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Entrevista

Estrangeiro está errado ao ver Brasil como uma nova Argentina, diz gestor americano

Para James Gulbrandsen, há três visões erradas sobre o Brasil: que ele vai virar uma Argentina, a inflação seguirá elevada e que a lucratividade das empresas continuará deprimida

SÃO PAULO – “O Brasil não virou uma nova Argentina e nem vai virar”. A opinião é de James Gulbrandsen, economista americano que trabalha há 16 anos no Brasil e se mudou definitivamente para o País há três anos. É sócio e chefe de investimentos da NCH Brasil, que tem patrimônio de US$ 3 bilhões sob gestão e no mercado brasileiro possui dois fundos – um de ações e outro imobiliário. 

Ele aponta que o consenso americano é de que o Brasil já virou ou vai virar uma Argentina – um absurdo, na sua concepção. “Se o mercado está precificando isso, então eu compro ainda mais Brasil”, exalta.

Gulbrandsen comenta que atualmente há três visões erradas sobre o mercado brasileiro: o País vai virar (ou já virou) uma Argentina, a inflação vai seguir para patamar altíssimo e que a lucratividade das empresas continuará deprimida. “Essas três conclusões são erradas. E se o americano saiu do Brasil por conta disso, há um bom motivo para eu ficar otimista com o mercado local”, comenta.

Esqueça o México, gringo!
Ele lembra que há quatro anos estava pessimista em relação ao mercado brasileiro, principalmente porque o dólar estava bem barato quando comparado ao real, enquanto seus amigos americanos estavam super otimistas. “O fundo típico americano estava muito comprado em Brasil, muito otimista, e isso também preocupava. Assim como é agora com o México. Os americanos fugiram do Brasil e foram para o México, mas isso é um completo absurdo”, afirma. 

A qualidade dos ativos mexicanos não é tão boa quanto a brasileira, isso sem contar o fato de que a bolsa de lá já tenha subido muito, explica. O custo de capital pode ser menor, mas há muita volatilidade no retorno das empresas e não tem um grupo de companhias com altíssimos retornos sobre o capital, citando Cielo (CIEL3) e Cetip (CTIP3).

“O grande segredo do investidor americano é que ele adora o Brasil, muito mais do que o México. É basicamente uma ironia que o México está ganhando contra o Brasil. O americano não gostaria de nada mais além de investir em infraestrutura de longo prazo aqui”, disse.

Para ele, a bolsa brasileira vai subir mais do que qualquer outra nas Américas, com exceção da colombiana, “que vai subir mais simplesmente porque a economia de lá é incrível e sua bolsa já caiu muito no ano passado”.

Risco de racionamento?
Embora veja risco de racionamento no País, ele acredita que isso só deve estourar no ano que vem. Contudo, seria mais uma oportunidade no sentido do governo fazer reformas. O que falta, comenta, é o governo abrir caminho para o investimento estrangeiro entrar em bons projetos de infraestrutura. “Aí falaríamos em um País que realmente viraria um caso dos EUA”, conclui.