Gerdau (GGBR4): Itaú BBA corta ação para neutra com visão de operações mais fracas; ação cai 2,46%

Em 2023, as ações da Gerdau caíram 16% e tiveram desempenho inferior ao Ibovespa em 39%

Felipe Moreira

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O Itaú BBA rebaixou a recomendação para ação da Gerdau (GGBR4) de outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para
market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro), além de revisar o preço-alvo para o final de 2024 de R$ 30 para R$ 26 por ação (upside de 10,5%). Com isso, nesta terça-feira (19), as ações fecharam em queda de 2,46%, a R$ 22,96.

A visão mais cautelosa do banco se baseia em: i) os fracos fundamentos para a dinâmica do aço no Brasil a curto prazo; ii) o enfraquecimento do ímpeto dos resultados nos EUA, o que provavelmente prejudicará as margens futuras; iii) a limitada valorização do fluxo de caixa descontado (DCF) em 10%; iv) a probabilidade de gerar apenas um fluxo de caixa livre razoável em 2024 (7% de rendimento de FCF), prejudicado por cerca de R$ 6,0 bilhões em despesas de capital; e v) o valuation justo com um EV/Ebitda (valor da firma sobre lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) estimado para 2024 de 4,3 vezes (não muito distante dos níveis históricos).

O banco ainda destaca que até o momento em 2023, as ações da Gerdau caíram 16% e tiveram desempenho inferior ao Ibovespa em 39%.

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Segundo análise do BBA, o principal fator por trás do fraco desempenho da ação foi a deterioração nas operações do Brasil e da América do Norte. No Brasil, os volumes diminuíram 9% em relação ao ano anterior no acumulado de 9 meses de 2023, e as margens Ebitda caíram para 14% em comparação com 22% do mesmo período do ano passado (9M22). Na América do Norte, os volumes diminuíram 6% em 9M23, e as margens de Ebitda caíram para 27% (9M23) em comparação com 33% (9M22).

Os analistas esperam que o ímpeto permaneça fraco em ambas as regiões, com mais deterioração nos volumes e margens no 4º trimestre de 2023. Portanto, o banco reduziu as estimativas de Ebitda para 2024 para R$ 10,9 bilhões, ante R$ 12,7 bilhões.

Assim o banco acredita que os resultados no Brasil permanecerão sob pressão no próximo ano, prevendo um modesto aumento de 2% na base anual nos volumes domésticos de aço e esperando um ambiente competitivo acirrado, limitando o espaço para aumentos de preços. Além disso, antecipa que a margem Ebitda no Brasil diminuirá para 11,8% em 2024 (de 12,9% em 2023).

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Para a América do Norte, apesar do potencial aumento vindo de iniciativas governamentais, BBA espera mais deterioração nos resultados devido a preços mais baixos do aço (5% de queda na base anual). Como resultado, prevê que as margens nos EUA cairão para 17,4% em 2024 (de 25,6% em 2023) e o fluxo de caixa (FCF) provavelmente será positivo em 2024, mas mais fraco do que nos últimos anos.

De acordo com cálculos do banco, a Gerdau poderá gerar FCF positivo de quase R$ 2,7 bilhões em 2024 (antes dos pagamentos de dividendos), “composto por: i) Ebitda de R$ 10,9 bilhões; ii) despesas de capital de R$ 6 bilhões; e iii) despesas financeiras, capital de giro e impostos totalizando R$ 2,1 bilhões”.

Embora a geração de FCF deva permanecer razoável (rendimento de 7%), o desempenho em 2024 provavelmente será mais fraco do que os níveis robustos registrados em 2022 (R$ 10,5 bilhões) e 2023 (estimado em R$ 5,4 bilhões), potencialmente reduzindo o retorno aos acionistas por meio de dividendos ou recompras de ações.