Temporada

Fim da temporada: os 11 resultados que animaram o mercado e as maiores decepções do 2º tri

Balanços foram bastante heterogêneos, com muitas empresas conseguindo se desalavancar ou ganhar mercado, mas queda de margens e aumento das despesas prejudicaram alguns números

SÃO PAULO – Acabou nesta sexta-feira (16) a temporada de resultados do segundo trimestre de 2019 e, com isso, o momento é de fazer um “balanço dos balanços”.

Em relatório, a equipe de análise da XP Investimentos destacou que, em meio ao cenário desafiador para a atividade econômica, não houve grandes surpresas em relação às estimativas, com a temporada vindo relativamente fraca. 

Contudo, alguns setores específicos foram beneficiados por particularidades na macroeconomia que os permitiram decolar. O exemplo mais emblemático é o dos frigoríficos, que ganharam força das maiores exportações, especialmente para a China, devido ao surto da peste suína africana. 

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Companhias do setor aéreo também tiveram um fator conjuntural importante para irem bem no período: a redução abrupta de capacidade após a saída da Avianca do mercado brasileiro. 

Por outro lado, varejistas continuam sofrendo com a fraqueza na economia, que reduziu as margens.

Confira os principais destaques do segundo trimestre:

Surpresas positivas

Ambev

As ações da Ambev (ABEV3) tiveram sua maior disparada desde 2008 após a divulgação do resultado da empresa no segundo trimestre deste ano. Foi uma alta de mais de 9%, totalmente fora do que se espera para um papel de perfil defensivo. 

A gigante brasileira de bebidas registrou lucro líquido ajustado de R$ 2,712 bilhões, 16,1% maior que os R$ 2,335 bilhões em igual período no ano passado. A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 12,145 bilhões – alta de 5,5% em relação a 2018 (R$ 11,509 bilhões).

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O grande destaque apontado pelos analistas ficou para o aumento do volume de cerveja vendido no Brasil, de 2,9%. Com isso, a taxa de crescimento em dois anos foi para 4,6% (ante 3,2% no último trimestre). 

A alta foi impulsionada, sobretudo, pelo crescimento de dois dígitos de seu portfólio premium global – Budweiser, Stella Artois e Corona. A receita líquida de cervejas aumentou 6,7%, com alta de 3,7% na receita por hectolitro. 

BRF

Após anos de problemas de gestão e crises como a deflagrada pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal, a BRF (BRFS3) finalmente desencantou em seus números do segundo trimestre. 

A empresa registrou no período um lucro líquido de R$ 191 milhões nas operações continuadas, revertendo prejuízo de R$ 1,466 bilhão no segundo trimestre do ano passado. O lucro líquido societário total ficou em R$ 325 milhões.

Outro ponto muito destacado pelos analistas foi o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia. O dado atingiu R$ 1,22 bilhão excluindo o ganho de R$ 328 milhões referente a ações tributárias. 

Boa parte do bom resultado se deve à crise de peste suína africana, que afeta rebanhos de porcos na China. Em relatório, os analistas Christine McCracken, Chenjun Pan e Justin Sherrad, do Rabobank, destacam que a produção chinesa de carne suína deve cair de 25% a 35% por conta da epidemia. 

“Embora a ação já tenha precificado grande parte da tendência positiva à frente, acreditamos que os resultados podem ajudar a impulsionar o movimento e levar a uma revisão adicional dos lucros”, avalia a analista da XP Investimentos, Betina Roxo. 

JBS

A JBS (JBSS3) teve ótimos números no segundo trimestre de 2019. O frigorífico registrou um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões, revertendo um prejuízo líquido de R$ 911 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado dos seis primeiros meses de 2019, a companhia lucrou R$ 3,3 bilhões. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) atingiu R$ 5,1 bilhões no trimestre, alta de 20,3% na comparação com o ano anterior.

“Estamos muito felizes em anunciar resultados recordes, que refletem o acerto de nossa estratégia, a excelência operacional da Companhia e a capacidade de execução do nosso time”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, no release de resultados.

Segundo aponta Betina Roxo, analista da XP Investimentos, os resultados foram mais fortes do que o esperado com desempenho positivo em todos os negócios, especialmente na Seara. 

