Destaques da Bolsa

Empresa de traders dispara 43% após sair de recuperação judicial; Klabin salta 6% com recomendação

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa ganhou força na reta final do pregão desta quarta-feira (7), com a atenção do mercado voltada ao plenário do Supremo. A maioria do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta tarde manter Renan Calheiros no cargo (veja o resultado clicando aqui). O índice fechou em alta de 0,53%, a 61.414 pontos, após atingir na máxima do dia alta de 1,36%, a 61.917 pontos.

Em entrevista ao InfoMoney nesta quarta, Pablo Spyer, diretor de operações da corretora Mirae Asset, disse que não entendia o otimismo recente do mercado. “A bolsa a 62.000 pontos é uma ‘exuberância irracional’. O PIB (Produto Interno Bruto) não vai crescer, acredito que será negativo”, disse (confira a entrevista completa aqui). 

O movimento do Ibovespa nesta sessão foi guiado pelas ações da Vale e siderúrgicas, que saltaram mais de 3%, em meio à valorização dos preços do minério e revisão de recomendação pelo Credit Suisse. Também chamou atenção do lado positivo as ações da Klabin, que subiram 6% com elevação da recomendação de suas ações ofuscando a queda do dólar frente ao real nesta sessão. 

Já do lado negativo, as ações da Petrobras acentuaram as perdas nesta tarde, em meio à forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional, após decepção com dados dos estoques da commodity nos Estados Unidos. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão: 

Petrobras (PETR3, R$ 18,32, -1,56%; PETR4, R$ 15,86, -1,80%)
As ações da Petrobras aceleraram as perdas nesta tarde, após surpresa do mercado com dados de estoques da commodity nos Estados Unidos.

Os papéis da estatal atingiram queda superior a 2% na mínima do dia, reagindo ao aumento dos estoques de gasolina em 3,4 milhões de barris na semana, contra expectativas de analistas consultados pela Reuters de avanço de 1,9 milhões de barris. Esses números ofuscaram os estoques de petróleo, que caíram 2,4 milhões de barris na semana, contra expectativa de queda de 1 milhão de barris. 

Lá fora, o contrato futuro do Brent registrava queda de 1,56%, a US$ 53,09 o barril, enquanto o WTI recuava 2,12%, a US$ 49,85 o barril. O mercado aguarda ainda a reunião do final de semana entre países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) com produtores de fora do cartel, na Rússia.

Observadores de mercado acreditam que um resultado negativo da reunião, que discute cortes de países de fora da Opep, pode azedar o sentimento de mercado, dado o histórico negativo do cartel, cujos membros desrespeitaram acordos de limitação de produção no passado, e a possibilidade de membros que foram isentos pelo atual acordo, como a Nigéria, impulsionarem as exportações no período.

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No radar, os analistas do Bradesco BBI reduziram o preço-alvo das ações preferenciais da estatal de R$ 21,00 para R$ 20,00 para 2017. Com a alteração, o upside dos papéis em relação ao fechamento da véspera (R$ 16,15) foram de 30% para 23,84%. 

Ontem, o Santander reiterou a Petrobras como sua principal recomendação no Brasil, após o anúncio de reajuste de preços dos combustíveis confirmar o pragmatismo fundamental da administração da empresa em cumprir com a nova política de preços. O preço-alvo foi mantido em R$ 23,60 o papel.

São Martinho (SMTO3, R$ 53,50, -1,60%) e Cosan (CSAN3, R$ 38,90, -0,28%)
O Santander reiterou, em relatório recente, perspectiva de fundamentos sólidos para o setor de açúcar e etanol em 2017. Para os analistas, a recente correção dos preços do açúcar, que impactou negativamente as ações do setor, criou um atrativo ponto de entrada. “Esperamos que os preços do açúcar e etanol permaneçam a níveis saudáveis, sobretudo devido a um déficit global de açúcar e a política de preços dos combustíveis anunciada recentemente no país, que adiciona mais estabilidade para a perspectiva dos preços do etanol no Brasil”, complementaram os analistas do Santander.

