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Dólar dispara e encosta nos R$ 3,20 de olho na Grécia e pressionado pela política interna

Moeda norte-americana atinge seu maior patamar em mais de um mês após reunião da presidente com aliados e anúncio de plano de proteção ao emprego

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SÃO PAULO – Se a Grécia, sozinha, não teve força de afetar o dólar ontem, nesta terça-feira (7) o aumento da tensão política após uma reunião de emergência da presidente Dilma Rousseff (PT) com seus aliados favorece a disparada da moeda norte-americana neste pregão. Às 13h15 (horário de Brasília), a divisa registrava ganhos de 1,58%, cotada a R$ 3,1908 na compra e R$ 3,1916 na venda, seu maior valor desde 5 de junho, quando era cotada a R$ 3,1876.

Ontem à tarde, a presidente convocou uma reunião de última hora com seus aliados para falar sobre o “clima de impeachment” que se instala no País e para explicar as chamadas “pedaladas fiscais”. Além disso, no início da noite, o governo anunciou o Plano de Proteção ao Emprego, enquanto Dilma também concedeu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Ainda ontem, a presidente também conversou com o vice-presidente, Michel Temer, e os presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para que ouvissem o seu lado sobre a legalidade das pedaladas fiscais.

Enquanto isso, na Grécia, o cenário não mudou muita coisa desde ontem, o que mantém os investidores tensos sobre o futuro do país. Segundo uma autoridade do governo grego, Atenas apresentou aos ministros de Finanças da zona do euro, reunidos hoje em Bruxelas, os mesmos termos de acordo que havia proposto na semana passada. Com isso, aumenta o receio de não haver acordo nos próximos dias para salvar a Grécia da falência, o que amplia o risco de saída do país da zona do euro.

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“A alta do dólar ocorre devido o nosso cenário interno negativo, mas o Vix está muito elevado e as moedas puras de commodities (dólar australiano e canadense) estão em seus respectivos objetivos de médio prazo. Adicionalmente, alguns analistas acreditam que a manutenção da Grécia na zona do euro provoca a queda da moeda única. Ou seja, o dólar não sobe apenas por aversão ao risco, mas também porque o mercado acredita em acordo com a Grécia”, explica o diretor técnico da Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

O economista e Diretor Executivo da NGO, Sidnei Moura Nehme, lembra ainda a dificuldade de se projetar o dólar em relação ao real. “É preciso entender que no Brasil o preço da moeda americana é formado no mercado futuro e dai contamina o mercado a vista, razão pela qual temos repetidamente apontado para a necessidade do BC ser mais operacional e menos previsível na oferta de rolagem dos contratos de swaps cambiais e, também, precisa voltar a fazer a pesquisa para formação da Ptax em horário mais amplo, fechando os flancos para especulações”, disse em relatório para clientes.

Os dois especialistas apontam para novas altas do dólar daqui para frente, podendo ter alívios pontuais no curto prazo. “O viés da taxa cambial já sugere o dólar fechando o ano ao preço de R$ 3,40, mas há muitos fatores que fazem com que no mercado de câmbio nem tudo seja como parece ser ou que o fundamento indica”, conclui Nehme.