Dólar recua frente ao real após inflação dentro do esperado nos EUA e IPCA-15 mais fraco

Após uma breve reação negativa dos ativos globais, logo os rendimentos dos Treasuries passaram a cair na esteira do PCE

Reuters

(Andrii Sedykh/Getty Images)

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SÃO PAULO (Reuters) – O dólar caía frente ao real nesta sexta-feira, com investidores digerindo dados de inflação norte-americanos em linha com as expectativas e um IPCA-15 de janeiro mais fraco do que o esperado.

Às 11:08 (horário de Brasília), o dólar à vista recuava 0,31%, a 4,9075 reais na venda.

Na B3, às 11:08 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,2%, a 4,9105 reais.

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O índice de preços PCE, acompanhado de perto pelo Federal Reserve, subiu 0,2% no mês passado e nos 12 meses até dezembro avançou 2,6%, repetindo o resultado de novembro.

Economistas consultados pela Reuters previam altas de 0,2% no mês e de 2,6% na base anual.

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice PCE subiu 0,2% no mês passado, depois de avançar 0,1% em novembro. O chamado núcleo do PCE desacelerou a alta para 2,9% na base anual, o menor ganho desde março de 2021, após avanço de 3,2% em novembro.

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Os dados desta sexta também mostraram que os gastos do consumidor, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, aumentaram 0,7% no mês passado, depois de terem subido 0,4% em novembro.

“Gasto pessoal acima do esperado, em linha com (a alta do) PIB, e a contraparte, que é a inflação, veio literalmente dentro do esperado, e no ano (o núcleo) caiu para 2,9%; eu tenho viés de que o mercado deve performar bem, juros americanos para baixo, dólar globalmente para baixo e bolsas para cima”, disse Roberto Motta, da Genial Investimentos.

De fato, após uma breve reação negativa dos ativos globais, logo os rendimentos dos Treasuries passaram a cair na esteira do PCE, enquanto o índice do dólar frente a uma cesta de pares fortes recuava 0,30%. Os futuros dos principais índices de Wall Street, por sua vez, devolveram perdas iniciais e se aproximavam da estabilidade no dia.

Uma inflação em linha com as expectativas nos Estados Unidos pode servir como argumento para o Federal Reserve começar a cortar os juros em breve, embora o mercado ainda não tenha voltado a impulsionar as apostas num início em março, como aconteceu no final do ano passado.

Operadores veem a probabilidade de um primeiro corte da taxa básica do Fed em março em pouco menos de 50%, e de um primeiro corte em maio em cerca de 90%.

Enquanto isso, no Brasil, o IBGE informou mais cedo que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve em janeiro alta de 0,31%, depois de ter subido 0,40% em dezembro. A leitura mensal do indicador considerado prévia da inflação oficial ficou bem aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de uma aceleração da alta a 0,47%.

“Óbvio que (a leitura) mostra algum controle maior (da inflação), um efeito da taxa de juros, mas, quando a gente olha para a difusão, a quantidade de itens subindo ao mesmo tempo é um ponto para sempre ficar atento”, disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

“Em resumo, eu entendo que não traz grandes novidades em termos de efeito no Copom da semana que vem; o Copom já está bem decidido em 50 (pontos-base) e vai ter muito mais influência do exterior do que desse IPCA”, completou Cruz.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 30 e 31 de janeiro para definir o novo patamar da taxa Selic, com ampla expectativa de manutenção do ritmo de cortes de meio ponto percentual, a 11,25%.

Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9228 reais na venda, em baixa de 0,19%.

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