No mercado interno, os preços subiram 25% na base anual, com volumes 2,9% maiores, devido às maiores exportações (alta de 15,6%), com preços 11,6% superiores. As exportações foram maiores em mercados como o Oriente Médio, África, Europa e Ásia, especialmente China, refletindo a atual proliferação da peste suína africana.

Já o Bradesco BBI, que também ressalta o balanço mais forte da companhia, destaca que o fluxo de caixa sólido e alavancagem financeira reduzida podem permitir que a JBS busque uma operação de fusão e aquisição em alimentos processados, o que pode levar a uma reclassificação dos ativos.

Magazine Luiza

A rede varejista Magazine Luiza (MGLU3) encerrou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 386,6 milhões, uma alta de 174,7% ante os R$ 140,7 milhões apresentados um ano antes.  O número inclui os resultados da Netshoes desde a data da conclusão da aquisição, finalizada em 14 de junho. No semestre, a alta foi de 80%, para R$ 518,7 milhões. 

A receita líquida, por sua vez, teve alta de 16,6% em um ano, atingindo R$ 4,308 bilhões no segundo trimestre deste ano. Enquanto isso, as vendas totais do Magalu, incluindo o marketplace, avançou 24,4% no mesmo período, para R$ 5,747 bilhões.

Segundo a empresa, a melhora na vendas foi reflexo do aumento de 56,2% no e-commerce total e 8,7% nas lojas físicas. “Vale destacar a performance das 102 novas lojas, com vendas acima das expectativas, elevando o crescimento total das lojas físicas em 8,4 p.p.”, apontou a companhia em release.

O Itaú BBA considerou positivos os resultados da Magazine Luiza no segundo trimestre, que mostrou tendências similares em relação aos últimos trimestre, de forte expansão na receita, no cana online e lojas físicas, mesmo com as difíceis comparações com o segundo trimestre do ano passado, véspera da Copa do Mundo. Por outro lado, o relatório destaca a queda na rentabilidade, por conta dos investimentos em mix de canais e qualidade de serviço.

“Acreditamos que o Magazine continua muito bem posicionado para capturar o avanço do e-commerce no Brasil e que tem uma execução diferenciada, estratégia excelente junto com inovação e tecnologia”, afirma o Credit Suisse. 

RD

A RD (RADL3), antiga Raia Drogasil, passou por um momento de inflexão no segundo trimestre deste ano. Após um 2018 muito difícil por conta da competição com farmácias menores, a empresa apresentou um crescimento nas suas vendas em mesmas lojas acima da inflação. 

No ano passado, as farmácias de bairro passaram a se unir, tendo maior poder de barganha e desafiando a estratégia da RD.

Desta forma, a gigante do setor de farmácias mudou. Ela apresentou um novo formato de lojas – maiores, de 120 a 140 metros quadrados – com maior penetração de genéricos com preço de mercado e marcas próprias.

Além disso, acabou com o formato da Farmasil, criada em 2013 com foco na renda mais baixa, transformando-a em farmácias com a marca Raia ou Drogasil.

Stephen Duvignau, gestor da Fama Investimentos, asset que possui uma posição de longa data em RADL3, avalia ser difícil destacar qual foi o ponto determinante para a forte recuperação da companhia. 

“O mercado mais gostou é que a companhia identificou problemas, desenhou uma estratégia para resolvê-los e colocou em prática, o que é a comprovação da capacidade de gestão da RD”, afirma Duvignau. 

CVC

As preocupações com o impacto que a falência da Avianca foram superestimadas e a agência de turismo CVC (CVCB3) divulgou um resultado melhor que o esperado no segundo trimestre de 2019. 

A empresa teve um prejuízo de R$ 17,4 milhões e as vendas no conceito same store sales (abertas há pelo menos 12 meses) caíram 2,1%. Os números foram impactados principalmente pelo cancelamento de voos da Avianca Brasil.

Não fossem as despesas com reembolso e reacomodação de passageiros, a empresa teria apresentado um lucro líquido de R$ 41,1 milhões, ante o lucro de R$ 24,8 milhões do mesmo período do ano passado. 

No total, as despesas com a Avianca custaram R$ 82 milhões à CVC neste segundo trimestre. Em maio, a estimativa que ela havia apresentado era de R$ 100 milhões.

