeções do terceiro e quarto trimestres. Agora, esperam o barril a US$ 110 no terceiro trimestre, ante projeção anterior de US$ 140, e de US$ 125 no quarto trimestre, versus projeção anterior de US$ 130. Já a previsão de US$ 125 o barril para 2023 foi mantida.

Os preços de petróleo seguem em queda nesta segunda, com o brent para outubro em queda de cerca de 1%, a US$ 93,90 o barril. A China, o maior importador de petróleo do mundo, importou 8,79 milhões de barris por dia (bpd) de petróleo em julho, acima da mínima de quatro anos em junho, mas ainda 9,5% menor do que há um ano, mostraram dados da balança comercial do país.

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