Fim de IPO da Karoon indica desgaste com oferta da Petro, diz analista

Crise externa, somada ao fato de que a empresa é pré-operacional são apontados por analistas como fatores negativos

Por  Equipe InfoMoney

SÃO PAULO – A Karoon Petróleo comunicou à CVM nesta sexta-feira (19) o cancelamento do processo de IPO da empresa, alegando condições desfavoráveis do mercado. Para analistas e gestores, o cancelamento põe em relevo o desgaste do mercado com a oferta da Petrobras, bem como o cenário de crise na Europa.

Para o economista chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, o momento é reflexo da pressão nos mercados externos. “O cenário econômico mundial está conturbado, com dificuldades na Europa e países com déficits elevados, o que traz um desconforto muito grande”, argumentou.

Ademais, o economista aponta que o pacote de estímulos nos EUA e as dificuldades para a China conter a inflação contribuem para este momento negativo no cenário global.

Já Pedro Alves, analista de óleo e gás da Meta Asset Management, indica que alguns fundos de ações possuem uma divisão de investimentos por setor, e que tal limite pode ter sido atingido para o setor de petróleo com a recente oferta da Petrobras (PETR3, PETR4).

Empresa pré-operacional e concorrência
Além do mais, o analista da Meta afirma alguns fatores específicos para a empresa, que podem ter contribuído para elevar a aversão ao risco dos investidores, tais como o fato de que a empresa é pré-operacional e não possui nenhum balanço para ser analisado.

Outro ponto destacado por Pedro Alves é que o mercado de ações do Brasil apresenta a possibilidade de se investir em outras empresas do mesmo setor com um risco menor, tais como a própria Petrobras, a OGX (OGXP3) e a HRT (HRTP3), a qual concluiu o processo de IPO recentemente.

Mercados retraídos
A confluência destes fatores levou a um desempenho abaixo do esperado pela empresa. “Com os mercados retraídos, em um momento de incerteza, pode não se alcançar o valor imaginado”, afirma Galdi. No entanto, ambos os analistas ainda consideram o momento positivo para o mercado brasileiro. “O Brasil continua sendo uma opção atrativa para o investimento estrangeiro, mas a bolsa é globalizada, então se tiver um mal estar lá fora, reflete aqui”, alerta Galdi.

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