Dólar sobe mais de 1% e vai a R$ 4,92 com expectativa menor de corte de juros nos EUA

Como vem ocorrendo há meses, o movimento dos títulos dos EUA foi a principal bússola para os negócios

Reuters

Dólar e Real (Foto: Getty Images)

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SÃO PAULO (Reuters) – O dólar subiu mais de 1% ante o real nesta terça-feira, em um avanço firme de 6 centavos de real, em sintonia com a elevação da moeda norte-americana ante outras divisas, após declarações de autoridades de bancos centrais da Europa e dos EUA reduzirem a expectativa de cortes de juros já em março.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9268 reais na venda, em alta de 1,23%. Foi o maior avanço percentual desde 2 de janeiro, quando a divisa subiu 1,33%. Em janeiro, a moeda acumula elevação de 1,55%.

Na B3, às 17:16 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 1,55%, a 4,9395 reais.

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O dólar operou em alta ante o real durante todo o dia. Investidores que se mantiveram fora dos negócios na segunda-feira, quando Wall Street esteve fechada em função do feriado de Martin Luther King Jr., voltaram aos negócios nesta terça-feira, ampliando a liquidez nos mercados.

Como vem ocorrendo há meses, o movimento dos títulos dos EUA foi a principal bússola para os negócios, em meio às especulações sobre quando o Federal Reserve iniciará o processo de corte de juros.

Desta vez, declarações de autoridades na Europa e nos EUA levaram à redução das apostas, na curva de juros norte-americana, de que o Fed contará juros já em março.

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O presidente do banco central da Alemanha, Joachim Nagel, disse na segunda-feira que é muito cedo para o BCE discutir um corte das taxas de juros.

No sábado, o economista-chefe do BCE, Philip Lane, havia comentado que cortar os juros muito rapidamente poderia alimentar uma nova onda de inflação. Outras autoridades europeias fizeram coro às declarações.

Nesta terça-feira foi a vez de o Federal Reserve reduzir a expectativa dos investidores por um corte de juros. O diretor do Fed Christopher Waller afirmou que os EUA estão próximos da meta de inflação de 2%, mas o banco central norte-americano não deve se apressar em cortar sua taxa básica de juros até que esteja claro que a baixa do índice de preços será sustentada.

Em reação, os rendimentos dos títulos norte-americanos tiveram ganhos firmes e o dólar disparou ante várias divisas, incluindo o real.

A moeda norte-americana à vista registrou a cotação mínima de 4,8870 reais (+0,42%) às 10h10, para depois escalar até a máxima — naquele momento — de 4,9310 reais (+1,32%) às 13h02, logo após a fala de Waller.

No restante da tarde, a divisa ainda renovou novo pico, de 4,9345 reais (+1,39%), às 15h54.

“Isso pode gerar algum stop (ordem de parada) na moeda, com o dólar perto dos 5,00 reais, sem mudar a ideia de queda de médio prazo”, comentou durante a tarde o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao avaliar a alta do dólar na esteira da elevação das taxas dos Treasuries.

No exterior, o cenário cambial era o mesmo: o dólar subia ante todas as demais divisas.

Às 17:16 (de Brasília), o índice do dólar –que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas– subia 0,69%, a 103,350.

Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de março