“Dedo gordo ou operou sem ler”? As suspeitas que fizeram Estácio recuar 7,5% em 6 minutos

Queda da ação pode estar relacionada a interpretação equivocada de uma notícia

Rafael Souza Ribeiro

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SÃO PAULO – Ao contrário do Ibovespa, que tem uma sexta-feira (23) pouco agitada, o setor de educação viveu momentos de emoção nesta manhã com as ações ordinárias da Estácio (ESTC3), que iniciaram um forte movimento de correção depois de um “dedo gordo” levar o papel a uma queda de 7,51% em 6 minutos.

A expressão “dedo gordo” se explica pelo erro de digitação da ordem enviada. Quando uma oferta vendedora muito pesada é enviada, os preços são pressionados para baixo, provocando uma disparada nas ordens de “stop loss” posicionadas pelos traders, o que gera um movimento negativo ainda mais forte.

Quando uma oscilação muito atípica acontece, a B3 costuma suspender os negócios com este papel, deixando-os congelados como forma de acalmar o mercado e evitar um “efeito manada” por parte dos investidores.

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Início do dia
A abertura em gap a R$ 15,22 prometia por um dia bastante positivo para Estácio, que, já às 10h18 (horário de Brasília) atingiu máxima em R$ 16,00, correspondendo a uma valorização de 5,12%. Porém, a partir das 11h00 a ação perdeu força e às 11h40 o “barraco desabou”. Da abertura em R$ 15,71, um forte fluxo na venda entrou no papel que só foi contido às 11h46, quando o ativo atingiu a mínima em R$ 14,53 e entrou em leilão, mecanismo acionado devido à alta volatilidade apresentada.

Entre 11h43 até a entrada do leilão, quando o papel efetivamente “ficou descontrolado” e chamou a atenção dos investidores, a corretora do banco norte-americano JP Morgan foi disparada a que mais vendeu no período, com 22.800 ações por um preço médio de R$ 15,44, ou seja, um volume de R$ 352 mil. Confira o gráfico de 1 minuto para entender melhor o caso:

O que aconteceu?
O movimento coincidiu com a divulgação, às 11h35, de uma matéria pelo Brazil Journal destacando que a Kroton (KROT3) planeja pedir nesta sexta-feira ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para retirar o caso Estácio da pauta de julgamento agendada para o dia 28 de julho. O objetivo da Kroton é permitir que os recém chegados ao órgão de regulação, Alexandre Barreto e Maurício Maia, tenham condições de participar do julgamento pelo tribunal.

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A notícia em si pode ser considerada positiva para Estácio, já que o mercado acredita que essas “novas cabeças” poderão influenciar o voto dos membros remanescentes, que já sinalizaram o veto da fusão por conta de concentração de mercado. Talvez, os investidores ficaram assustados quando leram inicialmente que a Kroton planeja pedir ao Cade para retirar o caso da fusão, fazendo com que “vendessem primeiro, para entender depois”. Prova disso foi o pós-leilão.

Pós-leilão

Como pode-se ver no gráfico acima, a reabertura do papel foi positiva, uma vez que a ação saltou de R$ 14,53 para R$ 15,09, ou seja, uma valorização de 3,85% entre 11h46 e 11h57 (momento que o papel saiu do leilão). Coincidência ou não, a corretora que mais comprou nesse leilão foi justamente o JP Morgan, arrematando 203.900 ações por R$ 15,09, ou seja, um volume de R$ 3,07 milhões.

Passada toda essa turbulência, os papéis se acomodaram e às 14h43 registram valorização de 1,45%, cotados a R$ 15,38, acima do preço de saída do leilão.