Câmbio

Dólar pode chegar perto dos R$ 4,25, mas há dois fatores limitantes para maiores altas, aponta Credit

Atuação do Banco Central e percepção de melhora econômica podem inibir maiores altas da divisa americana

SÃO PAULO – A sessão desta quarta-feira (25) começou sendo mais uma de ganhos para o dólar. A divisa americana se aproximou dos R$ 4,20 com o aumento da incerteza política após o pedido de impeachment contra Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na Câmara dos Deputados.

Isso elevou a busca por ativos de menor risco, o que afetou mais uma vez as moedas emergentes – o que inclui o real. O dólar chegou a virar para leve queda hoje com uma visão mais positiva para o acordo entre EUA e China mas, mesmo assim, a divisa brasileira ainda não encontrou forças para subir.

A moeda brasileira tem sofrido relativamente mais na comparação com outras divisas de países emergentes – e não é de hoje. E, segundo aponta análise do Credit Suisse, a moeda brasileira pode sofrer ainda mais, com potencial para que o dólar teste novamente as máximas de R$ 4,2478.

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Entre os pontos que levam à queda da moeda brasileira, estão: i) a queda da atratividade pelo carry trade (que consiste na operação em que o investidor toma dinheiro emprestado a juros baixos em países como Japão e aplica em países de juros mais altos), que tem diminuído sua vantagem com a queda nas taxas do Brasil, ii) a exposição à Argentina, que está passando por momentos turbulentos às vésperas da eleição, com a chapa de esquerda formada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner francamente favorita e iii) busca por proteção em momentos de maior incerteza global.

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Soma-se a isso o fato de que, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do último dia 18, os membros do Banco Central não só cortaram os juros em 0,5 ponto percentual, para nova mínima de 5,5% ao ano, como sinalizaram mais cortes – e mais agressivos do que os investidores estavam esperando antes do encontro.

Assim, a opção pelo real para operações de carry trade acabou ficando ainda mais distante dos investidores, o que derruba a cotação da divisa brasileira (confira mais sobre o assunto aqui). A visão é similar ao do Morgan Stanley que, na semana passada, logo após a decisão do BC de cortar os juros, destacou que a perspectiva era de prolongamento da fraqueza do real.

Fatores limitantes para maiores altas

A estimativa do Credit para os próximos três meses, contudo, é de um real praticamente estável, na casa dos R$ 4,185. Na sessão desta quarta-feira, às 14h25 (horário de Brasília), o dólar era negociado a R$ 4,1815 na venda, para depois amenizar e operar por volta dos R$ 4,16 às 16h.

O banco suíço avalia que o que limitaria o potencial de alta do dólar seriam as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio, como os leilões de venda de dólar no mercado à vista.

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Estas intervenções, na visão dos estrategistas, gerariam um potencial para que o desempenho pior do real versus outras divisas emergentes suavize. Além disso, também há a visão de que o cenário macroeconômico doméstico continua favorável, com expectativa de retomada (ainda que gradual) da economia brasileira, além da continuidade do cenário de reformas.

Desta forma, a expectativa é de que o dólar continue forte – contudo, os ganhos podem ser limitados em meio ao ambiente doméstico mais positivo e possíveis atuações do BC.

Dentre as divisas emergentes, o Credit aponta que algumas moedas podem ter retornos mais positivos, caso do rublo russo e a lira turco, enquanto estão mais cautelosos com as divisas da América Latina. Para o banco, as notícias sobre a reversão dos rendimentos dos títulos americanos, ligando o alerta sobre recessão na maior economia do mundo,  e os desdobramentos sobre a guerra comercial entre EUA e China serão essenciais para definir as estratégias com as moedas emergentes.

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