“Já resolvemos 90% dos casos relacionados à Avianca e os 10% restantes já estão provisionados nesses R$ 82 milhões. Não teremos mais despesas com isso nos próximos trimestres”, afirma Luiz Fernando Fogaça, presidente da CVC, em entrevista ao InfoMoney.

Banco Inter

O Banco Inter (BIDI11) encerrou o lucro líquido do segundo trimestre com alta de 90,9% ante o mesmo período do ano passado, para R$ 32,9 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 13,7%, 3,2 pontos porcentuais maior do que no segundo trimestre de 2018.

O patrimônio líquido soma R$ 973,1 milhões, alta de 5,9% sobre o mesmo intervalo do ano passado. Os ativos totais foram a R$ 6,754 bilhões, 45,7% acima do mesmo período do ano passado.

A carteira de crédito ampliada ficou em R$ 3,963 bilhões, 37,2% acima do segundo trimestre do ano passado. 

O Morgan Stanley destaca que o retorno sobre o patrimônio líquido foi de 13,7%, ante 5,1% nos primeiros três meses e 10,6% entre abril e junho e ante estimativa de 9,3% do banco americano.

A surpresa positiva em relação à estimativa deveu-se ao maior lucro não operacional, já que o banco registrou um ganho extraordinário de capital de R$ 40 milhões com a venda da Inter Seguros para a Wiz.

Natura 

No ramo de cosméticos, Natura (NATU3), viu o lucro do segundo trimestre mais que dobrar na base de comparação anual com fortes vendas e controle de custos. O lucro líquido saltou 109,4%, para R$ 66,6 milhões. 

A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 3,4 bilhões, uma alta de 9,8% na comparação com abril e junho de 2018, enquanto o Ebitda teve alta de 27%, a R$ 424,7 milhões. 

“Todas as nossas três marcas (Natura, Aesop e The Body Shop) contribuíram para uma boa performance no trimestre”, afirmou a companhia de cosméticos, que apontou esperar concluir a compra da Avon no início de 2020.

O Itaú BBA avalia os números como bons: “os resultados do segundo trimestre da Natura mostraram tendências positivas nas operações brasileiras, com uma recuperação no crescimento da receita após um desempenho pouco brilhante no trimestre anterior. Além do sólido desempenho no Brasil, um leve aumento anual nas vendas da The Body Shop em moeda local, juntamente com o aumento da lucratividade, justificaria uma reação positiva do mercado”. 

B2W

A B2W (BTOW3) registrou um prejuízo de R$ 127,6 milhões no segundo trimestre, 15,1% superior às perdas no resultado líquido de R$ 110,9 milhões de igual período do ano passado.

O Ebitda ajustado atingiu R$ 110,2 milhões, crescimento de 16,2%. A margem Ebitda (obtida pela divisão do Ebitda pela receita líquida) ajustada ficou em 7,5%, ante 6,4% de um ano antes. A receita líquida totalizou R$ 1,477 bilhão, alta de 0,1%.

Os resultados foram melhores do que o esperado para o trimestre, com GMV, receita e EBITDA superando as estimativas, segundo o Bradesco BBI. A expectativa é de que a empresa continue crescendo o GMV (+26% no segundo semestre), entretanto ainda abaixo do que Mercado Livre e Magazine Luiza têm entregado.

“Além disso, mercado deve continuar mirando na geração de caixa da empresa, o que é uma boa notícia, dado que após esse resultado o guidance de R$ 200 milhões parece fazer sentido agora”. O Bradesco mantém a recomendação Neutra, com preço-alvo de R$ 43.

Lojas Americanas

A rede varejista Lojas Americanas (LAME4) registrou um lucro líquido consolidado de R$ 112,7 milhões no segundo trimestre deste ano, desempenho 22 vezes superior ao lucro de R$ 5,1 milhões de igual período do ano passado.

O Ebitda ajustado somou R$ 832 milhões, uma alta de 26,7%, com uma margem Ebitda de 18,9% (+1,7 p.p.). A receita líquida somou R$ 4,411 bilhões, representando uma expansão de 15,6%.

