Dança das cadeiras

Diretor da CCX é apenas mais um a deixar o Grupo de Eike; veja quem mais saiu

Em menos de um ano, altos executivos que tinham sido contratados "a peso de ouro" para integrar o grupo deixaram a holding

SÃO PAULO – Na última terça-feira (30), houve mais uma mudança na holding EBX, com o diretor financeiro da CCX Carvão (CCXC3), Leonardo Gadelha, renunciando ao cargo, conforme anunciado na ata da reunião do Conselho de Administração da empresa.

Segundo o comunicado, o executivo não será substituído e suas responsabilidades serão compartilhadas entre os outros membros da direção da companhia. Essa não é a primeira vez que Gadelha renuncia a um cargo de diretor financeiro de alguma empresa do grupo de Eike Batista. Em março de 2012 ele renunicou ao mesmo cargo na LLX Logística (LLXL3), na qual era diretor financeiro desde 2011. Em abril passado, ele assumiu o cargo na CCX.

Esta mudança é mais uma das recorrentes no grupo EBX que, desde junho de 2012, quando as ações da OGX Petróleo (OGXP3) começaram a sua derrocada, veem sofrendo uma “dança das cadeiras” em relação aos executivos mais gabaritos do grupo. A maior parte deles veio a “peso de ouro”, nos tempos áureos da holding de Eike Batista. 

A última grande perda do grupo foi em março de 2013, quando Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, que havia sido anunciado como o mais novo braço-direito de Eike Batista, deixou o grupo 50 dias após ocupar o cargo da vice-presidência. Na carta de demissão, Gouvêa Vieira afirmou que cumpriu o seu ciclo e desejou sorte ao grupo.

Em fevereiro, mais mudanças de altos executivos. Otavio Lazcano, que ocupava o cargo de diretor financeiro da holding, deixou o grupo no começo daquele mês. Ele foi substituído, na época, por Armando Mariante, indicado pelo ex-braço direito de Eike, Gouvêa Vieira. Lazcano ficou apenas seis meses no cargo e, anteriormente, fora presidente da LLX Logística (LLXL3) por três anos. Anteriormente, o cargo era ocupado por Nicolau Chacur, que saiu em julho de 2012. 

Grandes alterações desde o ano passado
As perdas do grupo já haviam ocorrido fortemente em 2012, começando no mês de junho, quando os papéis da OGX começaram a registrar uma imensa desvalorização, após a companhia informar ao mercado que a vazão do poço de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, produziria muito menos do que fora prometido. A vazão foi definada em 5 mil barris de petróleo por dia, ou quase um terço do que havia sido estipulado anteriormente.

Com este anúncio, Eike Batista tirou Paulo Mendonça da presidência da empresa, sendo substituído por Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, que era número 1 da OSX Brasil (OSXB3). Mendonça estava na EBX desde o início do projeto da companhia e foi levado por Rodolfo Landim, que se tornou um desafeto de Eike.

Dois meses depois, Paulo Mendonça, saiu de vez da companhia. Depois de sua saída da OGX, ele passou a fazer parte do conselho da EBX, mas não resistiu e acabou sendo demitido da holding.

Em outubro de 2012, mais mudanças. Ricardo Fonseca, um dos principais executivos de fusões, aquisições e finanças corporativas da EBX deixou o grupo. 

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Entretanto, não foi somente a saída de altos executivos do grupo que movimentaram a EBX nos últimos meses. Em setembro de 2012, vinte pessoas foram demitidas e, em abril de 2013, a OSX anunciou a demissão de mais 80 funcionários da equipe que trabalhavam no estaleiro em fase final de construção no Porto de Açu.

Em 2010 e 2011, mudanças começaram
Contudo, algumas mudanças já começaram a aparecer antes da situação para o grupo EBX começar a se complicar. O líder da diretoria de Finanças Corporativas e diretor de Relações com Investidores, Paulo Gouvea, no começo de 2011, por outro lado, anunciou a sua demissão, após trabalhar 13 anos na companhia. Gouvea saiu ”em busca de novos desafios profissionais”. 

Na época, executivos próximos ressaltaram que a saída de Gouvea era natural em qualquer empresa e que o empresário continuava atraindo talentos. Além disso, destacou que a holding tinha vários “homens de ouro”, muitos deles egressos da Petrobras (PETR3;PETR4) e da Vale (VALE3;VALE5) que foram contratados atraídos pelo pagamento de altos salários. Entretanto, com a situação do grupo se complicando cada dia mais, muitos deles partiram em busca de novos caminhos.

Em 2010, um caso de tornou bastante emblemático, com a saída de Rodolfo Landim do grupo. Landim se desentendeu com Eike e corre um processo na Justiça para que ele venda um lote de ações da EBX que ganhou de bônus em 2008. Além dele, outro antigo aliado de Eike e agora desafeto, o geólogo baiano João Carlos Cavalcanti, que foi sócio do megaempresário em duaz oportunidades, também o processa, alegando que prometeu investimentos sem ter condições de cumpri-los.