Destaques da Bolsa

CSN salta 6%, Oi afunda 23% e operadora dos hotéis Fasano dispara 15%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira e na semana

SÃO PAULO – Apesar de ficar próximo da estabilidade nesta sexta-feira (9), o Ibovespa encerrou a semana com fortes ganhos de 4,91%, aos 49.342 pontos, chegando assim a sua nona alta consecutiva. Enquanto isso, o dólar registrou sua maior queda semanal desde 2011 e voltou para o nível de R$ 3,76. Na semana, foram 12 ações subindo mais de 15%, enquanto apenas 6 caíram mais de 5%.

O destaque ficou a CSN, que disparou 41,01% em uma rali impulsionado pela expectativa da companhia se desfazer de alguns ativos para conseguir melhorar seu caixa e reduzir sua dívida. Usiminas e Gerdau também ficaram entre as maiores altas dos últimos cinco pregões, com ganhos de 18,04% e 18,55%, respectivamente.

Ainda na ponta positiva, a Rumo também chamou atenção ao subir 42,70%. Nesta sexta a companhia passou por um “block trade”, com 20 milhões de ações sendo vendidas. Completando as maiores altas da semana, os papéis da Gol, que subiram 20,22%, tentando se recuperar dos últimos meses negativos pressionados pela piora econômica do País e alta do dólar.

A moeda norte-americana, inclusive, acabou balizando a ponta de baixo do Ibovespa, que teve as companhias de perfil exportador com os piores desempenhos. JBS, Suzano, BRF e Fibria caíram, respectivamente, 10,82%, 11,10%, 6,76% e 5,13%. Para conferir o desempenho das outras ações acesse a ferramenta de altas e baixas do InfoMoney clicando aqui.

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa na sessão desta sexta-feira:  

Petrobras, Vale e siderúrgicas
Enquanto as ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,71, -0,37%; PETR4, R$ 8,80, +0,57%) perderam força e fecharam entre perdas e ganhos, Vale (VALE3, R$ 20,79, +3,64%; VALE5, R$ 16,26, +2,01%) CSN (CSNA3, R$ 5,33, +6,60%), Usiminas (USIM5, R$ 3,73, +1,63%) e Gerdau (GGBR4, R$ 6,71, +0,60%) voltaram a disparar com o “boom” dos preços das commodities lá fora, que ajudou a puxar também os ativos no mercado internacional.

Contribui para o movimento a leitura da Pimco, que prevê o fim da quedas dos preços das commodities. No início da semana, o Morgan Stanley apontava “compra gritante” para emergentes e ações de empresas ligadas a commodities.

No radar das companhias, a Petrobras informou que as revisões no plano de negócios realizada no começo desta semana tiveram como base um dólar a R$ 3,28 para 2015 e R$ 3,80 para 2016, ante estimativas de câmbio a R$ 3,10 e R$ 3,26, respectivamente. Até ontem, o dólar médio para 2015 era de R$ 3,19. Já o preço do petróleo Brent, usado como referência, foi reduzido de US$ 60,00 par US$ 54,00 o barril para 2015 e de US$ 70,00 para US$ 55,00 o barril em 2016. 

Já sobre a Vale, a produtora de alumínio norueguesa Norsk Hydro assinou carta de intenção para comprar da Vale uma fatia de 40% na MRN (Mineração Rio do Norte), líder na produção de bauxita no Brasil. Uma eventual acordo elevaria participação da Norsk Hydro na MRN para 45%. 

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Por fim, a CSN e Usiminas subiram mais de 6% e 8% os preços do aço a seus clientes. Os clientes da CSN já receberam as notas fiscais de suas compras com o aumento de preços computado, que ficou entre 6% a 10%, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast. No final, a CSN foi a primeira entre as siderúrgicas a implementar os ajustes. Segundo fontes, houve uma preocupação de que haveria uma briga por market share. O ajuste da Usiminas entra em vigor amanhã, ainda de acordo com fontes, e ficará em 9%. 

Exportadoras
As ações das empresas com perfil exportador seguiram em queda nesta sessão, puxadas pela desvalorização do dólar, que fechou a R$ 3,7588 na venda. Na Bolsa, caíram as ações de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 51,45, -1,51%) e Suzano (SUZB5, R$ 16,82, -4,16%), além das empresas de proteína animal JBS (JBSS3, R$ 15,00, -3,85%) e Marfrig (MRFG3, R$ 6,66, -3,20%), e as ações da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 26,51, +0,99%), que subiram com a notícia de que a United avalia comprar jatos da Embraer ou Bombardie, segundo informações da Bloomberg.

Apesar da queda, as ações da Fibria foram elevadas para compra pela Citi Corretora, citando expectativa de dólar acima de R$ 4,00, enquanto Suzano e Klabin seguiram com recomendação de compra. A Duratex (DTEX3, R$ 7,10, +0,85%) segue com classificação neutra.      

