El Niño está diminuindo, mas efeitos persistirão, diz Goldman: veja setores da Bolsa afetados

Banco avalia que condições climáticas adversas causadas pelo El Niño já impactaram as safras agrícola

Felipe Moreira

El Niño (Foto: Getty Images)

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O fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico, pode já ter atingido seu pico, segundo agências especializadas, como a NOAA – Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. A NOAA espera que o El Niño enfraqueça gradualmente e depois faça a transição para neutro durante a primavera do hemisfério norte de 2024.

No entanto, o Goldman Sachs comenta que as condições climáticas adversas causadas pelo El Niño já impactaram as safras agrícolas, o que pode levar a uma possível queda na produção de commodities-chave como milho e soja, resultando em volumes de transporte mais baixos e na retração dos custos de alimentação/preços dos alimentos. Analistas ainda destacam que o clima volátil permanece um tema ao longo de 2024, devido ao aumento do risco de um ciclo de La Niña (diminuição da temperatura das águas do oceano Pacífico) no segundo semestre deste ano.

O Goldman Sachs comenta que o forte El Niño no final do ano passado resultou em condições climáticas adversas no centro do Brasil, atrasando o calendário ideal de plantio de soja e já apresentando implicações negativas nas colheitas. Embora reconheça que é muito cedo para fazer uma chamada final sobre a safra 2023-24, os “riscos estão claramente inclinados para o lado negativo”. Isso porque, segundo o banco, um plantio tardio de soja geralmente se reflete também na pressão sobre o milho safrinha.

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Condições de plantio não ideais, juntamente com condições climáticas voláteis, podem pressionar a produtividade e reduzir a disposição dos agricultores para plantar, o que deixa o Goldman cauteloso sobre a inflação de grãos em 2024.

O banco lembra que os grãos representam cerca de 50% dos custos de frango. Os gargalos de armazenamento, juntamente com um foco aumentado a curto prazo na redução do capital de giro para melhorar a geração de fluxo de caixa, podem ter impedido alguns processadores de aproveitar a forte safra 2022-23 no Brasil para proteger suas necessidades futuras, adicionando riscos significativos para custos/lucratividade a partir do 3º trimestre de 2024 em diante.

Diante disso, o banco recomenda venda para as ações da BRF (BRFS3, frango, carne suína e alimentos processados representam 94% de sua composição de vendas, com o Brasil respondendo por 90% de sua produção) e compra para JBS (JBSS3, diversificação geográfica e de proteínas reduz sua exposição a ciclos de segmentos individuais).

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Varejo alimentar

Para analistas, a inflexão nos preços dos alimentos pode aliviar a pressão nas receitas e margens das empresas de varejo alimentar, à medida em que o El Niño pode causar uma reversão na inflação de alimentos em domicílio, isso poderia ser um potencial positivo para Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRFB3).

“Clientes B2B, que representam cerca de 60% das vendas do Atacadão e cerca de 40% das vendas do Assaí, tendem a acelerar o reabastecimento à medida que os preços dos alimentos aumentam”, comentam analistas. “Da mesma forma, ambas as empresas, mas especificamente o Atacadão, observaram o impacto negativo da redução de estoques nos últimos meses, à medida que a queda consecutiva em certas commodities e produtos as incentivou a adiar o reabastecimento de estoque, na esperança de reduções adicionais de preços.”

Embora reconheça que o Assaí, como atacarejista “pura”, oferece uma exposição mais direta a esse tema, o banco vê que CRFB3 está melhor posicionada para navegar nos riscos de uma remoção total dos benefícios fiscais relacionados ao ICMS (3% do lucro líquido de 2022 em comparação com cerca de 20% para ASAI3).

Transporte e infraestrutura

Recentemente o Goldman rebaixou a recomendação da ação da Rumo (RAIL3) de compra para neutro, pois acredita que os preços do frete podem estar atingindo o pico após alguns anos fortes; além de esperar uma perspectiva fraca (e ainda incerta) para a safra de 2024, dadas as consequências do clima El Niño, o que poderia preparar o terreno para um ambiente de receita por unidade mais fraco para a companhia durante as negociações de preços que ocorrerão por volta do meio de 2024.

Financeiro

A equipe de research do Goldman Sachs ainda destaca um possível impacto negativo no Banco do Brasil (BBAS3), dada a sua grande concentração de empréstimos no setor agrícola, mas acredita que os riscos de uma deterioração significativa no banco são menores, pois seu portfólio de empréstimos relacionados à agricultura está diversificado em vários setores agrícolas, com uma exposição maior a máquinas e equipamentos agrícolas que seriam menos impactados. Por fim, analistas acreditam que a BB Seguridade (BBSE3) pode mitigar os riscos climáticos por meio de resseguros, exposição regional e sua receita diversificada.