JBS (JBSS3, R$ 11,45, +3,62%)
As ações da JBS seguiram a euforia da véspera e acumularam ganhos de 23% nos dois pregões, após a empresa anunciar uma revisão no seu plano de reorganização societária. 

 Depois da notícia, o Itaú BBA elevou a recomendação das ações da companhia de market perform (desempenho em linha com a média) para outperform (desempenho acima da média). Ontem, a JBS anunciou uma revisão em seus planos de reorganização, prevendo um pedido de IPO (oferta pública inicial de ações) da JBS Foods International (JBSFI) na bolsa de Nova York no primeiro semestre de 2017. Segundo cálculos do banco, o IPO da JBS Foods International (JBSFI) pode levantar R$ 10,5 bilhões.

Em relatório, o BTG reiterou ontem recomendação neutra para a ação, mas com viés positivo, caso a JBS consiga ir adiante com essa oferta. Para o banco, o papel tem potencial para subir 80% na Bolsa frente o fechamento de ontem, indo para a casa de R$ 16,67. Já o Credit Suisse apontou, em um cenário conservador, que a ação tem potencial para valorização de cerca de 30%. 

Oi (OIBR3, R$ 2,93, +3,53%; OIBR4, R$ 2,37, -1,25%)
As ações preferenciais da Oi – que possuem mais liquidez na Bolsa – dispararam 17% em dois pregões, após a Comissão Especial do Desenvolvimento do Senado Federal ter aprovado ontem o projeto de lei que permite transformar as concessões de telefonia fixa em autorizações. Sob o regime de autorização, as empresas terão menos obrigações. O projeto segue agora para sanção presidencial.  

Segundo o Bradesco BBI, a decisão é positiva para a Oi e Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 44,18, +1,31%) e veio antes do esperado. “A Lei deve liberar R$ 1 bilhão para a Oi e R$ 350 milhões para a Vivo em obrigações com as respectivas concessões”, disseram os analistas da corretora. Pelos cálculos do Itaú BBA, a mudança do regime pode gerar um adicional de R$ 2,60 a R$ 3,90 no preço justo por ação da Telefônica Brasil. 

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A mudança, defendida pelas empresas, permitirá a exclusão de obrigações que hoje precisam ser atendidas, como a instalação e manutenção de telefones públicos. Segundo as empresas, a alteração é essencial para a continuidade dos investimentos.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 31,03, +3,43%; VALE5, R$ 27,84, +3,11%) e Bradespar (BRAP4, R$ 16,55, +3,05%) – holding que detém participação da Vale – dispararam hoje na esteira de duas boas notícias: além da disparada de 3% do minério de ferro, o Credit Suisse elevou a recomendação das ações da Vale de underperform (desempenho abaixo da média) para neutro, passando o preço-alvo de US$ 4,00 para US$ 7,00, o que representa um aumento de 75%. Hoje, o minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao, na China, com 62% de pureza, fechou em alta de 1,41%, a US$ 79,73.  

Em relatório, os analistas explicam que a Vale está sujeita a inúmeras variáveis e, com o intuito de simplificar, eles rodaram três diferentes cenários para construir o novo preço-alvo. Dentro do melhor cenário, eles acreditam que a Vale oferece um potencial de valorização de 80%; já no pior cenário, a ação teria algo perto de 60% de potencial de queda.  

Além dela, o Credit Suisse elevou o preço-alvo das ações da siderúrgica Gerdau (GGBR4, R$ 13,72, +4,73%) de R$ 12,00 para R$ 16,00, com recomendação outperform (desempenho acima da média). Já a CSN (CSNA3, R$ 12,03, +0,33%) continuou com recomendação underperform, mas teve o preço-alvo revisado pelo banco de R$ 5,00 para R$ 8,00. 

Completando as ações das siderúrgicas, a Usiminas (USIM5, R$ 4,16, +3,74%) também acompanhou o desempenho positivo hoje. No radar, a Moody’s elevou o rating da companhia de Ca para Caa2, refletindo principalmente a conclusão da reestruturação da dívida em setembro e aumento de capital de R$ 1 bilhão em julho. 