Para o Bradesco BBI, o resultado da receita veio em linha, mesmo com as vendas mesmas lojas semestrais (+4,4%) pouco abaixo da reportada nos quatro primeiros meses do ano passado (+4,9%). No entanto, o Ebitda veio acima. O lucro, sem B2W, ficou acima das expectativas.

“Em geral, os números vieram em linha com a inflação, apesar da expansão significativa das lojas”. A expectativa do Bradesco BBI é de que a desaceleração das vendas mesmas lojas possa se manter. A recomendação foi mantida Neutra, com preço-alvo de R$ 21. 

Randon

A empresa de implementos rodoviários Randon (RAPT4), por sua vez, surpreendeu com um resultado forte e pode ser considerado até mesmo um dos melhores balanços de toda a temporada, de acordo com os analistas Flipe Vinagre e Thiago Casseb, do Credit Suisse. 

Os analistas do banco destacam o Ebitda de R$ 210 milhões no segundo trimestre, enquanto as receitas líquidas avançaram 28% na comparação anual. A margem Ebitda, escreve a equipe, foi 2,7 pontos percentuais acima do consenso de mercado, atingindo 16,1%. 

Para eles, o avanço está diretamente ligado à alavancagem operacional, ao aumento de preços e à disciplina nos custos. Nos segmentos, o de trailer entregou sua segunda maior margem da história, em 14,3%. 

“Olhando pra frente, acreditamos em um cenário de maior volatilidade pela frente, com algum impacto no nível de produção de trailers. O papel negocia a 7,3 vezes no múltiplo preço da empresa sobre o Ebitda, e 13,7 preço sobre o lucro, patamar que nossos analistas consideram bem precificada, principalmente considerando a provável volatilidade em trailers”, explicam. 

Decepções

Bradesco

Segundo maior banco privado do Brasil, o Bradesco (BBDC3; BBDC4) teve lucro líquido recorrente de R$ 6,462 bilhões no segundo trimestre, valor 25,2% maior que o visto no mesmo período do ano passado, de R$ 5,161 bilhões. 

A carteira de crédito foi a R$ 560,538 bilhões ao término de junho, elevação de 2,2% ante março, o que impulsionou a margem financeira. Além disso, o resultado das operações de seguros subiu 11,6%, a R$ 3,594 bilhões, enquanto a receita com tarifas teve elevação de 1,3%, a R$ 8,28 bilhões. 

Porém, alguns dados desapontaram e ofuscaram os dados positivos do banco, principalmente porque estes já eram amplamente esperados. 

No lado negativo, as taxas de cartões e gestão de ativos permaneceram sob pressão e o crescimento das despesas no primeiro semestre do ano ficou acima do guidance (projeções para o futuro).

A maior frustração, contudo, ficou por conta do aumento das despesas pessoais em 6,4% na base trimestral, afetada pelo programa de remuneração variável e pelo aumento das reclamações trabalhistas. Enquanto isso, as despesas administrativas ficaram sob controle, com alta de 1,5% no trimestre. 

Assim, colocando tudo isso na conta, o Credit Suisse destacou em relatório que os números foram sim levemente negativos – não tanto por eles em si, mas ao compará-los com a alta expectativa pelos dados da instituição. 

Lojas Renner

Havia uma grande expectativa de que a Lojas Renner (LREN3) fosse a melhor varejista da temporada de balanços do segundo trimestre de 2019, mas não foi isso o que aconteceu.

Os números da companhia decepcionaram os analistas, mostrando um lucro abaixo do esperado, de R$ 235,1 milhões, e registrando a uma queda na base anual após dez anos seguidos de crescimento, enquanto as vendas nas mesmas lojas, que tiveram alta de 9,3%, mostraram desaceleração. 

Segundo os analistas Richard Cathcart, Helena Vilares e Pedro Fagundes, do Bradesco BBI, os números apresentados não jogam a empresa para fora dos trilhos. 

“Apesar dos dados decepcionantes, não vemos os problemas que pressionaram as margens no trimestre como estruturais e esperamos que alguns deles se revertam nos próximos trimestres”, avaliam.  Assim, as questões que levaram a pressão de margem no trimestre não são estruturais e algumas delas devem ser revertidas.

Burger King

O Burger King (BKBR3) reverteu seu lucro líquido de R$ 8,6 milhões do segundo trimestre de 2018 para um prejuízo de R$ 600 mil entre abril e junho deste ano. Analistas consultados pela Bloomberg esperavam um lucro de R$ 19,2 milhões.

