Dólar fecha perto da estabilidade, a R$ 4,93, apesar do exterior

A moeda norte-americana oscilou em margens bastante estreitas no Brasil, a despeito dos estímulos vindos de fora

Lara Rizério

Dólar e Real (Foto: Getty Images)

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SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista fechou a quarta-feira muito próximo da estabilidade no Brasil, em um dia marcado pelo avanço da moeda no exterior após a divulgação de números decepcionantes da economia chinesa e de novos dados da economia norte-americana, que reforçaram a perspectiva de que o Federal Reserve pode não cortar juros já em março.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9304 reais na venda, em alta de 0,07%. Em janeiro, a moeda acumula elevação de 1,62%.

Na B3, às 17:26 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,13%, a 4,9415 reais.

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A moeda norte-americana oscilou em margens bastante estreitas no Brasil, a despeito dos estímulos vindos do exterior.

O dia começou com as moedas de exportadores de commodities sendo pressionadas pelo noticiário vindo da China. A economia chinesa cresceu 5,2% em 2023, um pouco mais do que a meta oficial, mas a recuperação foi bem mais frágil do que muitos analistas e investidores esperavam, com o agravamento da crise imobiliária, riscos deflacionários e demanda fraca lançando uma sombra sobre as perspectivas para este ano.

Nos EUA, o Departamento do Comércio informou pela manhã que as vendas no varejo aumentaram 0,6% em dezembro, após elevação de 0,3% em novembro. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,4%.

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Já o Federal Reserve informou que a produção industrial aumentou 0,1% em dezembro, após alta de 0,2% em novembro. Economistas consultados pela Reuters previram que a produção das fábricas permaneceria inalterada.

Os dois dados — acima do esperado – reforçaram o movimento mais recente de alta para os rendimentos dos títulos norte-americanos, com investidores reduzindo as apostas de que o Fed iniciará o ciclo de corte de juros já em março.

Isso deu força ao dólar ante várias divisas, incluindo o real, mas ainda assim as cotações no Brasil se mantiveram em margens controladas.

A cotação máxima, de 4,9542 reais (+0,56%), foi registrada no mercado à vista no início da sessão, às 9h02, quando os números chineses já estavam nas telas, mas os dados norte-americanos ainda não haviam sido divulgados.

No início da tarde, a moeda norte-americana já oscilava perto da estabilidade ante o real, marcando a mínima de 4,9228 reais (-0,08%) às 13h43.

“O dólar ontem deu uma corrigida (de alta) com base na declaração do dirigente do Fed (Christopher Waller), mas hoje (o mercado) aguarda porque há outras falas de autoridades a caminho e a divulgação do Livro Bege no fim da tarde”, comentou no meio da tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

Para ele, o fato de haver uma indefinição sobre o início do ciclo de cortes de juros nos EUA deixa os investidores na expectativa por novidades que possam impactar, de fato, as cotações.

Às 16h, o Fed divulgou seu Livre Bege, com avaliações sobre a economia norte-americana. Nele, a instituição afirmou que a atividade econômica teve pouca ou nenhuma alteração de dezembro até o início de janeiro, enquanto as empresas relataram que as pressões sobre os preços foram mistas e quase todas citaram sinais de uma desaceleração do mercado de trabalho.

O documento, no entanto, pouco influenciou as cotações nos mercados globais de moedas, incluindo o Brasil.

Às 17:26 (de Brasília), o índice do dólar –que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas– subia 0,15%, a 103,460.

Pela manhã, o Banco Central vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de março.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.