Concessões de rodoviais
O Santander revisou suas projeções para o setor de concessões de rodoviais nesta sessão. Para a CCR (CCRO3, R$ 14,91, +5,97%), o banco apresentou um novo preço-alvo para as ações de R$ 17,00 para 2017, ante R$ 14,00 para o final de 2016. No caso de Ecorodovias (ECOR3, R$ 7,42, +3,92%), o preço-alvo passou de R$ 5,00 neste ano para R$ 7,80 ano que vem. 

Embraer (EMBR3, R$ 16,96, +2,79%)
O Santander reduziu o preço-alvo das ações da Embraer de R$ 26,00 para R$ 21,00 para o final de 2017, mas reiterou recomendação de compra. Segundo os analistas, embora não tenha catalisador positivo claro para a ação no curto prazo, ela é negociada a um múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) estimado para 2017 em torno de 11 vezes, em comparação com a média dos últimos cinco anos de aproximadamente 13 vezes. 

Atom (ATOM3, R$ 3,93, +42,91%)
As ações da Atom, uma proprietária trading firm ou “prop trading”, dispararam nesta sessão, após a empresa ter saído do processo de recuperação judicial, que ocorreu hoje. Por conta da forte euforia, o volume financeiro movimentado com o papel foi 31 vezes maior do que sua média: de R$ 3,6 milhões, contra média diária R$ 113,8 mil dos últimos 21 pregões. 

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A empresa chegou ao mercado por meio da compra de 69,24% da antiga Inepar Telecomunicações, que estava em recuperação judicial. Com isso, a companhia “herdou” os problemas da antiga empresa e, mesmo conseguindo diversos pareceres favoráveis, o Santander (um dos credores da Inepar) travou o processo após um juiz em segunda instância acatar o pedido do banco e evitar a evolução do processo para saída da recuperação judicial. 

Papel e celulose
O Bradesco BBI elevou a avaliação das ações do setor nesta quarta-feira: a recomendação da Suzano (SUZB5, R$ 13,81, +1,17%) passou de underperform (desempenho abaixo da média) para neutra, com preço-alvo de R$ 16,00 por ação, representando um potencial de valorização de 17% frente ao fechamento anterior; já a Klabin (KLBN11, R$ 17,01, +6,18%) foi revisada de neutra para outperform (desempenho acima da média), com target de R$ 21,00 por ação, configurando como o maior potencial de valorização do setor de 31% frente ao fechamento de ontem.

Segundo o banco, a revisão ocorreu basicamente para adaptar as estimativas para um novo nível do dólar (de R$ 3,53 para 2017, contra R$ 3,30 anteriormente). Os analistas comentaram que, embora a sensibilidade da Klabin seja menor ao câmbio, o mix do negócio é beneficiado pelo real mais fraco, dado que aumenta as margens de exportação e mais do que compensando o mercado doméstico fraco. Para cada R$ 0,10 de depreciação do real, o Ebitda da empresa aumenta em R$ 100 milhões, ou 0,8% de alta, comentaram os analistas do Bradesco BBI. 

As ações do setor, que incluem ainda Fibria (FIBR3, R$ 32,79, -0,67%), operam entre perdas e ganhos nesta sessão. No radar, os papéis sofrem pressão do câmbio. O dólar comercial cai 0,76% nesta quarta-feira, a R$ 3,3905 na venda. Vale lembrar que ontem os papéis da Suzano dispararam mais de 6%, após a companhia ter anunciado reajuste em US$ 20,00 a tonelada dos preços da celulose na Ásia em dezembro.  

Localiza (RENT3, R$ 35,70, +3,42%)
A aquisição da Hertz Brasil pode ter sido a primeira de uma série de operações de consolidação no setor de locação de veículos.Nesta terça-feira, o presidente-executivo da maior locadora de veículos da América do Sul afirmou que nos últimos anos foram analisadas as compras de dez operações e que “se fizer sentido em termos estratégicos”, a companhia está aberta a fusões e aquisições, segundo o jornal Valor Econômico.