O Ebitda, por sua vez, atingiu R$ 89,8 milhões no segundo trimestre deste ano, alta de 96,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o Ebitda ajustado chegou a R$ 95,1 milhões, avanço de 92,2% em um ano.

De acordo com relatório de resultados apresentado pela empresa, excluindo os efeitos na adoção da norma IFRS 16, em vez de prejuízo haveria lucro R$ 6 milhões, comparado com um lucro de R$ 9 milhões no segundo trimestre de 2018, refletindo uma maior alíquota efetiva de imposto de renda devido aos efeitos da consolidação das controladas, principalmente as adquiridas em abril de 2018 e que serão incorporadas a partir do terceiro trimestre deste ano.

Braskem

A petroquímica Braskem (BRKM5) reportou um lucro líquido atribuível aos acionistas da companhia de R$ 129 milhões no segundo trimestre deste ano, representando uma queda de 91% na comparação com o primeiro trimestre deste ano e retração de 76% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. A receita líquida de vendas somou R$ 13,3 bilhões no segundo trimestre, queda de 3%.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) recorrente foi de R$ 1,611 bilhão, queda de 49%. Em dólares, a empresa reportou alta de 12%, explicada pelo melhor desempenho operacional das plantas de PP nos Estados Unidos; maior volume de vendas de químicos no mercado brasileiro; e alta nos spreads internacionais de químicos e manutenção dos spreads de PP nos Estados Unidos em patamares elevados.

A Braskem reapresentou ainda os resultados do primeiro trimestre deste ano, com destaque para o reconhecimento de créditos de PIS/COFINS pela exclusão do ICMS de ações transitadas em julgado até 31 de março, referentes ao período de junho de 2002 a dezembro de 2011, no valor de R$ 544 milhões. Inicialmente, a empresa havia registrado os créditos referentes ao período de janeiro de 2012 a fevereiro de 2017. Dessa forma, o crédito total registrado em 31 de março de 2019 foi de R$ 1,809 bilhão.

A análise geral é de que a Braskem reportou números fracos, com a entrada em operação de novos empreendimentos nos Estados Unidos e na Ásia pressionando os spreads de resinas e químicos básicos.

Kroton

Os resultados da Kroton (KROT3) foram muito fracos, refletindo um ambiente bastante complicado por questões macroeconômicas, aumento da concorrência com ensino à distância e pressão de todos os lados (volume, preços, recebíveis e geração de caixa). Essa é a avaliação do Morgan Stanley sobre os números da Kroton, que viram seus papéis caírem forte na bolsa.

A companhia de educação apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 266,696 milhões no segundo trimestre deste ano, representando queda de 44,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o resultado foi impactado, especialmente, por despesas financeiras decorrentes da aquisição da Somos e um maior nível de depreciação derivado de investimentos realizados nos últimos anos.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) recuou 4,3%, para R$ 624,767 milhões, enquanto a margem apresentou retração de 6,9 pontos porcentuais, para 35,9%.

A receita líquida, por sua vez, avançou 14,2%, somando R$ 1,742 bilhão. A empresa destaca que o ticket médio do ensino superior teve recuperação, com alta anual de 6,7% no presencial e de 5,0% no EAD.

A Kroton manteve o seu guidance, mas vai precisar de uma recuperação mais forte no segundo semestre de 2019 para conseguir cumpri-lo, avalia o Morgan. 

“Este é o melhor ativo no setor, mas é mais uma história para 2020”, avalia o Morgan, que mantém recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado). “Não esperamos uma recuperação cíclica no mercado de pós graduação até 2020/2021, atrasando a recuperação do lucro por ação até 2021, o que implica pouco espaço para alta no médio prazo”, avalia a equipe de analistas do Morgan.

Sabesp

A Sabesp (SBSP3) reportou um lucro líquido de R$ 454,4 milhões no segundo trimestre, um aumento de 2,5 vezes sobre os ganhos líquidos do mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o lucro foi beneficiado pelo efeito das variações monetárias e cambiais líquidas, com melhora de 790,7 milhões na comparação anual.

