Eletrobras: Morgan reitera ELET3 “top pick” após conversa com CEO; veja 10 temas do encontro

Banco tem recomendação equivalente à compra para ELET3, com preço-alvo de R$ 54

Felipe Moreira

Eletrobras (Foto: Getty Images)

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O Morgan Stanley listou os 10 tópicos principais de sua reunião com o presidente da Eletrobras (ELET3), Ivan Monteiro, e reforçou que a companhia continua a ser a escolha preferida no setor elétrico.

A recomendação é overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para as ações ELET3 e preço-alvo de R$ 54, ou potencial de alta de 31% em relação ao fechamento da véspera. Na visão dos analistas, a empresa oferece uma boa combinação de valuation e criação de valor que devem produzir resultados sólidos em 2024. Além disso, esperam que a recuperação dos preços da energia continue, apoiando ainda mais o desempenho das ações.

Confira abaixo os tópicos de discussão do Morgan com o CEO da Eletrobras:

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1. Discussão sobre limite de poder de voto no STF

Em maio de 2023, o governo pediu que o poder de voto da União volte a ser proporcional à sua participação no capital social da Eletrobras (de 42%), e não mais restrito a no máximo 10%. O banco aponta que a gestão da companhia e o seu Conselho de Administração reúnem esforços para resolver a questão através do processo de conciliação, buscando uma solução favorável para a empresa e seus acionistas. Qualquer acordo terá de ser aprovado pelos acionistas e ratificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) . A proposta será submetida ao CA e à assembleia geral e será neutra ou positiva para os acionistas, segundo o CEO.

2. Desenvolvimento do projeto nuclear Angra 3

O BNDES está modelando o projeto de Angra 3, e segundo o relatório, a Eletrobras vem discutindo e auxiliando o banco de fomento a encontrar formas que mitiguem os impactos nas tarifas dos consumidores finais e ao mesmo tempo mantenham a viabilidade financeira dos projetos. Após a conclusão da modelagem financeira do BNDES, o projeto deverá ser submetido ao Tribunal de Contas (TCU) e, após sua aprovação, ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Se o projeto de Angra 3 for suspenso, provavelmente levaria a uma discussão judicial para decidir sobre a alocação de responsabilidades entre as partes interessadas. “Este tema é prioritário para a Eletrobras e a empresa mantém uma visão construtiva sobre a potencial retomada das obras”, destacam os analistas.

3. Poder de preços e comercialização de energia

O novo Chefe de Comercialização de Energia tomou posse na semana passada. O CEO destacou a importância de ter uma empresa 100% centrada no cliente, mas reconhece que a Eletrobras ainda não tem capacidade para atender pequenos clientes. Sobre os preços da energia, a gestão já vê uma recuperação significativa nos preços a longo prazo, permitindo a venda de PPA (PPA, Power Purchase Agreement, ou contrato de compra e venda de energia de longo prazo) a níveis mais atrativos em comparação com o ano passado.

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4. Novas fontes de demanda de energia

Olhando para o futuro, existem fontes potenciais de demanda de energia que poderiam alterar o equilíbrio entre oferta e demanda do Brasil, sobre as quais a gestão da Eletrobras está “construtiva”: demanda de energia de data centers (devido ao uso intensivo de eletricidade pela IA), eletrificação da frota e hidrogênio verde.


5. Venda de ativos não essenciais

Após a suspensão da venda de fatia da ISA Cteep (TRPL4), o Morgan destaca que a Eletrobras trabalha em um processo interno de due diligence para revisar cláusulas contratuais e avenças, de forma a analisar possíveis renúncias e quaisquer empréstimos amortizados excessivamente restritivos. “O plano é concluir este estudo o mais rápido possível para acelerar a retomada dos processos de venda de ativos”, explica o banco.


6. Plano de Demissão Voluntária (PDV)

Os analistas comentam que não há expectativa de lançamento de novos planos de demissão no curto prazo. Isso porque o Acordo Coletivo de Trabalho deverá terminar em maio de 2024 e novas regras provavelmente serão criadas, deixando teoricamente a Eletrobras capaz de demitir funcionários como qualquer outra empresa privada. O primeiro programa foi 85% concluído no terceiro trimestre de 2023, enquanto o segundo foi 15% concluído.


7. Política de dividendos

Com relação à política de dividendos, a administração acredita que é importante uma maior visibilidade do fluxo de caixa antes de definir uma política formal de dividendos. A gestão não descarta aprofundar a análise deste tema em 2024, mas esta não é uma das prioridades para o ano. O banco estima o rendimento de dividendos de 1,4% para ELET3 e de 3,3% para ELET6 para 2023.


8. Amazonas Energia

As dívidas da Amazonas Energia, concessionária que deve a Eletrobras R$ 7,736 bilhões, também foram tema do encontro. O Morgan destaca a visão do executivo de que as contas a receber estão quase totalmente provisionadas (R$ 7 bilhões) e a administração está discutindo formas de recuperação de valores. O CEO da companhia acredita que uma potencial solução estrutural provavelmente incluirá a revisão dos aspectos regulatórios.


9. Empréstimos obrigatórios

Os maiores casos de empréstimos compulsórios já foram resolvidos nos últimos anos, mas o processo de redução do risco deve continuar com negociações, liquidações e pagamentos. A administração não prevê mudanças significativas nesse processo.


10. Perfil de crescimento

Inicialmente, o CEO destacou o que os investidores não deveriam esperar da empresa: fusões e aquisições transformacionais agressivas, expansão internacional e licitações em leilões que não criariam valor.

Por outro lado, os investidores deverão esperar a continuidade das reestruturações societárias, com especial enfoque nas participações minoritárias, projetos greenfield com risco e retorno adequados, execução de projetos em construção (ex. linha de transmissão Manaus-Boa Vista), além de investimentos em restauração na transmissão.