Dólar tem leve queda a R$ 4,94 com mercado à espera de dados dos EUA e Powell

O movimento do câmbio no mercado doméstico estava em linha com a estabilidade do índice que compara o dólar a uma cesta de pares fortes no exterior

Reuters

Novas regras permitem negociação de câmbio entre pessoas até o limite de US$ 500. Foto: Pixabay

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SÃO PAULO (Reuters) – O dólar caiu ligeiramente frente ao real nesta segunda-feira, com investidores evitando fazer grandes apostas antes de dados econômicos dos Estados Unidos e de falas do chair do Federal Reserve, Jerome Powell.

A moeda norte-americana à vista fechou em queda de 0,12%, a R$ 4,9488 na venda. Na B3, onde os negócios vão além das 17h, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,16%, a R$ 4,9590.

Esse movimento não divergiu muito da estabilidade vista no índice que compara o dólar a uma cesta de partes fortes ao longo da sessão.

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“O principal fator de incerteza é como as nações mais fortes economicamente irão reagir aos desafios da inflação e quais são seus planos para a política monetária”, disse Diego Costa, chefe de Câmbio para Norte e Nordeste da B&T Câmbio.

“A quebra de expectativa de seis cortes de juros nos Estados Unidos e uma perspectiva de início de afrouxamento monetário na zona do euro apenas no meio do ano deixou o mercado mais cauteloso… Para calibrar essas expectativas, o mercado segue atento aos indicadores, às falas de representantes dos bancos centrais.”

O chair do Fed, Jerome Powell, dará depoimento a parlamentares na quarta e na quinta-feira, fala que virá após moderação recente nas apostas de mercado sobre cortes de juros. No mês passado, dados dos índices de preços ao consumidor e ao produtor dos Estados Unidos surpreenderam para cima, embora a inflação medida pelo PCE — indicador preferido do Fed — tenha ficado dentro do esperado.

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“Nos EUA, embora o relatório de inflação PCE de janeiro não tenha impressionado muito as expectativas, a tendência de alta nos preços não parece estar se dissipando. Juntamente com a ausência de quaisquer sinais sérios de desaceleração no mercado de trabalho dos Estados Unidos, isso parece excluir a possibilidade de cortes na taxa de juros do Federal Reserve nos próximos meses”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercado do Ebury Bank.

Segundo ele, essa visão será testada na sexta-feira, quando for divulgado o relatório de criação de vagas fora do setor agrícola dos EUA de fevereiro. A expectativa é de abertura ainda sólida de 200 mil vagas de trabalho, contra 353 mil em janeiro, e qualquer dado acima do esperado deve levar a nova onda de pessimismo quanto ao início do afrouxamento monetário do Fed.

Juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos pintam um cenário frutífero para o dólar, em que o mercado de renda fixa norte-americano atrai mais investimentos por estar oferecendo, ao mesmo tempo, retornos atraentes e segurança, elevando desta forma a demanda pela divisa local. Esse mesmo ambiente torna as divisas emergentes comparativamente menos interessantes, pois, embora sejam muito rentáveis, são também mais arriscadas.

Nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse em relação ao quadro fiscal do Brasil que o governo tem condições de entregar um resultado que surpreenda para melhor, o que, segundo alguns participantes do mercado, pode ter ajudado a apoiar o real, embora o foco tenha permanecido no cenário externo.