Bolsa

Dólar e DIs caem forte após mercado ouvir mais Volpon do que Tombini; Ibovespa recua

Mercado volta a ficar indefinido em meio a cenário político; investidores ficam de olho em nova fase da Lava Jato e decisão do STF sobre nomeação de Lula

SÃO PAULO – O Ibovespa fecha em queda nesta terça-feira (22), dia de forte indefinição no mercado entre o cenário externo, que reduz o apetite por risco por conta dos atentados terroristas no metrô e no aeroporto da Bélgica e o cenário político por aqui. Lá fora, a tragédia fez os índices norte-americanos fecharem em baixa. Por aqui, o mercado refletiu a 26ª fase da Operação Lava Jato e a decisão da ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber de negar o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O benchmark da bolsa brasileira caiu 0,32%, a 51.010 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,758 bilhões. Já o dólar comercial fechou em queda de 0,26% a R$ 3,6001 na compra e a R$ 3,6008 na venda, enquanto o dólar futuro para abril teve queda de 0,68% a R$ 3,601. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 6 pontos-base a 13,72%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra perdas de 22 pontos-base a 13,63%. 

Para o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, os DIs recuaram por causa das falas mais “dovish” (moderadas) do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tony Volpon, que tem sido o maior foco de resistência “hawkish” (agressiva) nas últimas decisões de política monetária. “Como até o Volpon tem mostrado que vai haver um corte de juros, a fala do presidente do BC, Alexandre Tombini no Senado acabou não mexendo muito no mercado”, disse. Brugger ainda cita o noticiário político para explicar a queda dos contratos de juros hoje, afirmando que há uma redução na percepção de risco no longo prazo com a probabilidade maior da presidente Dilma sofrer um impeachment. 

Lula não é ministro
Depois do ministro do STF, Luiz Fux, determinar o arquivamento de ação que pedia para o tribunal reverter a suspensão da nomeação de Lula como ministro da Casa Civil, a ministra Rosa Weber negou o pedido de habeas corpus do ex-presidente. Os advogados do líder petista tentavam invalidar a liminar concedida por Gilmar Mendes para suspender a nomeação ao ministério da Casa Civil. “Ante o exposto, não ultrapassando por qualquer ângulo o juízo de cognoscibilidade, a despeito da delicadeza e complexidade do tema de fundo, nego seguimento ao presente habeas corpus”, escreveu a ministra em decisão.

Operação Xepa
A Polícia Federal deflagrou nesta terça a Operação Xepa, 26ª fase da Lava Jato. Ao todo, 380 agentes cumpriram 110 ordens judiciais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A nova operação é um desdobramento da 23ª fase, denominada Acarajé, que prendeu o marqueteiro de campanhas petistas, João Santana, e sua esposa, Mônica. 

A Polícia Federal deu entrevista coletiva nesta terça sobre esta nova fase. Segundo os investigadores, esta etapa mira executivos da Odebrecht e doleiros. Diretores da empreiteira foram ligados ao aeroporto de Goiás e ao estádio do Corinthians em Itaquera. Há indicativos de pagamentos para o Porto Maravilha também. 

Os investigadores disseram que a empreiteira Odebrecht é o alvo desta nova fase da operação e que existe dentro da empresa um esquema de pagamento de propina. A declaração mais explosiva foi aquela de que Marcelo Odebrecht, presidente da empresa, tinha conhecimento do esquema de corrupção e comandava ele, segundo procuradora Laura Gonçalves Tessler. Várias diretorias estão sendo investigadas na Odebrecht, não só com relação à Petrobras. 