O Ebitda ajustado somou R$ 1,231 bilhão, uma queda de 10,9%. A margem Ebitda ajustada atingiu 30,8%, ante 37,7% do mesmo período do ano passado.

A receita operacional líquida, que considera construção, totalizou R$ 3,997 bilhões, uma alta de 8,9%.

A Sabesp surpreendeu negativamente, apontou o Credit Suisse, com o Ebitda ajustado ficando 12,8% abaixo da estimativa do banco  principalmente devido à performance de custos ruim (alta de 28% na base anual), com maiores provisões e outras despesas.

Os números foram um pouco ajudados por volumes mais altos, pelo reajuste de tarifas em 4,7% e por tarifas médias maiores (relacionadas a incorporação de Guarulhos), que levaram a um aumento de 10,1% na receita líquida.

Ser Educacional

A educacional Ser (SEER3) teve lucro líquido de R$ 59,0 milhões no segundo trimestre, uma redução de 15,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O Ebitda ajustado dos efeitos não-recorrentes alcançou R$ 88,4 milhões, apresentando uma redução de 16,2% em relação ao segundo trimestre. A margem Ebitda ajustada ficou 4,5 p.p. inferior, atingindo 26,6%.

A receita líquida da empresa recuou 1,9%, para R$ 332,6 milhões.

A Ser Educacional entregou um resultado com uma receita razoável, mas com margens e geração de caixa abaixo das estimativas, aponta o Credit Suisse.

A empresa continua a considerar uma queda de 110 pontos-base de compressão de margem nas novas unidades, mas o Credit acredita que este número tende a melhorar nos próximos trimestres.

“As margens foram impactadas por um avanço em custos de serviços de terceiros (alta 38% na comparação anual). No lado positivo, destacamos o ensino à distância que começou a ser rentável. Com relação ao aumento de despesas, acreditamos que uma parte delas realmente seja ‘one off ‘, mas que principalmente os maiores custos com pessoas parecem mais estruturais”, afirmam os analistas do Credit. 

M.Dias Branco

A fabricante de alimentos M.Dias Branco (MDIA3) reportou um lucro de R$ 100,6 milhões, representando queda de 52%. O Ebitda somou R$ 182,7 milhões, retração de 33,8%, com margem de 11,8% (-6,8 p.p.).

A receita líquida subiu 4%, para R$ 1,542 bilhão, mas o volume recuou 3,1%.

Após os resultados do segundo trimestre, o Itaú BBA rebaixou a recomendação da M.Dias Branco a “Underperform”, com preço-alvo de R$ 44.

Segundo os analistas Antonio Barreto, Gustavo Troyano e Renan Moura, o Ebitda do segundo trimestre foi ajustado por um ganho líquido não recorrente de R$ 18 milhões, ficando 11% abaixo da estimativa da instituição, enquanto o lucro terminou num resultado 25% inferior ao aguardado.

Segundo o relatório do Itaú BBA, os volumes permaneceram muito fracos: biscoitos e massas caíram 8% e 9%, respectivamente, organicamente, na comparação anual.

Já os custos do trigo afetaram a margem bruta de forma superior à esperada, enquanto as despesas de vendas aumentaram como resultado de maiores custos de frete e menor diluição de custos, completaram os analistas.

Ultrapar

A Ultrapar (UGPA3) teve um trimestre fraco segundo Regis Cardoso, analista do Credit Suisse. Para ele, o setor de distribuição de combustíveis teve o pior desempenho entre todos os que são cobertos pela equipe de análise do banco. 

Cardoso ressalta que o Ebitda de R$ 642 milhões caiu 8% sobre o trimestre anterior e 11% na base anual, mostrando que nem mesmo a queda de 31% das ações no ano podem deixar os investidores tranquilos para entrar no papel agora. 

“Se anualizarmos os números do segundo trimestre de 2019, enxergaríamos o papel negociando acima dos múltiplos históricos com 11 vezes de EV/Ebitda e 40 vezes P/E”, comenta. 

Na avaliação do analista, não está claro que a companhia esteja em um bom caminho para entregar uma recuperação. “A Ipiranga entregou um [resultado no] trimestre fraco juntamente com os outros players do setor, mas tanto a Oxiteno quanto Ultragas, Ultracargo, e Extrafarma não trouxeram boas notícias”, destaca.

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