Oi (OIBR4, R$ 2,70, -23,30%)
Depois que o conselho de administração homologou a conversão voluntária de ações preferenciais em ordinárias de emissão da empresa. A companhia espera que as ações ONs emitidas como resultado da conversão voluntária estejam disponíveis nas posições de custódia dos acionistas a partir de amanhã e possam ser negociadas a partir de 13 de outubro.

Ainda sobre a companhia, há rumores sobre fusão entre Oi e TIM (TIMP3, R$ 7,80, 0,00%), mais um aporte do fundo Letter One, para facilitar a consolidação no mercado de telecomunicações no Brasil. A transação poderia incluir uma fusão de R$ 10 bilhões da Letter One na Oi e a consequente fusão com a TIM. Há expectativa de que essa operação leve a alavancagem da Oi de 5,3 vezes atualmente para 2,4 vezes.

Rumo (RUMO3, R$ 8,99, +13,80%)
As ações da Rumo saíram de leilão da Bovespa com disparada de 10% após acionista vender cerca de 20 milhões de ações. O leilão ocorreu às 15h (horário de Brasília) e durou cerca de 30 minutos. O “block trade”, como é conhecido, visa evitar oscilações exageradas quando um investidor anuncia que quer vender uma grande quantidade de ações.

O leilão teve uma oferta demanda, o que levou para cima o preço de venda e a quantidade de ações inicialmente proposta pelo acionista, conforme comunicado enviado previamente para a BM&FBovespa e divulgado nesta sexta-feira. 

Após a operação, a Bolsa informou, por email, que o leilão movimentou R$ 257,8 milhões, contra previsão de R$ 130,869 milhões. O preço por ação ficou 35,11% acima do previsto, atingindo, em média, R$ 8,85, ante R$ 6,55. Por esse preço, a quantidade de ações vendida deve ter alcançado montante de 29,129 milhões. Pelos dados do informados anteriormente, o investidor pretendia vender 19.980.000 ações.  

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Como é comum nestes casos, a corretora informou que o acionista vendedor não tem conhecimento de alguma informação relevante que não seja de domínio público e que não é controlador, integrante do bloco de controle, membro do conselho deliberativo, fiscal ou de administração.

Seguradoras
A BB Seguridade (BBSE3, R$ 29,29, +3,64%) teve sua recomendação elevada para compra pela Citi Corretora, enquanto Sul América (SULA11, R$ 19,25, -0,31%) foi rebaixada para neutra e Porto Seguro (PSSA3, R$ 33,58, -0,53%) mantida em neutra. Apesar do cenário macroeconômico ainda desafiador, as seguradoras podem entregar um crescimento de lucro acima de 20% em 2015, dado que estão se beneficiando pelas menores perdas e auferindo maior renda de investimentos, comentaram os analistas. 

Sobre a BB Seguridade, eles comentaram que a companhia continua se beneficiando pelo modelo mais diversificado, embora os prêmios de seguro devam desacelerar. Ainda assim, a renda dos investimentos deverá seguir robusta e a forte performance dos produtos de previdência deverão impulsionar o LPA (Lucro Por Ação).  

Marisa (AMAR3, R$ 7,41, +0,14%)
Analistas da Citi Corretora conversaram com o CFO da Marisa, Senhor Adalberto Pereira dos Santos, deixando uma leitura de que a empresa ainda “luta contra ineficiências, enquanto o cenário macroeconômico segue pesado”. De acordo com Santos, o ambiente econômico permanece desafiador para os varejistas, especialmente aqueles focados no mercado de baixa renda. Ao passo que o desemprego segue aumentando, enquanto a inflação está corroendo o poder de compra da população.

JHSF (JHSF3, R$ 1,77, +15,69%)
As ações da JHSF, operadora dos hotéis Fasano, dispararam após o controlador da incorporadora oferecer US$ 200 milhões por cinco propriedades da empresa no exterior. O valor da oferta equivale ao preço de valor de mercado da companhia da véspera, que batia cerca de R$ 800 milhões, considerando um dólar a R$ 4,00. 

Segundo o blog Mercados, da Veja, as propriedades incluem empresa em Manhattan e JHSF Uruguai, dona do empreendimento Las Piedras, que inclui um Hotel Fasano em Punta del Este. Se a venda for aprovada, a companhia poderá reduzir seu endividamento bruto em cerca de US$ 250 milhões, já que a empresa mantém cerca de US$ 50 milhões em caixa para fazer frente aos investimentos esperados no exterior, e que poderiam ser usados para antecipar pagamento de dívidas.

Gol (GOLL4, R$ 4,40, +7,06%)
As ações da Gol mostram esboço de recuperação com a queda do dólar frente ao real, dado que os custos da companhia de aviação são em moeda americana, assim como seu endividamento. Os papéis da companhia mostram movimento positivo desde o pregão do dia 29 (quando renovaram sua mínima histórica de fechamento), praticamente coincidindo com a virada de mão do Ibovespa para cima. De lá para cá, as ações subiram 22,7%. 

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