Ações em destaque
Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caíram. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,35, -2,56%), Bradesco (BBDC3, R$ 31,22, -0,10%; BBDC4, R$ 27,65, -1,04%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,40, -1,45%) recuaram. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 BBSE3 BBSEGURIDADEON29,15-5,51+23,94
 JBSS3 JBS ON11,15-3,80-9,72
 CYRE3 CYRELA REALTON10,67-3,44+42,27
 ITSA4 ITAUSA PN8,42-3,11+26,36
 CCRO3 CCR SA ON ED14,20-2,61+15,49

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Em alta ficaram as ações de siderúrgicas como Gerdau (GGBR4, R$ 6,22, +6,32%), além de exportadoras como Fibria (FIBR3, R$ 34,30, +0,29%) e Suzano (SUZB5, R$ 13,94, +0,58%). 
As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 GGBR4GERDAU PN6,22+6,32+33,76
 KROT3KROTON ON ED11,40+5,36+20,11
 GOAU4GERDAU MET PN2,15+3,86+29,52
 CSNA3SID NACIONALON8,17+3,42+104,25
 CSAN3COSAN ON31,44+2,58+28,49
 

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,48, +2,24%; PETR4, R$ 8,11, +0,62%) subiram apesar do resultado negativo da companhia. A estatal reportou na noite da última segunda-feira (21) prejuízo líquido de R$ 36,938 bilhões, contra média das expectativas coletadas pela Bloomberg de R$ 3,5 bilhões e prejuízo de R$ 26,6 bilhões no mesmo trimestre de 2014. Em 2015, a estatal registrou um prejuízo de R$ 34,836 bilhões, contra perdas de R$ 21,587 bilhões.

A companhia informou que a última linha do balanço foi afetada por um impairment de ativos de R$ 47,676 bilhões. A baixa contábil é decorrente em sua maioria da queda dos preços do petróleo e incremento nas taxas de desconto, reflexo do aumento do risco Brasil pela perda do grau de investimento.

Do total do impairment de ativos, R$ 38,292 bilhões correspondem à área de exploração e produção; R$ 6,399 bilhões à área de abastecimento; R$ 2,507 bilhões à área de gás e energia; e R$ 478 milhões de outros ativos. Há mais R$ 2,072 bilhões de impairment de investimentos.

Quem também subiu foi a Vale (VALE3, R$ 15,43, +1,85%; VALE5, R$ 11,30, +0,89%), que registrou ganhos na contramão do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve queda de 0,78%. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4PETROBRAS PN8,11+0,62668,99M
 ITUB4ITAUUNIBANCOPN32,35-2,56449,40M
 BBDC4BRADESCO PN27,65-1,04395,67M
 VALE5VALE PNA11,30+0,89256,87M
 CIEL3CIELO ON EDJ35,20+0,28221,19M
 PETR3PETROBRAS ON10,48+2,24220,76M
 KROT3KROTON ON ED11,40+5,36205,18M
 BBAS3BRASIL ON EJ20,40-1,45196,37M
 BBSE3BBSEGURIDADEON29,15-5,51183,35M
 ABEV3AMBEV S/A ON18,66-0,37163,46M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Estado Islâmico reivindica autoria de atentados
O Estado Islâmico reivindicou os ataques em Bruxelas, na Bélgica, ocorridos nesta terça, afirmou uma agência afiliada à milícia. Segundo o Ministério do Interior belga, os atentados deixaram ao menos 30 mortos e mais de 200 feridos ao atingir a estação de metrô de Maelbeek, que fica a poucos metros da sede da União Europeia, e a área de embarque do aeroporto internacional de Zaventem, nos arredores da capital belga.

“Os combatentes do Estado Islâmico realizaram uma série de bombardeios com cintos e aparatos explosivos nesta terça-feira, tendo como alvos o aeroporto e uma estação de metrô no centro da capital da Bélgica, Bruxelas”, escreveu a agência AMAQ.

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De acordo com postagem da Amaq, outro suicida lançou o ataque na estação de metrô. De acordo com a agência, os ataques foram uma resposta ao apoio belga à coalizão internacional montada contra a facção.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, condenou o que classificou de “atentados cegos, violentos e covardes” que atingiram a capital belga. “Temíamos um atentado terrorista e aconteceu”, lamentou.

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