Engie (EGIE3) vende 15% de fatia no gasoduto TAG: por que os analistas não gostaram da operação de R$ 3,1 bi?

Ativo foi vendido por valor inferior a avaliação de analistas; Genial rebaixou papéis para "venda"

Camille Bocanegra

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A Engie Brasil (EGIE3) anunciou a venda de 15% de sua participação no gasoduto TAG em uma operação de R$ 3,1 bilhões para o fundo de pensão canadense CDPQ (Caisse Dépot et Placement du Québec), em 29 de dezembro. A companhia ainda detém 17,5% do TAG, dos 32,5% anteriores enquanto o fundo CDPQ aumentou sua presença no gasoduto para 50%.

Os papéis da Engie caíam 1,90% nesta terça-feira, às 12h14 (horário de Brasília), cotados a R$ 44,49.

A companhia brasileira explicou, em teleconferência, que o objetivo da transação era levantar capital e gerenciar o nível de alavancagem, de acordo com o Bradesco BBI e a XP. Segundo a Genial, os recursos seriam utilizados para expansão da empresa nos negócios de geração e transmissão.

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A operação foi recebida de maneira divergente por analistas. A análise da XP é que a TAG era um dos ativos considerados mais interessantes no portfólio da Engie, em especial pelo potencial de crescimento do negócio de gás natural no Brasil.

“Com a venda, esse ganho potencial será reduzido. O desafio agora para a Engie é encontrar novos projetos com perfil atrativo de risco/retorno”, consideram os analistas do Research da XP, que possuem recomendação “neutra” para o ativo, com preço-alvo em R$ 49,00.

Se a visão da divisão de análise do Bradesco é mista, para a Genial, a transação é má notícia para a Engie, uma vez que considera que a companhia “vendeu barato” o gasoduto, e motiva o rebaixamento da recomendação da companhia para “venda”.

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Ainda que o BBI considere a taxa interna de retorno (TIR) de 20% desde a aquisição da participação no gasoduto, em 2019, como positiva e indicativa de uma alocação de capital prudente, por outro aspecto, a venda da participação foi vista como “pouco atraente”.

Na avaliação tanto do BBI quanto da Genial, o valor justo para a TAG seria superior. Para a corretora, a fatia completa (32,5%) da participação seria avaliada em R$ 9,2 bilhões e, de acordo com os termos da transação, teria sido estimada em R$ 6,7 bilhões na operação.

O BBI considera, com base no fluxo de caixa descontado (DCF), que o valor adequado seria “ligeiramente superior, em R$ 3,4 bilhões em comparação com o preço de venda de R$3,1 bilhões. A diferença representa aproximadamente 1% da capitalização de mercado da Engie, levantando questões sobre a valoração da venda”.

A Genial considera que os múltiplos foram muito baixos e que não precificaram a grande rentabilidade do ativo, nem consideraram “as altas margens, contratos de longo prazo, potencial de crescimento e prêmio de controle”.

“Independente da nossa impressão sobre o evento em si, aos atuais níveis de preço achamos que a empresa não apresenta potencial de valorização interessante em relação ao nosso preço-alvo atual que sequer considera a destruição de valor implícita em relação a nossa avaliação da fatia que a TAG tem na empresa”, afirma a Genial.

Em relação à diminuição da alavancagem, a Genial considera que a relação dívida liquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) era saudável no fechamento do terceiro trimestre de 2023, em 2,1 vezes. Por isso, a corretora estima que o recurso levantado pela empresa poderia ser utilizado para pagamento de dividendos ou aquisição de ativos operacionais de grande porte.

A recomendação da Genial é de venda, com preço-alvo estabelecido em R$ 42,00 para 2024, com potencial de -7,35% enquanto, para o BBI, os papéis são considerados “neutro” com estimativa de preço em R$ 46,00.